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Rubimir Mojano De Sydney
Faltando pouco mais de 30 dias para o início do evento, era comum se pensar que a cidade está a todo vapor, que não se falava em outro assunto, que o entusiasmo era geral. Em parte, isso era verdade, mas a ansiedade era maior que o entusiasmo. Era como aquela festa que você planejou durante meses, calculou o número de convidados uma centena de vezes, a verba outra centena, mandou fazer os convites, alugou o salão, contratou o buffet e então, faltando pouco para o grande dia, você estava exausto e ainda tinha de encher os balões. Isso era o que se pode notar pelas ruas da cidade. Era geral nos cerca de 3,5 milhões de habitantes de Sydney, a despeito do orgulho de ver a cidade pronta para os jogos após oito anos convivendo com canteiros de obras e máquinas, a preocupação com as condições do tráfego, a superlotação no transporte público e com a segurança. Havia aqueles que reclamavam do preço dos ingressos (que realmente não são a pechincha do ano). Sentimento típico de quem estava a véspera de receber milhões de visitantes e se tornar a atenção do mundo. Afinal de contas, os australianos são apaixonados por esporte. A verdade é que o projeto Sydney 2000 trouxe inúmeros benefícios. Além das melhorias óbvias como repavimentação de ruas, reforma de praças e parques, as Olimpíadas contribuiram para a redução dos índices de desemprego. Sydney registrou um índice de 10% de desemprego em 1999 e esse ano calcula-se que esteja na faixa dos 6%, em virtude dos inúmeros postos abertos direta ou indiretamente em função dos jogos. No entanto, grande parcela da população não estava realmente interessada nas competições (uma pesquisa mostrou que 34% dos moradores de Sydney não se interessam por esporte), mas em um evento olímpico que começou um mês antes: o Festival de Artes. Quase sempre esquecido, o Festival Olímpico de Artes era um dos projetos do francês Barão de Coubertin, quando da realização dos primeiros Jogos Olímpicos da era moderna. O primeiro Festival foi realizado em 1912, em Estocolmo. Em 1950, por decisão do COI, que alegava que os artistas eram profissionais, o Festival de Artes foi cancelado. Barcelona 92 trouxe as artes de volta aos Jogos, obrigatoriedade desde então. Para Sydney 2000, a organização prometeu realizar o melhor festival de todos os tempos. O melhor da produção cultural australiana e de outras partes do mundo estará sendo exibida nos principais centros culturais da cidade. Ópera, teatro, dança, fotografia e cinema. De Mozart a Folclore Aborígene. Apresentações musicais e teatrais ao ar livre nas principais praças e parques espalhados pela Cidade, sendo a maioria gratuitos, o que atrai milhares de espectadores. No entanto, como o tempo é de Olimpíadas, telões instalados em todos os locais do festival transmitem as competições ao vivo para que ninguém perca um só lance dos jogos. Afinal, Olimpíadas é esporte, disse o primeiro secretário do comitê organizador do Festival de Artes, Jonah Jones. |
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