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A primeira vez

postado em 2 de dez de 2018 09:11 por ANA PAULA LOPES VIEIRA PAIVA   [ 2 de dez de 2018 09:11 atualizado‎(s)‎ ]

A iniciação sexual está sempre relacionada com a perda da virgindade.

Para as mulheres/esposas, a virgindade, associada à obrigação moral de fidelidade, era fundamental para preservar a transmissão das propriedades aos legítimos descendentes.

Para o homem, a virgindade não era valorizada e a iniciação sexual fora do casamento, com prostitutas, era até incentivada. Duas justificativas eram usadas: o homem se tornar apto a ser o instrutor sexual de sua casta esposa e reforçar o conceito vigente na época de que o verdadeiro homem deveria ter desejo, excitação e orgasmo por praticamente todas as mulheres.

Atualmente, os conceitos estão mudando e a virgindade, para a maioria dos homens e das mulheres, deixou de ser uma obrigação pré-matrimonial para tornar-se uma opção do indivíduo, respeitando seus próprios critérios de liberdade e responsabilidade.

Mas nem sempre as coisas acontecem desta forma. A pressão do grupo, a mídia, a necessidade de identidade grupal do adolescente e a insegurança levam-no a se iniciar sexualmente sem o amadurecimento necessário para esta decisão tão importante da sua vida.

A iniciação sexual, independente dos motivos, é um momento esperado, desejado e temido tanto para o homem quanto para a mulher.

Para o garoto adolescente, a primeira vez vem carregada de uma responsabilidade ansiosa que poderá acompanhá-lo por toda a vida. Ele tem que ter desejo (que nem sempre é despertado pela parceira); tem que ter ereção (pois homem que é homem fica com pênis ereto) e tem que ter orgasmo (no momento certo para dar prazer à parceira). A obrigação do desempenho é a grande vilã. Transforma esse momento, que deveria ser de prazer, numa expectativa ansiosa que vai interferir no próprio desempenho e no esperado prazer. Quando o adolescente vence todos esses obstáculos, ele adquire, perante a sociedade, o status de homem.

Para o sexo feminino, a primeira relação sexual vem acompanhada de muitos mitos e tabus. A grande barreira a ser vencida se refere às limitações sócio-familiares.

A primeira vez deve ocorrer no momento certo.

Quando é esse momento? Antes ou depois do casamento? Com que idade? Esse namorado é o parceiro ideal? E se o namoro acabar, como a menina se sentirá?

Os mitos, incutidos desde muito cedo a respeito da dor e do sangramento na primeira vez, geram medo e fazem com que a iniciação sexual feminina ocorra num clima de tensão e ansiedade, impedindo o relaxamento e a descontração tão necessários para uma relação sexual prazerosa. Ao invés do relaxamento, ocorre a contração dos músculos da vagina; em lugar do prazer, aparece a dor à penetração e, em alguns casos, um aumento do sangramento.

O ideal seria que a iniciação sexual ocorresse com alguém por quem o adolescente estivesse envolvido afetivamente tendo a reciprocidade desse sentimento; que tivesse também resolvido seus conflitos relacionados à sexualidade e que o casal assumisse uma atitude responsável em termos de anticoncepção e prevenção de doenças sexualmente transmissíveis.

Se estas e outras questões estiverem resolvidas pelo adolescente (o que nem sempre acontece), a primeira relação sexual não tem porque ser algo traumático e tem a chance de ser uma vivência muito gratificante.

E nós, pais, devemos ficar alheios e distantes de nossos filhos nesse momento tão importante para eles?

Não estaremos sendo omissos em função de nossos próprios conflitos sexuais não resolvidos?

Devemos abdicar da responsabilidade de preparar nossos filhos para o exercício da sexualidade de forma sadia e gratificante?

Não adianta negar a sexualidade do adolescente nem querer impor nossos valores e critérios relacionados com a sexualidade. É preciso muito diálogo, muita reflexão entre pais e filhos para que o jovem possa, agora com mais segurança, decidir quando será o seu momento.

Ah! Como eles gostariam de compartilhar conosco suas dúvidas, suas angústias e terem em nós, seus pais, o porto seguro e cheio de compreensão que eles tanto precisam nessa fase difícil de suas vidas.

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Educar para o Amor

Estar junto, dialogar e compreender é participar integralmente da vida de nossos filhos. É a melhor forma de expressar o nosso Amor e de ensiná-los a amar.

Dr. Thyrson Fraga Moreira, ginecologista, obstetra e terapeuta sexual

Eliana Martins de Freitas, psicóloga e terapeuta sexual

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