Fotos: Vanessa G. Silva
Produtos coloniais à venda no Centro Comercial do Taboão
Produtos coloniais à venda no Centro Comercial do Taboão
São Roque - Muito além do vinho


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por Márcia Busanello

Quando se fala em São Roque, município distante apenas 60 km de São Paulo pela Rodovia Castelo Branco ou pela rodovia Raposo Tavares, o que nos vem a mente, no primeiro momento, são os vinhos produzidos na região. Durante muito tempo, a cidade foi conhecida como a Terra do Vinho. Qual não foi minha surpresa ao descobrir, porém, que São Roque é uma agradabilíssima e muito bela opção de turismo, assim tão pertinho da capital. Arriscaria a dizer, até, que os vinhedos são a menor de suas atrações.

São Roque foi fundada em 1657 pelo capitão paulista Pedro Vaz de Barros, mais conhecido como Vaz Guaçu. Durante muitos anos serviu como pousada para bandeirantes que seguiam o rio Tietê em busca de ouro, pedras preciosas e indígenas para escravizar. Não é de surpreender, portanto, que lá se possa ver, até hoje, prédios antigos mesclados a construções mais modernas, no centro da cidade. O município tem, atualmente, cerca de 70.000 habitantes.

Pequeno roteiro das belezas
Vinícola Góes Vinhos - Vinhos produzidos na região
Vinícola Góes - Vinhos produzidos na região
Mas o que há, afinal, em São Roque? Muita coisa. Em um final de semana, ou em um dia apenas, é possível conhecer muitas das atrações. Pegue a estrada cedo para poder aproveitar o máximo de um bom dia de sol. Vamos começar nosso tour pelo centro. Como toda cidade interiorana, a Igreja Matriz é o coração, cercado por uma praça recentemente reformada, florida e muito agradável. Merecem destaque as pinturas dos irmãos Gentilli, no teto e nas paredes, que atualmente estão sendo restauradas.

Da Igreja vá conhecer a Brasital, indústria têxtil fundada em 1890, cujos prédios foram transformados em Centro Cultural e Educacional. Abriga biblioteca, brinquedoteca, sala para treinamento de ginástica olímpica, entre outras coisas. Além disso, sua arquitetura é belíssima, como também o é a área verde que a cerca. Lugar muito agradável, que rende belas fotografias e ótimos momentos de descanso. Próxima é também a Igreja de São Benedito, construída por escravos em 1855, em taipa de pilão. Algumas das imagens autênticas ainda podem ser vistas no local. Continue sua visita pela Estação Ferroviária construída em 1930 e que hoje abriga a Guarda Municipal.

Sky Mountain Park - vista de quem está no teleférico
Sky Mountain Park - vista de quem está no teleférico
Reserve pelo menos meia tarde para brincar no Ski Mountain Park e não vá embora antes de anoitecer. Equipado com pista artificial para prática de esqui, o parque também tem um tobogã delicioso, teleférico e muitas atrações para crianças. Há restaurante, lanchonete, loja de artesanato, doceria e uma casa de chá que humm, só provando mesmo para saber. A noite então, quando desce aquele friozinho gostoso, a casa de chá fica mais deliciosa ainda, com muitos pãezinhos, bolos, doces, salgados, geléias, queijos, chocolate, sucos, chás, leite...

Ainda tem mais
Pensava que era só? Enganou-se.. Depois de dormir em uma das muitas pousadas ou hotéis da cidade, reserve outro dia para conhecer as demais atrações que têm por lá. Comece por ir à feirinha de artesanato, na Praça da República. Depois vá conhecer o Recanto da Cascata, junto ao pavilhão de exposições no qual acontecem a Expofloral e a Festa da Alcachofra, ambas em outubro (aliás, belas festas). Prepare seu espírito aventureiro, pegue a estrada Mário de Andrade e conheça a Mata da Câmara, com 54 alqueires de Mata Atlântica preservada, repletos de animais e aves silvestres, mananciais e ótimas trilhas para caminhadas ecológicas. Para fechar o dia com chave de ouro, faça um belo pic-nic num dos lugares mais mágicos de São Roque – a Casa Grande e Capela de Santo Antônio, localizadas em uma imensa área verde, com dois lagos ao lado, árvores e pedras nativas e uma história peculiar, que merece ser contada.

Capela de Santo Antônio, construída em 1681
Capela de Santo Antônio, construída em 1681
Capela construída em 1681.
Em 1680, Fernão Paes de Barros instalou-se nas terras vizinhas às de seu irmão, Vaz Guaçu. Em sua propriedade, muitos indígenas trabalhavam cultivando trigo e produzindo diversos artigos, como marmelada, água de rosas, entre outros, alguns até exportados para Lisboa. Como era costume na época, o bandeirante construiu uma capela em sua propriedade, ao lado da casa grande (em 1681). Pouco ou quase nada se sabe sobre os artífices que a construíram e decoraram. A propriedade ficou sob domínio dos descendentes de Fernão Paes de Barros até 1868, quando começou sua decadência. O foco político e econômico do país se voltou para as regiões de mineração e de cultivo de cana de açúcar, o que acabou relegando a região em questão a segundo plano. Assim, passa de mão em mão sem que ninguém lhe dê o devido valor. Em 1937 a propriedade é descoberta pelo Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (SPHAN) e são iniciadas as obras de restauração. Em 1942, Mário de Andrade (ele mesmo, o poeta), então assistente técnico da regional paulista do SPHAN, compra o sítio e o doa definitivamente, na década de 60, para a União. Francisco Matarazzo Sobrinho (veja box) colabora com a compra e doação de outra área vizinha, bem como Flavio Favalli, o que permitiu o isolamento da área e efetivo processo de recuperação do terreno e das encostas vizinhas. O que se vê hoje em torno dos dois monumentos históricos é uma área verde extremamente aprazível e tranquila.
Francisco Matarazzo Sobrinho idealizou a Bienal de Artes Plásticas de São Paulo, em 1951, inspirado na Bienal de Veneza. Para a I Bienal foi construído um pavilhão especial no Parque Trianon, na Av. Paulista, onde hoje é o MASP – Museu de Arte de São Paulo

Para ir embora tranqüilo
Bom, mas além de disso tudo – porque ainda tem mais – muitas coisas merecem ser conhecidas. Percorra a Estrada do Vinho, se não for para degustar a bebida, que seja então pelos inúmeros trechos de belas paisagens que ela proporciona, suba nos morros do Cruzeiro e Saboó, que proporcionam ótimas vistas da cidade e arredores, ande pelo centro e preste atenção nos predinhos antigos, na hospitalidade da gente da terra. E não vá embora sem levar consigo algumas das delícias locais, alcachofras, sucos de uva, doces, artesanato e muitos outros produtos coloniais que estão a venda, fácil, fácil, no Centro Comercial do Taboão, uma espécie de feirinha permanente e muito colorida.

Não falei que São Roque era muito mais do que vinhos?

Michele
Agradecimentos especiais à Prefeitura de São Roque ( http://www.sroque.com.br ), na pessoa do Sr. Joaquim Carlassara e a essa sorridente menina ao lado, a ginasta Michele, baliza da banda Municipal, que nos guiou em todos os passeios.

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