O Bairro da Liberdade

Imperdoável vir a São Paulo, ou morar aqui, e não conhecer o Bairro da Liberdade.

clique para ampliarLocalizado no centro da cidade e com uma estação de metrô em seu coração, o bairro é um dos mais típicos da capital paulistana. Ele já existia quando começou a imigração japonesa, mas era em suas ruas que os colonos saídos das fazendas se estabeleciam.

A ilusão de que o Brasil era o país das maravilhas chegava ao fim para os lavradores japoneses. O dinheiro ganho com a desgastante jornada diária de 12 horas de trabalho não era suficiente para pagar os gastos com a alimentação e com a dívida da viagem. As condições de moradia e o tratamento que recebiam dos donos das fazendas também não eram o esperado. Cansados das más condições e em busca de novas oportunidades, os trabalhadores saíram das lavouras para conquistar seu próprio negócio.

Na capital, passaram a residir na Rua Conde de Sarzedas, no bairro da Liberdade. Com o tempo, a rua, que os atraía devido aos baixos preços dos aluguéis e à facilidade de locomoção para a região central e para o trabalho, tornou-se o ponto de referência dos imigrantes do Japão, ficando conhecida como a rua dos japoneses.

As tarefas que tinham aprendido na lavoura e a criatividade típica de japonês desencadearam a atividade de comércio naquele ponto. Surgiram colônias agrícolas, escolas, jornais, fábricas, hospedarias, lojas e até agências de empregos voltadas à comunidade japonesa. Em pouco tempo, mais de 600 imigrantes residiam na rua dos japoneses e redondezas, como as Ruas Irmã Simpliciana, Tabatinguera, Conde do Pinhal, Conselheiro Furtado, Tomás de Lima e Estudantes.

A inauguração do Cine Niterói - prédio de cinco andares, com salão, restaurante, hotel e sala de projeção, onde eram exibidos filmes japoneses, em 1953, na Rua Galvão Bueno, representava um cantinho do Japão e o marco da arquitetura japonesa, onde semanalmente os imigrantes se reuniam para se divertir e matar a saudade.

Anos depois, a construção do metrô obrigou o Cine a mudar de endereço. Alguns pontos comerciais também foram obrigados a mudar ou desaparecer. Isto não foi o suficiente, porém, para descaracterizar o bairro. Ainda é possível encontrar os toques Clique para ampliarda decoração oriental. As famosas lanternas suzurantô, espalhadas por quase todas as ruas do bairro, são um bom exemplo da preservação da cultura japonesa.

Inúmeros são os restaurantes que servem as delícias da comida oriental. Na Liberdade, além da comida japonesa é possível também encontrar comida coreana e chinesa. Você também vai encontrar lojas e mais lojas de artigos orientais e poderá ser atendido em um português bem arrastado por algumas pessoas. Clique para ampliarAlém disso, aos domingos há uma feira de artesanato e comida cheia de novidades e quinquilharias as mais variadas, de bonsais a roupas indianas, passando por tempuras e sashimis. Conheça também o Museu da Imigração Japonesa, que vale a pena. É só tomar o metrô em qualquer estação e descer na Liberdade. Esqueça que está no Brasil e mergulhe fundo no clima oriental do bairro. É uma viagem e tanto.

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