por Márcia Busanello Quando se fala em São Roque, município distante apenas 60 km de São Paulo pela Rodovia Castelo Branco ou pela rodovia Raposo Tavares, o que nos vem a mente, no primeiro momento, são os vinhos produzidos na região. Durante muito tempo, a cidade foi conhecida como a Terra do Vinho. Qual não foi minha surpresa ao descobrir, porém, que São Roque é uma agradabilíssima e muito bela opção de turismo, assim tão pertinho da capital. Arriscaria a dizer, até, que os vinhedos são a menor de suas atrações. São Roque foi fundada em 1657 pelo capitão paulista Pedro Vaz de Barros, mais conhecido como Vaz Guaçu. Durante muitos anos serviu como pousada para bandeirantes que seguiam o rio Tietê em busca de ouro, pedras preciosas e indígenas para escravizar. Não é de surpreender, portanto, que lá se possa ver, até hoje, prédios antigos mesclados a construções mais modernas, no centro da cidade. O município tem, atualmente, cerca de 70.000 habitantes. Pequeno roteiro das belezas Da Igreja vá conhecer a Brasital, indústria têxtil fundada em 1890, cujos prédios foram transformados em Centro Cultural e Educacional. Abriga biblioteca, brinquedoteca, sala para treinamento de ginástica olímpica, entre outras coisas. Além disso, sua arquitetura é belíssima, como também o é a área verde que a cerca. Lugar muito agradável, que rende belas fotografias e ótimos momentos de descanso. Próxima é também a Igreja de São Benedito, construída por escravos em 1855, em taipa de pilão. Algumas das imagens autênticas ainda podem ser vistas no local. Continue sua visita pela Estação Ferroviária construída em 1930 e que hoje abriga a Guarda Municipal.
Ainda tem mais
Em 1680, Fernão Paes de Barros instalou-se nas terras vizinhas às de seu irmão, Vaz Guaçu. Em sua propriedade, muitos indígenas trabalhavam cultivando trigo e produzindo diversos artigos, como marmelada, água de rosas, entre outros, alguns até exportados para Lisboa. Como era costume na época, o bandeirante construiu uma capela em sua propriedade, ao lado da casa grande (em 1681). Pouco ou quase nada se sabe sobre os artífices que a construíram e decoraram. A propriedade ficou sob domínio dos descendentes de Fernão Paes de Barros até 1868, quando começou sua decadência. O foco político e econômico do país se voltou para as regiões de mineração e de cultivo de cana de açúcar, o que acabou relegando a região em questão a segundo plano. Assim, passa de mão em mão sem que ninguém lhe dê o devido valor. Em 1937 a propriedade é descoberta pelo Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (SPHAN) e são iniciadas as obras de restauração. Em 1942, Mário de Andrade (ele mesmo, o poeta), então assistente técnico da regional paulista do SPHAN, compra o sítio e o doa definitivamente, na década de 60, para a União. Francisco Matarazzo Sobrinho (veja box) colabora com a compra e doação de outra área vizinha, bem como Flavio Favalli, o que permitiu o isolamento da área e efetivo processo de recuperação do terreno e das encostas vizinhas. O que se vê hoje em torno dos dois monumentos históricos é uma área verde extremamente aprazível e tranquila.
Para ir embora tranqüilo Não falei que São Roque era muito mais do que vinhos?
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