Chapada
Diamantina - turismo ecológico e beleza ímpar

Como
ir sozinho ou com pacote turístico |
Dicas |
Em ano de turismo
ecológico, os roteiros tidos como alternativos ganham destaque
e nós acabamos deslumbrados por lugares que nunca havíamos
imaginado. A explosão deste tipo de atividade turística
acaba transformando as viagens que antes eram só para aventureiros
mais intrépidos, em roteiros mais acessíveis, com infra-estrutura
bem montada para receber o mais exigente dos turistas.
Um exemplo disto
é a Chapada Diamantina. Até alguns anos atrás
era o tipo de viagem off road; hoje, a principal de suas cidades,
Lençóis, abriga bons hotéis e pousadas e tem
praticamente tudo de que um viajante pode precisar. Lá, quem
se aventura pode encontrar muita coisa - trekking, rapel, mergulho,
montanhas, cachoeiras, cavernas. E uma gente hospitaleira demais,
que trata muitíssimo bem seus visitantes.
A
Chapada está localizada no coração geográfico
da Bahia. É composta por 57 municípios, que estão
aos poucos se organizando em torno do turismo. O Parque Nacional da
Chapada Diamantina, criado em 1985, tem algo em torno de 1.520km2
de extensão e ajuda a preservar a flora e a fauna da região,
muito agredidas na época do garimpo. Quem pensa que estará
indo para a Bahia do mesmo que jeito que o faz quem vai a Porto Seguro
ou a Salvador, engana-se, e não só pela geografia. A
Chapada prefere o forró ao axé. A comida lembra mais
os sabores mineiros, galinhada, vaca atolada, tutu de feijão,
carne de sol e um refogado preparado com uma palma típica da
região, delicioso. Nada que cause estranhamento, se lembrarmos
que os mineiros foram os principais responsáveis pela expansão
do garimpo naquela região. E como não poderia deixar
de ser, vamos falar um pouco do garimpo.
Tudo começou
no século XVII, quando foi descoberto ouro na Serra do Tombado.
Surgiram, então, as vilas de Rio das Contas e Jacobina. Quando
o ouro se esgotou, apareceram as pedras preciosas na Serra do Sincorá
e, junto com o garimpo, delas nasceram três outras cidades -
Mucugê, Andaraí e Lençóis. Esta última,
aliás, leva este curioso nome por causa das tendas dos garimpeiros,
na beira dos rios, que lembravam lençóis estendidos.
Casas começaram a ser construídas em taipa ou adobe.
Em alguns lugares não havia barro suficiente e as casas foram
feitas de pedra, dando origem à vila de Igatu.
Todo
tipo de gente correu à procura de ouro e pedras preciosas,
de simples aventureiros a homens do campo, donos de escravos, prostitutas,
todos atrás da riqueza aparentemente fácil e abundante
nos leitos dos rios. O ciclo do diamante durou mais ou menos 25 anos
e após ele a região conheceu um período de pobreza
e decadência. A recuperação, bastante recente,
está ligada à agricultura e, principalmente, ao turismo.
Lençóis, que já havia sido a capital do diamante,
foi tombada pelo Patrimônio Histórico e Artístico
Nacional, seu casario foi restaurado e está lá, à
espera do olhar atento dos viajantes buscando recuperar, curiosos,
um pouco da história da região.
As
atrações naturais, o que dizer delas? As imagens falam
por si. Há muito para conhecer. Do alto do Morro do Pai Inácio,
por exemplo, descortina-se uma vista inacreditável. O Poço
Encantado possui águas tão transparentes que, quando
os raios de sol entram na caverna, é possível ver as
rochas a 30m de profundidade. Há as inúmeras cachoeiras
do rio Lençóis, a Cachoeira da Fumaça, cujas
águas, segundo os ditos locais, correm para cima (o vento que
sopra no vale às vezes é tão forte que joga a
água para cima), o Ribeirão do Meio, com um tobogã
natural à disposição de quem quiser se divertir.
Tudo, na Chapada, está lá para quem quiser se divertir.
Mas não se esqueça de preservar a natureza, até
porque muitas outras pessoas vão visitá-la depois de
você. De resto, as fotos dizem mais do que qualquer palavra.
Como
ir sozinho ou com pacote turístico
Se você quer conhecer a Chapada sem ter de se preocupar com
nada, o melhor a fazer é contratar um pacote que lhe dê
passagem aérea (vôo fretado), hotel, alimentação
e alguns passeios mais importantes. Se estiver em São Paulo,
tente a operadora de turismo MultiStar.
Um pacote de oito dias em apartamento duplo, hotel três estrelas,
com café da manhã e passeios todos os dias custa em
média R$ 1.192,00. As saídas são sempre aos
domingos (e também aos sábados, na alta temporada
- janeiro e julho).
Maiores informações pelo e-mail multistartour@multistartour.com.br
ou pelo telefone (11)3845.5727.
Se
você quer se aventurar sozinho, também é tranqüilo.
Na cidade de Lençóis, muitos nativos transformaram
suas casas em pequenas pousadas familiares que, embora simples,
são bastante agradáveis e econômicas - uma diária
gira em torno de R$20,00. Na hora dos passeios (muitos não
podem ser feitos a pé e sempre é necessário
um guia) também não há dificuldade alguma,
pois há muitas agências de ecoturismo na cidade.
Partindo
de São Paulo, há vôos para Lençóis
com conexão em Salvador. Se preferir ir de ônibus,
do terminal Tietê há uma linha para Seabra, cidade
próxima a Lençóis.
Para ir de carro,
o acesso à região se dá pela BR 242 (não
vá sem um bom guia rodoviário).