Um homem precisa viajar...

“Um homem precisa viajar. Por sua conta, não por meio de histórias, imagens, livros ou TV. Precisa viajar por si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu. Para um dia plantar as suas próprias árvores e dar-lhes valor. Conhecer o frio para desfrutar o calor. E o oposto. Sentir a distância e o desabrigo para estar bem sob o próprio teto. Um homem precisa viajar para lugares que não conhece para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como o imaginamos, e não simplesmente como é ou pode ser. Que nos faz professores e doutores do que não vimos, quando deveríamos ser alunos, e simplesmente ir ver”

Amir Klink

Mas como nem sempre é possível colocar o pé na estrada, continuamos a descobrir o mundo por meio de fotos e histórias de passeios alheios, como é o caso da viagem à Itália feita pela colega de trabalho, Rosana.
Embarquem nesse relato ilustrado feito por ela e anotem as dicas sobre a Itália.


Parte 1

Por Rosana Ferreira

Itália – de 30 de Maio a 17 de Junho

Esse ano realizei um grande sonho: conhecer a Itália. Fiquei 19 dias por lá e resumidamente o que posso dizer é: cidades, pessoas e culinária são absolutamente fantásticos! Fui super bem tratata e até mimada.

Meu voo saiu de São Paulo direto para Milão (12 horas de voo). Do Aeroporto de Malpensa peguei um ônibus para a estação de trem Milano-Centrale e de lá um trem para Verona, onde um amigo italiano estava me esperando.

Nas minhas aulas de italiano eu sempre me confundia com o verbo “guardar”, que significa olhar. Depois de 30 minutos de passeio descobri o porquê: somente os olhos “guardam” tamanha beleza, que é absolutamente impossível de se capturar. Tentei por diversas vezes fotografar aquela luz... Sem contar o cheiro maravilhoso das ruas, pois era primavera e havia flores por todos os lados.

Estive em 13 cidades e vou tentar falar resumidamente de cada uma delas (clique no mapa para ampliar a imagem):

 





Verona
– é uma cidade pequena e muito simpática. Havia um evento importante de ciclismo lá e as ruas estavam cheias! Os principais pontos turísticos são a Arena di Verona, onde são encenados os grandes espetáculos de ópera na Itália, e o Beco da Julieta, que segundo a lenda, era onde vivia Julieta, famosa personagem do romance de Sheakspeare - as paredes são cobertas de bilhetinhos de amor dos enamorados.

Lago di Garda – o adjetivo mais adequado para o lago é “estonteante”. É um lago imenso, cercado por cidadezinhas. No final da tarde as pessoas se reunem nos bares para tomar a famosa bebida local, o “spritz” (particularmente achei um pouco amargo) observando o sol se pôr no lago. Tive a impressão de que as pessoas de lá são mais felizes.

Foto: Rosana FerreiraVenezia (Veneza em português) – é realmente linda, e nessa época do ano (primavera) a água não exala nenhum cheiro ruim.
Achei a Piazza San Marcos e a Ponte Rialto meio caóticos: turistas por todos os lados, sujeira e mal cheiro nas ruas, por causa da quantidade de pessoas que nem sempre são civilizadas. Graças a dica de um amigo, fui para um bairro mais tranquilo: Dorsoduro, onde ali sim, pude desfrutar da beleza que é Veneza: ruas limpas, sossegadas e cheirosas. Conheci também a ilha de Murano, famosa pelas suas fábricas de vidro e cristais, além de um ótimo local para passear e aprender um pouco sobre a fabricação de obras de arte em vidro. Não deixe de curtir a noite veneziana, a cidade fica linda e os bares cheios de gente bonita e animada.

Firenze (Florença em português) – pode-se dizer que é o centro cultural da Itália, onde ficam os melhores museus e importantes obras de arte, foi uma das minhas favoritas. As pessoas são bonitas, elegantes, as lojas das melhores grifes do mundo estão todas lá. É cortada pelo Rio Arno, tem muito verde, aliás, a região da Toscana tem essa característica: verde para todos os lados e sensação de ar puro.

Foto: Rosana FerreiraChianti – região produtora do famoso vinho com o mesmo nome, as paisagens são de tirar o fôlego e o vinho merece a fama que tem. Fiz um passeio com direito a degustação e jantar.

 

 

Siena – cidade classificada pela Unesco como patrimônio histórico. Eu particularmente não gostei de lá, e toda vez que digo isso as pessoas me olham como se eu estivesse dizendo uma heresia. O problema está no grande número de turistas, como em todas as cidades italianas, mas por ser muito pequena as pessoas acabam se aglomerando.

