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Música
na Igreja de São Bento. Não perca!

A
9.ª edição do Festival Internacional São
Bento de Órgão, que acontece de 29 de outubro
a 17 de dezembro, homenageia os 100 anos do compositor e organista francês
Maurice Duruflé (1902-1986).
Realizado pela Associação
Viva o Centro, o festival tem lugar na belíssima Igreja de São
Bento e faz parte do programa de revitalização do centro
da cidade. Para quem ainda não conhece a igreja, vale a pena
conhecer. Construída no século XVI, originalmente com
o nome de Nossa Senhora do Mont Serrat (santa espanhola), só
em 1600 se transformou no Mosteiro de São Bento.
A igreja original
era de taipa, técnica de construção típica
de São Paulo colonial, feita de barro socado. Em meados do século
XVII, o bandeirante Fernão Dias fez uma doação
considerável em dinheiro para reforma da igreja, com a condição
de que ele e a esposa lá ficassem enterrados perpetuamente (como,
de fato, estão até hoje). Era costume na época,
enterrar as pessoas mais importantes dentro das igrejas, uma vez que
não havia cemitérios públicos leigos.
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Com a crescente importação
de novos materiais e o crescimento de São Paulo, no final do século
XIX, início do século XX, todas as
igrejas da cidade começaram a ser reformuladas, ou melhor, praticamente
demolidas e reconstruídas. Não foi diferente com o mosteiro
e sua igreja, que ganharam projeto de um arquiteto belga, com vitrais
belgas, belíssimos, aliás. O projeto arquitetônico
atual não guarda vestígios do original colonial.
Outro detalhe importante
é a biblioteca do mosteiro, que é um verdadeiro tesouro,
pois a cultura, durante séculos, esteve nas mãos dos monges.
Especialmente a ordem dos beneditinos, uma ordem religiosa que pode
ser considerada rica, se caracteriza por bibliotecas bem mantidas e
bem organizadas. Infelizmente o acesso a ela é restrito. Há
ainda, os famosos pães, de vários sabores, salgados, doces,
bolos e licores, comercializados em uma pequena loja anexa à
igreja.
Quem
quiser ouvir os recitais, anote: duram aproximadamente 1h e acontecem
todas as terças-feiras, às 20h. Mas chegue cedo e aprecie
a igreja, mais encantadora ainda com a luz de fim de tarde. Quer uma
dica? Vá de metrô (estação São Bento),
para não se estressar no trânsito, sente-se no Café
Girondino, no largo São Bento, tome um capuccino e aprecie a
região que, no século XIX, foi uma das mais refinadas
da cidade. Você vai descobrir que o centro de São Paulo
guarda mais belezas do que costumamos lembrar.
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