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AACD vence a batalha pelo ácido fólico nas farinhas

postado em 7 de dez de 2018 07:53 por ANA PAULA LOPES VIEIRA PAIVA   [ 7 de dez de 2018 07:55 atualizado‎(s)‎ ]

Já está em vigor a Resolução RDC 344, de 13 de dezembro de 2002, do Ministério da Saúde, que estabelece a obrigatoriedade de os fabricantes de farinhas de trigo e milho enriquecerem seus produtos com o ácido fólico, uma substância derivada do Complexo B, que previne, entre outras, a mielomeningocele, uma doença mais grave que a paralisia infantil. A AACD (Associação de Assistência à Criança Deficiente), que atende casos de mielomeningocele, foi a responsável pela campanha junto a Anvisa.

Em 2002 a AACD realizou 83.456 consultas médicas, 562.057 terapias, 36.817 exames, 4.781 cirurgias e fabricou 52.450 aparelhos ortopédicos. Mas achou que era pouco, levando-se em conta a fila de espera com mais de 7 mil nomes. Por isso resolveu investir em outros campos, atuando na prevenção e repassando seu know-how de 52 anos para professores da rede pública, que trabalham com portadores de deficiência em sala de aula.

O projeto da AACD, que recebeu o nome de Curso de Formação Básica em Deficiência Física para Professores da Rede Regular de Ensino, teve início em 2001 e foi um sucesso de público e crítica. A idéia surgiu depois que a instituição apurou que os professores com alunos portadores de deficiência física não haviam recebido nenhum tipo de orientação, por parte da Prefeitura e do Estado, para desenvolver o potencial destas crianças especiais.

O curso tem como objetivo ampliar o conhecimento sobre deficiência física, falando sobre suas principais patologias e as implicações no processo de aprendizagem, propiciando ao professor subsídios para atuar junto ao aluno portador. Em cinco edições, a AACD conseguiu capacitar 1.952 professores.

O reconhecido trabalho da equipe multidisciplinar da AACD foi uma das peças-chaves para outro projeto vitorioso: o 2o Congresso Internacional de Medicina e Reabilitação da AACD, que reuniu, entre os dias 12 e 14 de setembro, cerca de 1.500 pessoas de seis países no Centro de Convenções Rebouças, em São Paulo.

É melhor prevenir

Em 2001, a AACD iniciou uma verdadeira luta para conscientizar o Governo Federal, por meio da Anvisa (Agência de Vigilância Sanitária), da necessidade da fortificação das farinhas com o ácido fólico. O empenho da AACD explica-se: o consumo de ácido fólico por mulheres em idade gestacional é a única maneira eficaz de se prevenir a mielomeningocele, uma doença mais grave que a paralisia infantil, que atinge um em cada mil bebês nascidos vivos. Só na AACD, 10% dos pacientes atendidos sofrem deste mal. No ano passado, foram feitas várias reuniões em que os médicos da AACD exibiram aos técnicos da Anvisa, por meio de vídeos e palestras, as graves conseqüências desta patologia. Os resultados foram colhidos no final do ano, com a entrada em vigor da Resolução RDC.

A prevenção de acidentes foi outra meta da instituição em 2002. As estatísticas da AACD mostram que entre os pacientes com lesões medulares, 84,5% apresentam traumas adquiridos por acidente, contra 15,5% de lesões congênitas. A parceria da instituição com a agência McannErikson possibilitou a veiculação em TV de uma campanha publicitária mostrando três acidentes domésticos, facilmente evitáveis, que podem ter conseqüências graves: queda de altura, mergulho em águas rasas e atropelamento.

Parceria, alíás, foi a palavra-chave de 2002 para a AACD. A associação da instituição com a iniciativa privada foi responsável por uma série de eventos com objetivo de arrecadar recursos. O dinheiro da bilheteria do Salão de Artes e Antigüidades da Hebraica e da Noite de Queijo e Vinho da Choperia Estalagem, por exemplo, foram responsáveis por parte da receita da instituição em 2002.

De uma forma mais efetiva, a parceria com o SBT para o Teleton 2002 conquistou para os cofres da casa a quantia de R$ 16.015.454,00. Parte deste dinheiro será utilizado na construção de uma nova unidade da AACD, em Osasco, na Grande São Paulo. Os recursos do Teleton 2001 também foram responsáveis pela inauguração do Bloco E, o novo prédio dentro do complexo da AACD - sede, na Vila Clementino, em São Paulo. Nos quatro andares do novo espaço foram instaladas novas salas de aulas para os 132 alunos portadores de deficiência física da unidade, consultórios médicos, área administrativa, quadra poliesportiva para reabilitação e estacionamento subterrâneo, com 250 vagas.

A Campanha de Protetização do Governo Federal acelerou a produção da Ortopedia da AACD. Por conta da campanha, foram confeccionados 2.750 aparelhos ortopédicos, com 2.500 pacientes atendidos.

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