Zumbi dos Palmares é destaque de Alagoas para a preservação da Consciência Negra

No dia 20 de novembro, aniversário da morte de Zumbi dos Palmares, os brasileiros passaram a comemorar, desde o ano passado, o Dia da Consciência Negra. No turismo, vale uma visita à cidade que foi palco das conquistas deste personagem lendário.

O estado de Alagoas, situado à leste do Nordeste do Brasil, além de ser cenário de uma beleza exorbitante, palco de belíssimas praias, possuir uma excelente culinária e um artesanato diferenciado, também possui uma história de suma importância para a população negra do país.

A invasão holandesa do estado, começada em 1630, deu motivo para que se iniciasse uma luta pela ocupação da Capitania, já então rica devido à prosperidade dos engenhos da cana-de-açúcar. O desejo de viver livremente atraía os escravos para as montanhas alagoanas. Os escravos, então, fundaram, no séc XVII, uma cidade chamada República dos Palmares, que acabou se transformando no mais importante Quilombo no Brasil. O nome Quilombo dos Palmares vem da palavra palmas, pela abundância desta vegetação que cobria uma enorme área de mata virgem, indo do Rio São Francisco (Alagoas) ao sertão do Cabo de Santo Agostinho (Pernambuco).

Porém, diferente do que se pensa, não houve apenas um Quilombo dos Palmares, restrito à Serra da Barriga. O Quilombo dos Palmares era formado por vários "mocambos", palavra da língua quimbundo que significa pequenas e médias cidadelas.

Palmares era uma ameaça constante aos interesses dos proprietários de terra e ao governo holandês. Totalmente organizados, os negros chegavam a comercializar até com portugueses e brasileiros, trocando seus produtos agrícolas por armas, pólvora e sal. Já que o poder militar colonial era impotente para reprimir ou destroçá-los, muitos senhores e autoridades preferiam estabelecer com eles um pacto pacífico, o que poupava os engenhos e povoações de saques e incêndios periódicos. Esse pacto não aconteceu como o governo e os proprietários de terra esperavam. O Quilombo foi destruído em 1690, após longa resistência de Zumbi dos Palmares, o principal símbolo da luta e resistência do povo negro no Brasil.

Zumbi nasceu em Alagoas (1655-1695) e adotou esse nome quando passou a liderar essa luta contra a escravidão. Zumbi, na língua afro, quer dizer guerreiro. Liderando uma guerra civil contra os portugueses, Zumbi ficou cerca de 14 anos numa intensa batalha até que, numa emboscada, foi morto. Sua cabeça foi decepada e enviada ao Recife, onde foi exposta em praça pública para servir de exemplo a outros negros que quisessem rebelar-se contra o sistema escravocrata. A tarefa de extermínio coube a Domingos Jorge Velho, bandeirante, caçador de índios e negros.

Zumbi morreu no dia 20 de novembro, ficando conhecido como o grande líder da "primeira república verdadeiramente livre das Américas". Até hoje, a data é comemorada em todo o Brasil, com comemorações que relembram a sua coragem, força e fé. Agora o acontecimento tornou-se motivo de feriado em vários estados do Brasil, não só em Alagoas. Em São Paulo, a Câmara Municipal aprovou, no dia 27 de novembro de 2003, um projeto lei estabelecendo feriado no dia 20 de novembro, o Dia Nacional da Consciência Negra.

O combate aos quilombos durou quase todo o século XVI, continuando algum tempo após a morte de Zumbi. Tanto os holandeses como os luso-brasileiros se empenharam em sua destruição, pois Palmares representava uma ameaça ao que o sistema dominante possuía de mais essencial: a escravidão, ligada à produção de açúcar.

Vila Cenográfica

Erguida numa área de 10 hectares, a Vila Cenográfica Zumbi dos Palmares, situada próxima a Serra da Barriga, conta com muralhas e pórticos construídos de forma artesanal, com base na arquitetura africana e no cotidiano da vida do Quilombo.
Esse projeto recria um espaço ao pé da serra onde a dança, a música, os costumes e a palavra retratam o ideal imortal de Zumbi dos Palmares: a liberdade. A reconstituição dos mocambos dos Palmares transformou a Vila cenográfica no primeiro Museu Vivo do Brasil.

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