Misterioso Marrocos

por Márcia Busanello

Uma das portas de entrada da medina de FezO Marrocos é um país fascinante. Engana-se quem imagina que ele seja um enorme deserto. Separado da Espanha pelos 16km de mar do Estreito de Gibraltar, é cortado do centro-sul ao norte pela cadeia de montanhas Atlas, que isola o Saara do resto do país e tem um clima predominantemente desértico. Chove pouco no inverno (entre janeiro e fevereiro) e a temperatura pode chegar aos 10º na costa do Mediterrâneo. O resto do ano faz sol e a temperatura chega a até 50º no deserto. A moeda do país é dirham e a religião predominante é o islamismo, embora haja também grande incidência de judeus e cristãos.

Colônia francesa até 1956, grande parte dos habitantes das cidades falam o árabe, língua oficial do país, e o francês, além de alguns dos dialetos dos berberes, habitantes originais do país. É comum encontrar pessoas de aparência européia em suas ruas, provavelmente por efeito de sua tardia independência. Suas cidades mais importantes são as cidades imperiais, Fez, Méknes, Marrakesh e Rabat, além de Casablanca, famosa pelo filme homônimo. Um roteiro turístico não pode deixar de incluir as quatro cidades imperiais. Se puder, dê uma esticadinha à Ouarzazate, porta de entrada do Saara, e conheça a magia do grande deserto.

As cidades imperiais

Ruelas estreitas da medina de FezAs cidades imperiais marroquinas tem cada uma sua cor. Fez é a cidade azul, Méknes a cidade amarela, Marrakesh a cidade vermelha e Rabat a cidade branca. As construções, nas cidades, obedecem aos tons destas cores. Cada cidade é formada por, digamos assim, três bairros - a Medina, bairro antigo, onde moram os berberes e árabes, a Melah, bairro judeu e o bairro europeu, onde, obviamente, moram a maioria dos europeus. O mais interessante de todos, claro, é a Medina. Verdadeiro labirinto, é praticamente impossível andar nele sem ajuda de um guia. A medina é toda murada e tem várias portas de entrada, as babs. Nela se encontram os mercados (souqs) e os empórios de tapetes, de especiarias, de artesanato, de alpaca e cobre, entre outras coisas. Há também as mesquitas com seus minaretes, de onde os fiéis são chamados a rezar. Inevitavelmente se é acordado às 5h das manhã pelo chamado.

Fez

CurtumeFez, a cidade azul, é a capital do artesanato. As várias portas de sua medina são decoradas por azulejos e mosaicos azuis em vários tons, e, eventualmente, verdes. É uma medina muito organizada, se isto é possível. Há regiões determinadas para cada tipo de artesanato de artefatos de latão, a lojas de roupas e um inacreditável curtume, cujo fedor insuportável pode-se sentir de longe. Dentro de tanques, os couros ficam a curtir num líquido marrom escuro. Em um canto são jogados os restos do couro dos animais, não aproveitados. São, visão e cheiro, realmente perturbadores, ainda mais quando se sai do curtume e se compra uma babouche (espécie de chinelo, com dedos cobertos), feita em couro de burro toda bordada com fios de seda Fonte diante de uma mesquita em Fezem várias cores. As ruelas estreitas são congestionadas pelo vai-vém de homens e mulheres usando a gelabha, vestimenta típica do país, uma espécie de túnica até os pés, com capuz. Nem todas as mulheres, no Marrocos, cobrem o cabelo, mesmo sendo muçulmanas.

Méknes

Méknes é a cidade amarela. De longe é possível ver os muros ocres de suas muralhas triplas, com 25 km de comprimento, 15m de altura e nove portas para acesso ao interior, construída pelo sultão Moulay Ismail.
Conta-se por lá que este sultão construiu um imenso reservatório de água, o Aguedal, só para regar os jardins reais e proporcionar lazer às suas 500 esposas. É em Méknes, também, que se localiza a mais bela bab do país, a Bab Al-Mansour.

