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Convite
(*) Diorindo Lopes Júnior
Creio
que a maioria dos pacientes leitores que me dispensam (e me honram com)
um pouco de atenção em todo esse meu Brasilzão,
sabe que São Paulo comemorará 450 anos no próximo
25 de janeiro. Muitas pequenas festividades já estão ocorrendo,
mas outras festanças bem maiores acontecerão por todo
o ano de 2004. Dizem, os mais eufóricos, que as comemorações
serão maiores do que a 4º Centenário. Não
sei se a senhora dona prefeita, que administra a cidade, assina embaixo,
mas eu aposto que sim.
Não nasci aqui, sou de Bauru, mas aqui vivo há praticamente
27 anos, mais que o dobro de minha idade, 46 verões, comemorados
também em janeiro. Hoje, sinto-me mais paulistano do que bauruense,
criei raízes aqui. Não que despreze Bauru, mas...
Uma relação de amor, tapas e beijos, mais de beijos
que de tapas - no meu caso. Começo complicado, mas, antes mesmo
do final do primeiro ano, eu já havia me decidido a aqui plantar
o meu futuro. Ao menos por enquanto, vem dando certo.
Não conheço outra metrópole tão criticada
como esta e penso que se todos os que a xingam fossem morar em outro
canto e serem felizes, certamente minha cidade teria mais amor e vida.
"Selva de pedra", dizem. "túmulo do samba",
equivocou-se Vinícius de Morais. "horizonte de asfalto",
"praia de concreto", "floresta de cinzas" e outras
definições menos elogiosas. São Paulo pode ser
isso tudo e muito mais. É violenta também, como qualquer
conglomerado urbano ou tocaia rural, tem um trânsito horroroso,
mas pelo menos bem sinalizado. Cobra um ISS, na minha opinião,
extorsivo e enfrenta problemas estruturais dimensionalmente maiores
que qualquer cidade no país.
Em São Paulo, trabalha-se e sua-se muito - não é
lenda, não. Mas sempre dá-se um jeito de algumas escapadelas
para uns chopes, cinema, restaurante, teatro, futebol, show, museu,
passeio num parque. Não faltam opções de cultura
e lazer, come-se muito bem (embora eu pense que o melhor prato é
saboreado em sua origem), a variedade de idiomas - mundiais e regionais
- falados aqui a faz mais brilhante. Não é à
toa que possui a maior concentração de nordestinos do
país, entre os quais muitos de meus amigos.
Pensando agora, creio que (ainda) só não conheço
pessoalmente, de apertar a mão e abraçar, gente do Acre,
Roraima e Tocantins. Virtualmente, troco opiniões com pessoas
de todos os Estados - com as quais continuo o meu aprendizado de vida.
Mais que manifestar este meu gostar por São Paulo, o motivo
dessas linhas é convidar o Brasil para conhecer minha cidade.
Sugiro um final de semana prolongado. Vazios nesses dias, os hotéis
reduzem seus preços a muito menos da metade.
Venham. Prometo que São Paulo os/as receberá de braços
abertos.
(*) Diorindo Lopes Júnior (diorindo@uol.com.br)
é jornalista e autor de O Sol em Capricórnio (www.saraiva.com.br)
e Cesta de 3 (www.aliseditora.com.br)
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