Pisa – de interessante só tem a Torre mesmo, duas horas pela cidade são mais que suficientes.

Foto: Rosana FerreiraLucca - é o meu amor italiano, fiquei completamente apaixonada por essa cidadezinha onde nasceu Giacomo Puccini, o famoso compositor de óperas. Viver lá deve mesmo dar muita inspiração. A cidade é toda cercada por um muro e sobre ele existe um belo jardim, onde as pessoas vão passear no final da tarde.




Roma
– grande e caótica, como São Paulo sem os arranha-céus. Os metrôs e ônibus são lotados, muito trânsito, mas belíssima! Há lindos monumentos por toda parte, o interior das igrejas são majestosos.
A Cidade do Vaticano fica cravada no centro de Roma, você está andando, atravessa a rua e dá de cara com os muros do Vaticano. A capela Sistina é impressionante e infelizmente não pode ser fotografada, faz valer as horas de fila que você enfrenta para entrar no Museu. Não deixe de visitar a Basilica San Clemente, existem escavações com gravuras de 70 anos a.C.

Perugia – muito verde e ar puro, e de novo, essa cidade universitária fica em meio às montanhas, por isso exige bastante preparo físico para as ínúmeras escadas, subidas e descidas. Mesmo no calor, essa região (Umbria) costuma ser mais fresca.

Foto: Rosana FerreiraLivorno – é uma das praias da região de Toscana, muito bonita e agradável, mas não possui faixa de areia e as pessoas tomam sol e banho de mar sobre as pedras.

Assisi – cidade onde nasceu São Francisco de Assis e Santa Clara, mas se você não é devoto do santo, ficará depois de conhecer esse local que respira a sua história. Todas as casas em Assisi são construídas em pedras, tem-se a sensação de ter feito uma viagem no tempo. No alto da montanha existe um castelo medieval Rocca Maggiore, de onde é possível observar toda a cidade, campos e montanhas da região.

Castiglione del Lago – é simplesmente arrebatadora, fica à beira do Lago Trasimeno e como a cidade fica no alto, tem-se a vista do lago em todos os lados. A cidade é bem pequenina, todo o comércio fecha para o almoço, das 14h às 16h.

Os italianos são absolutamente receptivos e calorosos, e quando você diz que é brasileiro, só falta eles te carregarem no colo! Falar italiano ajuda bastante, ficam tão felizes quando você tenta falar a língua deles que não medem esforços para entenderem e serem entendidos. Nas grandes cidades é possível falar inglês e espanhol, mas nas cidades pequeninas é bom pelo menos saber o básico de italiano para entender e pedir informações. A língua portuguesa mesmo ninguém sabe, ninguém viu: eles pensam que falamos espanhol no Brasil.

As ruas e cidades geralmente são muito limpas, as pessoas educadas e bonitas. Antes de ir para lá me disseram para ter cuidado porque os homens italianos eram um pouco atrevidos com mulheres brasileiras... Eles são galanteadores, mas de uma forma bastante respeitosa. O elogio que mais ouvi é que meus olhos eram lindos - não sei se é alguma cantada barata do tipo "não te conheço de algum lugar?" ou se realmente aquelas pessoas, donas de olhos azuis estonteantes, achavam mesmo bonitos meus olhos castanhos.

É gostoso caminhar pelas ruas, olhando para tudo boquiaberta, com a máquina fotográfica no bolso, sem medo de ser assaltada. E também não há vigilância sufocante, as pessoas confiam que você vai pagar o ônibus e o trem, porque, sim, não tem ninguém monitorando para saber se você realmente o fez.

Foto: Rosana FerreiraComer e beber bem é muito barato por lá, uma taça de um bom vinho sai por menos que um refrigerante e é possível saborear um prato de massa com ingredientes sofisticados por 7 euros. Um pedação de pizza (fantástica) + uma taça de vinho sai por 3 ou 4 euros. O gelato (sorvete) italiano é a melhor coisa que já provei na vida!

Foto: Rosana FerreiraSe alguma pessoa te disser que a pizza italiana não é boa ou que a de São Paulo é melhor, processe-a por calúnia e difamação! Não tem como uma boa massa, fina e crocante, coberta por molho e ingredientes de primeira qualidade ser ruim. A variedade de recheios é grande e a mozzarela de Buffala é diferente de tudo o que você já vi com este nome aqui no Brasil.



Quer ver mais fotos da viagem? Acesse nossa galeria.

Na próxima matéria, dicas de viagem - desde a preparação, até o que fazer ou não quando estiver em solo italiano!


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