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A perigosa mania dos remédios

postado em 27 de nov de 2018 02:50 por ANA PAULA LOPES VIEIRA PAIVA   [ 30 de nov de 2018 17:23 atualizado‎(s)‎ ]

O brasileiro, acostumado a praticar a automedicação, não sabe o perigo que está correndo. Segundo os médicos, até as vitaminas, em excesso, podem fazer mal.

Nenhum remédio é completamente inócuo, segundo os especialistas. O consumo excessivo de vitaminas pode causar hipervitaminose, que acaba dando ao corpo o efeito exatamente inverso ao proposto nas bulas - pele e cabelo quebradiços, por exemplo. Muita Aspirina, uma úlcera. E, na melhor das hipóteses, a automedicação pode mascarar um problema mais grave que exigiria um exame médico minucioso.

Os médicos garantem, ainda, não haver vitamina feita em laboratório que substitua a encontrada nos alimentos saudáveis.

"Na verdade, afirma Alberto Del Porto, da Escola Paulista de Medicina, essa ânsia por remédio flagra uma vaidade desmedida nas pessoas ou um medo de envelhecer. E não há composto vitamínico que impeça isso". Segundo os médicos, pequenas dores e indisposições desaparecem com ou apesar do que se tome. Fernando Lefevre, professor de Educação e Saúde da Faculdade de Saude Pública, considera absurda a crença nas possibilidades milagrosas de uma droga.

Em alguns pacientes, o uso abusivo de psicotrópicos, sem orientação médica, pode causar distorções visuais, em alguns casos, além da síndrome de abstinência. Ou seja: na falta desse remédio, cria-se no paciente a acentuação do estado nervoso anterior, acompanhado por tremores, sudorese, insônia e inapetência. Ou a necessidade de doses cada vez maiores para que seja obtido o mesmo efeito.

A falta de informação e de infra-estrutura médica é um dos fatores que mais contribuem para promover a auto-medicação. Uma especialista diz que as pessoas sabem que, se dependerem da medicina pública, só serão atendidas em uma semana, duas ou até mais, dependendo do caso. "E, como a maioria não pode pagar um médico particular, aceita a receita do vizinho, do parente ou do balconista de farmácia".

É bom tomar cuidado, avisa a mesma especialista, porque muitas doenças apresentam os mesmos sintomas, mas podem ter causas diferentes. Se o remédio não for indicado pelo médico, pode agravar o estado de saúde do paciente.

Cleide Cavalcante, Agência Estado

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