Marrakesh

Cafe em MarrakeshEnfim, Marrakesh. É todo o mistério que se espera dela sim. Parece que até a atmosfera da cidade é meio avermelhada, como o são suas construções. Talvez o lugar que melhor resuma a cidade seja a praça Djemaa El Fna. Cedo o movimento começa e a Aguadeiro,  personagem  da praça Djemaa El Fnapraça se transforma em um imenso mercado onde se vende de tudo, de frutas a roupas; há os aguadeiros (vendedores de água), dentistas exibindo o fruto do seu trabalho (vários dentes, de todos os tamanhos), encantadores de serpentes e toda sorte de comerciantes. À noite o cenário muda, homens em grupos fumando e contando histórias, prostitutas, ainda os encantadores de serpentes, mágicos, malabaristas e acrobatas. O clima é algo inesquecível, mágico. Tão mágico quanto o mercado de tapetes. Se tiver oportunidade, não deixe de conhecer. Marrakesh é, ainda, o melhor lugar para assistir à Fantasia, show para turistas que reproduz as acrobacias de cavalos e cavaleiros berberes. Imperdível.


Rabat


Chega, então, a vez de Rabat, a cidade branca e capital do país. Nela mora a família imperial e se concentram as decisões políticas do país. Na cidade está também o Mausoléu imperial, onde está enterrado o rei Mohammed V, que levou o país à independência, em 1956. Ao lado do mausoléu está a Torre Hassan, um minarete que sobrou do que seria a maior mesquita do mundo, cujos restos resumem-se a algumas colunas e pilares, uma vez que um terremoto arrasou o local, anos atrás. O rei Hassan II, falecido em julho de 1999, era muito querido em quase todo o país e sua fotografia podia ser vista na parede da grande maioria das residências e casas de comércio. O sucessor é seu filho, Muhammad VI.

Casablanca

Mesquita Hassan IIEnfim, Casablanca, a mais moderna e ocidentalizada cidade do país. É um importante centro econômico e lá é possível encontrar até fast foods. A medina de Casablanca é possível conhecer sem ajuda de guia, pois é menor e mais organizada. Mas para os apaixonados pelo filme homônimo, infelizmente informamos que nenhuma cena foi gravada lá, tudo foi feito em estúdio. Se preferir, porém, esqueça isto e fique só com o romantismo que a lembrança evoca. Em Casablanca está a Grande Mesquita Hassan II, a única do Marrocos aberta à visitação de não muçulmanos. É uma belíssima e imponente construção branca e verde, à beira-mar.

Rosas até na comida

Apesar da aparente pobreza do país o Marrocos é o maior exportador mundial de fosfato e seu solo aparentemente árido guarda segredos só explicados pelos avançados sistemas de irrigação. O país produz, por exemplo, as mais famosas e perfumadas rosas do mundo, que entram na composição de cosméticos e da famosa água de rosas, ingrediente que perfuma oito entre dez pratos doces da região. As plantações de oliveiras também são figura fácil de ver à beira das estradas.

E por falar em culinária, a comida de lá é muito, muito saborosa. Come-se muito carneiro e frango, tudo regado por azeite. Não deixe de provar o Cuscuz Royal, completamente diferente dos brasileiros, feito com uma farinha de sêmola abundantemente umedecida pelo molho do cozimento de legumes variados, servida com tâmaras e carne, geralmente de carneiro. Atenção à pimenta, pois a comida marroquina é mais apimentada que a baiana. Além desta delícia, tente provar a Pastella, uma espécie de torta de massa folhada, meio doce, meio salgada, de sabor único. Tudo sempre acompanhado da bebida oficial do país, o chá de menta, que nunca falta, mais ainda se você estiver negociando preços com um comerciante. Aliás, negocie, pechinche muito que os descontos podem chegar a até 60%. Tente ter contato com algumas tribos do deserto que aparecem nos arredores das cidades para negociar camelos e outras coisas. Vale a pena.

Regras básicas

Por fim, valem algumas recomendações para quem pretende conhecer tão exótico país. A melhor época para conhecer o país é entre setembro e novembro, quando as temperaturas são mais amenas. Ainda assim faz muito calor. Se for mulher, não use saias curtas, bermudas, blusas de alcinha ou decotadas ou ainda calças justas. O ideal são vestidos soltos de mangas curtas e tecidos leves (não transparentes), principalmente se for no verão, ou ainda camisetas e calças soltas. Se for homem, evite camisetas tipo regata e bermudas curtas. Não se esqueça que vai andar muito, até porque não entram carros nas medinas, portanto, use sapatos ou tênis confortáveis. Informe-se sobre a cultura, a história e os hábitos para aproveitar melhor as coisas que irá conhecer e não ter problemas. Para isto, lá vão algumas dicas de sites nos quais há bastante informação. Comece a viagem e divirta-se.

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