Antes só do que mal-acompanhado
Viajar sozinho é um programa divertido
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Cristina Massari, Leticia Helena e Mônica Pereira, Agência O Globo

Viajar sozinho é mais do que uma aventura. É descobrir diversão por conta própria e com os amigos feitos pelo caminho. Tem gente que viaja desacompanhado por opção e é um turista feliz por natureza, com a liberdade de escolher onde ir e o que fazer. Há também as pessoas que tentam ganhar uma companhia, mas cujas investidas são em vão. Desistir? Nem pensar. As excursões estão aí para quem quer passar alguns dias com um punhado de novos amigos, que na volta encherão sua caixa de correio, ou seu endereço eletrônico, de mensagens com recordações alegres. Há programas para todos os gostos. A começar pelos cruzeiros single, onde uma pulseira distribuída aos solteiros logo no embarque ajuda o cupido a fazer o seu trabalho em alto-mar. Mas a paquera também pode rolar solta em terra firme, numa viagem a Porto Seguro ou Blumenau (durante a Oktoberfest). Quem sabe num passeio em Cancún ou Nova York? Estes são os destinos preferidos, segundo as agências. Se você não estiver buscando sua cara metade, pelo menos vai encontrar diversão garantida.

Tem gente que nem se incomoda em pagar mais para ficar sozinho. É que os hotéis cobram mais por apartamentos single, o que acaba aumentando um pouquinho o valor do pacote. No Brasil, a diferença às vezes gira em torno de R$ 200. No exterior, pode ser de US$ 300 ou mais.

Do embarque solitário a mascote do grupo

Por Mônica Pereira

Nas últimas férias, descobri que quem tem boca realmente vai a Roma e volta com amigos e histórias para contar. Embarquei sabendo que voaria sozinha e só encontraria o grupo na Europa. Nos hotéis, ninguém carregaria as malas - avisaram-me ao comprar o pacote. Sabendo que agüentaria o peso sozinha, evitei quinquilharias.

Encontrei o grupo no salão do hotel. Todos simpáticos, nenhum brasileiro - apenas mexicanos, uruguaios, chilenos e argentinos - e todos interessados em saber quem era a moça sozinha. Já saí dali como a mais popular do grupo.

No meio da viagem, o grupo aumentou. O ônibus passou a andar lotado e eu estava confortável: não havia ninguém no banco ao lado. Também não corria o risco de me esquecerem. Antes que o guia iniciasse a contagem dos passageiros para ver se estavam todos a bordo, alguém sempre gritava: falta a Mônica. Era o preço da popularidade.

De manhã, não me atrasava. Era uma das primeiras a tomar café. Enquanto isso, todo dia uma família chegava esbaforida porque alguém demorou demais no banho atrasando o resto.

O motorista do ônibus, sempre prestativo, passou a carregar a minha mala do ônibus até o hall de cada hotel. Privilégio só meu.

Em todas as refeições, alguém me convidava para sentar à mesa. Cada dia uma companhia diferente. Certo dia, num restaurante de Veneza, um casal de portugueses comemorava com o genro o aniversário da filha. Fui a única a ganhar uma fatia de bolo e a brindar com champanhe.

Capuccinos? Tomei vários de graça.

Se alguém queria conhecer algum lugar fora do roteiro, eu sempre era convidada. Também não tive problema com as fotografias. Quem viaja sozinho acaba aparecendo pouco no próprio álbum de viagem porque não tem quem tire suas fotos. Num grupo, há sempre uma alma caridosa.

Na hora das compras, preferia sair por minha conta. Em excursão, o tempo é precioso e, sozinha, as compras acabam sendo bem mais rápidas. O único inconveniente é não ter ninguém para dar opinião.

Manual de Sobrevivência

Mala: Seja muito seletivo na arrumação. Você vai carregá-la sozinho.
Perca a timidez: Não fique envergonhado quando no encontro do grupo todos olharem para você. Estarão admirando sua coragem de viajar só. Vão querer saber o motivo. Prepare-se para contar a história várias vezes.
Compras: Se você não for do tipo que precisa de outra opinião quando quer comprar algo, vá sozinho. Terá mais chances de pechinchar e de descobrir lojas interessantes.
Câmbio: Troque dinheiro junto com todo mundo. Assim, você não ficará como o único chato a atrasar o grupo.
Fotografia: Depois de ficar conhecido, alguém do grupo sempre vai se oferecer a ajudá-lo. E você vai aparecer no álbum de todo mundo também.

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