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Dólares
turísticos (*) Diorindo Lopes Júnior Não imagino o que pensa o leitor quando vê nossas autoridades monetárias nacionais de mãos estendidas, implorando alguns trocados dolarizados para equilibrar as contas. Particularmente, eu me envergonho muito. Nesta última vez, dizem, foi para abrir linhas de crédito para fomentar exportações. Não faz muito tempo, houve o lançamento de um programa para incrementar as mesmas, não tenho idéia de como está andando, se é que está. Entendo que produtores agropecuários e empresariais e de todos os setores, devam ser incentivados a exportar cada vez mais, são verdinhas necessárias para bancar o nosso desenvolvimento, mas o processo é muito complicado, papelada demais da conta, uma politicalha danada. Se exportar é o que importa, a sensação que me passa é que essa gente produtiva fica irada com tantas pedras no caminho. Se a intenção é atrair dólares não especulativos, por que não cortar caminho? Falo de turismo. Leio nas folhas que até o final de 2003 cerca de 100 novos hotéis irão se incorporar aos quase 20 mil pontos de hospedagem já existentes. Parte deles são de acomodações mais simples, sem sofisticações, empregarão menos pessoas (mas empregarão) e oferecerão menos serviços. Serão, portanto, mais baratos e isso pode incentivar o turismo interno - brasileiro adora viajar, passearia o ano todo se não lhe custasse caro. Isso não impede que o turista internacional também se utilize dessas mesmas e simples acomodações. Supondo que, além da hospedagem e despesas de viagem, cada turista internacional gaste apenas 100 dólares (na verdade, costumam gastar mais) comendo e bebendo, comprando artesanato e se divertindo, podemos intuir 10 dólares a mais, em média, na vida de 10 pessoas. Com a carga tributária extorsiva (o "leão" da Receita chega a babar bovinamente quando anuncia novo recorde na arrecadação), o governo papará pelo menos um terço deste volume girado na economia, sem esforço. Como na música cantada por Milton Nascimento, o Brasil não é só litoral (nele, litoral, estamos até que bem servidos), seu interior apresenta preciosidades ainda muito pouco exploradas. Vejo pífias as tentativas governamentais em apresentar nosso país a outros continentes: praias belíssimas, mulheres desnudas, futebol e carnaval. E os rios? E as cachoeiras? E os lagos? E as matas, as montanhas? O Cerrado? Os manguezais? A pesca? O Sertão? A Cultura? A Biodiversidade? Soja, gado, frangos, porcos, frutas e legumes, o que da produção dura e diária puder ser exportado tem de ser mesmo, incentivado em muito, eliminando burocracias que beneficiam poucos, os poucos de sempre. Agora, não explorar sabiamente o potencial que a natureza nos ofereceu de graça, é muita burrice. Se exportar alimentos e bens industrializados é necessário, e é, atrair dólares turísticos sem burocracias é um atenuante que, de saída, oferece muitos empregos, direta ou indiretamente. Fomentar esta alternativa, pelo menos oferecendo saneamento básico, é o mínimo que governos gananciosos podem e devem proporcionar. O resto, a gente se vira e faz, divulga, recebe, amplia, melhora, e hospeda quem quiser conhecer nossa riqueza natural. Só queremos que não nos atrapalhem. Turista bem-recebido é turista que volta e ainda recomenda outros, no boca-a-boca. (*) Diorindo Lopes Júnior (diorindo@uol.com.br ou candeias@ajato.com.br ) é jornalista |
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