Carnaval em Monte Verde

Por Márcia Busanello

Sou muito suspeita para falar, mas, ainda assim, vamos lá. A primeira vez que fui à Monte Verde, MG, fazia frio, muito frio. Fiquei hospedada em um chalé simples e extremamente aconchegante, em meio a um bosque cheio, reparem bem, de esquilos que vinham comer os amendoins que jogávamos pela janela do quarto. No meio deste bosque havia um riachinho cujas águas murmuravam suavemente. A dona da casa tinha uma cachorra linda e brincalhona, que logo ficou minha amiga e me levava para passear pela vizinhança. Lembro-me bem que havia um destes grupos de música andina tocando no centrinho da vila. Acontece que o centrinho ficava exatamente atrás do tal bosque e eu ficava sentada na beira do rio ouvindo o som daquelas flautas, que chegava até mim filtrado pelas árvores, pelo vento. Foi amor à primeira vista. No meu segundo dia de Monte Verde eu já havia decidido que queria envelhecer ali.

O Carnaval está, enfim, chegando. De repente me ocorreu que pode haver muita gente, como eu, contando os dias para descansar, fugindo da agitação da cidade. Quem está procurando por isto, deve considerar seriamente a possibilidade de ir para lá. Monte Verde é uma adorável vilazinha encravada no coração da Serra da Mantiqueira. Chega-se a ela passando por Camanducaia, na beira da rodovia Fernão Dias. É um lugar mágico, pintado com todos os tons de verde que a natureza pode criar. Com um clima bastante agradável, costuma receber muitos turistas nos meses de junho, julho e agosto, quando o frio chega para valer. Mas no verão, ela também é cheia de encantos. De dia, faz calor, pode-se subir às montanhas usando bermuda e muito filtro solar, que sol de montanha também queima, e como. À noite, a temperatura baixa, com um pouquinho de sorte o suficiente para acender a lareira e dormir devidamente aconchegado em cobertores bem macios.

Para quem é mais romântico, o lugar é um deleite. Ah, os queijos assados na lareira, regados a um bom vinho! Para quem prefere ir com a família, ou com a turma toda, há pousadas e chalés de aluguel que proporcionam todo o conforto, com cozinhas equipadas, lareira e aquecimento central. Há barzinhos com mesas na calçada, alguns com música ao vivo, de onde se pode ver a vida passar tomando uma cervejinha e petiscando alguma coisa saborosa. Quem gosta de um pouco mais de aventura também não se decepciona, pois na vila há cavalos e motos para alugar, além das inúmeras trilhas para lugares como o Pico do Selado, a Pedra Redonda e as corredeiras do Itapuá. Além disso, andar a pé pelas estradinhas de terra é compensador para os olhos atentos, pois aqui e ali se encontram cantinhos, a curva de um riacho, uma pontezinha de madeira, um jardim bem cuidado. Há também os imperdíveis esquilos do Áustria Hotel (não faltam esquilos em Monte Verde). Vivem soltos nas árvores do bosque do hotel, embora sejam domesticados e comam seus amendoins sem se importar com a presença dos olhos e das câmeras fotográficas (mesmo quem não é hóspede pode visitá-los).

Comece com um passeio pela avenida principal (a vila só tem duas ou três grandes ruas), que se chama Av. Monte Verde. Do começo ao fim dela, você vai degustando vinhos, sucos, doces mineiros e queijos, muitos queijos. Se não se cuidar, sua fome acaba ali mesmo. Mas evite isto, porque a culinária local é rica, farta e saborosa. Trutas, fondues, comida alemã, comida mineira, casas de chá e de sopas fazem a delícia dos famintos.
Não se preocupe demais com a hospedagem, pois a vila é muito bem cuidada, bem como suas pousadas e hotéis. Das mais sofisticadas às mais simples, praticamente todas têm bonitos jardins, lareira e outros pequenos detalhes charmosinhos, mesmo as mais em conta. Há também bons hotéis, com serviços mais elaborados. Em geral, Monte Verde não é um lugar caro, principalmente fora da temporada, quando os preços vão de R$40,00 a R$150,00 a diária por casal, dependendo do tipo de acomodação.

O mais importante, no entanto, é relaxar e sentir a magia do lugar. Mesmo que você não seja muito adepto à caminhadas montanha acima, passeie pelos bosques, respire aquele ar, observe as cores, ouça o barulhinho das águas dos riachos, do canto dos passarinhos, sinta os cheiros, a energia da natureza, porque, afinal, se há algum lugar onde realmente existem fadas, este lugar é Monte Verde.

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