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A dermatologista Carla Albuquerque dá dicas para manter a pele saudável no inverno

postado em 19 de nov de 2018 05:58 por ANA PAULA LOPES VIEIRA PAIVA   [ 30 de nov de 2018 17:22 atualizado‎(s)‎ ]

Que o inverno é uma das épocas mais gostosas para ficar debaixo do chuveiro e sentir a água quente cair sobre o corpo ninguém discorda. Mas quem mais sofre com esta estação é a pele, que acaba perdendo a camada de proteção natural que consiste em uma mistura de sebo e suor, chamada película ou manto hidrolipídico. A função desse manto é manter o teor adequado de água na pele e defendê-la de agressões externas e de infecções por microorganismos, como fungos e bactérias, ou seja, fazer com que a cútis esteja sempre hidratada. Quando a perda de água do extrato córneo - a camada mais externa da pele, aquela que vemos - é maior que a reposição, ocorrem a desidratação e a diminuição da elasticidade desta.

As variantes climáticas como o vento, as mudanças bruscas na temperatura e o ar seco favorecem a evaporação da água, diminuindo o seu grau de hidratação. A pele torna-se seca e tem a função de proteção comprometida. Além disso, há também a questão estética. Desidratada, ela fica opaca, áspera, sem elasticidade e com tendência à descamação.

O inverno não é necessariamente sinônimo de tez feia e ressecada. Para mantê-la hidratada e com uma aparência bonita e saudável são fundamentais alguns cuidados: evitar banhos quentes e muitos demorados, não utilizar sabonetes alcalinos em excesso e não dispensar um bom hidratante.

A água sozinha é ineficaz na limpeza da face. Por isso, a dermatologista Carla Albuquerque aconselha que para manter a cútis com aparência saudável é necessário ter como hábito a limpeza diária. "Os sabonetes alcalinos tendem a deixar a pele áspera e seca, dessa maneira, são preferíveis os sabonetes líquidos e cremosos, elaborados com tensoativos com baixo poder de irritação cutânea. A finalidade é remover as células mortas, maquiagem, secreções sebáceas e impurezas", explica.

Quando as glândulas sebáceas produzem mais sebo do que é necessário, a pele se torna oleosa ou seborreica. As pessoas com esse tipo de cútis devem usar produtos capazes de proteger e, ao mesmo tempo, regularizar a produção sebácea. "Podem ser utilizados leites ou loções de limpeza oil free, géis ou soluções hidroalcoólicas para a higiene diária. Mas devem ser evitados produtos com excesso de álcool, que provoquem irritação da pele ou efeito rebote - ao invés de tratá-la promovem uma piora da oleosidade", afirma a dermatologista. Produtos adstringentes e esfoliantes também podem ser úteis, uma vez que ajudam na limpeza e renovação celular. Na hora da hidratação, Carla recomenda hidrantes em gel, gel creme ou loção oil free.

Pessoas com pele normal ou seca devem preferir leites ou loções de limpeza, principalmente porque são produtos que ajudam a manter a aparência saudável da tez, sem ressecá-la. De acordo com a dermatologista, loções tônicas também são úteis, pois ajudam a "firmá-la", a retirar eventuais resíduos dos leites ou loções de limpeza e restabelecem o PH cutâneo. "Para quem tem a cútis seca é recomendável produtos em creme, loção cremosa ou, até mesmo, cold creams, mais indicado para aquelas muito secas e com aparência craquelé", ressalta.

De acordo com a dermatologista, recentemente foi introduzido no mercado um novo conceito de hidratação denominado Derma-Membrane-Structure(DMS). "Ele promete hidratar a pele de uma forma similar à hidratação natural promovida pelos óleos e gorduras que o próprio organismo produz", explica. Essa hidratação é indicada principalmente a crianças e a pessoas com cútis mais sensíveis, pois não interfere na permeabilidade da pele.

Apesar de no inverno o sol estar mais ameno, está muito enganado quem pensa em guardar o filtro solar e utilizá-lo apenas no verão. "Os raios UVA são os principais responsáveis pelo fotoenvelhecimento e, no inverno, eles não diminuem sua incidência. Por esse motivo, é recomendável que todas as pessoas utilizem um bom filtro solar, em especial aqueles que fornecem uma boa proteção contra os raios UVA", esclarece.

Vale lembrar que o inverno é a melhor época para fazer tratamentos dermatológicos como os peelings químicos, que consistem em aplicações de ácidos na pele, em altas concentrações, com o objetivo de melhorar manchas, acne e suas conseqüências, rugas etc. De acordo com Carla, a realização desses tratamentos é mais aconselhável nessa estação porque o sol está mais fraco e, conseqüentemente, as pessoas se expõem menos a ele. Com isso, diminuem-se os riscos de complicações nesse tipo de procedimento.

* Carla Albuquerque é especialista em Dermatologia e Cosmiatria pela Sociedade Brasileira de Dermatologia. Formada pela Santa Casa de São Paulo, atende em consultório particular na Rua Dr. Alceu de Campos Rodrigues, 275, cj. 41/42/44, Itaim Bibi, São Paulo - SP.

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