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161 anos de Homeopatia no Brasil

postado em 18 de nov de 2018 16:25 por ANA PAULA LOPES VIEIRA PAIVA   [ 30 de nov de 2018 17:21 atualizado‎(s)‎ ]

No final do século 18, o médico alemão Hahnemann publicou seu primeiro artigo falando de uma nova forma de tratamento das doenças, ou melhor, dos doentes. Esse novo tratamento propunha algumas coisas até então inéditas na prática da medicina, além de muito polêmicas. Após anos de pesquisa, tendo partido da observação de que alguns pacientes acabavam morrendo em decorrência dos tratamentos médicos tradicionais, o médico descobriu que algumas substâncias da natureza tinham o poder de curar os mesmos sintomas que eram capazes de produzir (lei dos semelhantes). Estava lançado um dos princípios da homeopatia.

A homeopatia que hoje conhecemos começou aí, há mais de dois séculos, portanto. Ela é calcada em quatro princípios básicos, a saber:

  • a lei dos semelhantes: já citada acima;
  • experimentação no homem são: segundo a homeopatia, não existem doenças, mas indivíduos doentes, ou seja, em desequilíbrio; uma doença se manifesta não apenas por sinais objetivos, mas também subjetivos, por isto torna-se necessário que os experimentos sejam feitos em pessoas sãs, que podem falar destes sinais subjetivos, diferente do que aconteceria se os experimentos fossem realizados em animais.
  • doses mínimas e dinamizadas: durante as pesquisas, nosso ilustre médico verificou que quanto mais diluídas e dinamizadas as substâncias fossem, maior o seu poder curativo;
  • medicamento único: Hahnemann recomendava que fosse usado um único medicamento de cada vez, aquele que abrangesse o maior número possível de sintomas do paciente, tendência esta contestada atualmente por muito homeopatas, que preferem usar medicamentos diferentes, por grupos de sintomas.

Em 1979 a Homeopatia foi reconhecida no Brasil como especialidade médica, e não mais como uma Medicina Alternativa, pela Associação Médica Brasileira, fato que se repetiu em 1980, no Conselho Federal deMedicina. A partir de então, determinou-se por lei que um médico, para ser considerado homeopata, deveria fazer um curso de especialização de três anos, dado como pós-graduação por órgãos reconhecidos pelo MEC e pela AMHN(Associação Médica Homeopática Brasileira). Vale ressaltar aqui que algumas práticas de Medicina Alternativa, como Terapia de Florais, Cromoterapia, Aromaterapia e Medicina Ortomolecular, não são Homeopatia, ainda que tenham seus efeitos benéficos comprovados.

Ao contrário do que se pode pensar, nem só de plantas vivem os remédios homeopáticos, mas também dos reinos Animal e Vegetal. Essa é uma das crenças arraigadas, bem como a que reza ser lento o efeito da medicação, o que não é verdade. Lenta pode ser a resposta do corpo, pois ele deverá mudar um padrão energético já estabelecido. Por exemplo, uma simples verruga na pele significa um desequilíbrio. Removê-la não remove o desequilíbrio que a causou, apenas o disfarça, e ele pode se manifestar mais tarde de inúmeras outras formas, mais graves até. A homeopatia irá reequilibrar o organismo e mudar um padrão que se estabeleceu muitas vezes há tempos. Esta mudança obviamente não é rápida.

Da mesma forma a consulta com um homeopata é completamente diferente das consultas médicas tradicionais. É necessário que o médico conheça seu paciente em profundidade para encontrar o medicamento que melhor se adapte a ele; para isto precisa saber tudo da pessoa em questão, sua infância, sua adolescência, seus medos, anseios, culpas, rotina de vida. Quanto mais detalhes ele tiver do paciente, mais próximo estará de encontrar o tal medicamento pessoal. Por isto as consultas demoram, às vezes, horas e as perguntas do médico parecem tão improváveis. Aliás, a procura por um homeopata deveria se dar não apenas quando há uma doença instalada, mas desde quando ocorrerem mudanças perceptíveis no bem estar do paciente, como excesso de calor e de frio, desejo ou aversão expressivos por algum alimento ou ainda pesadelos constantes.

Alguns cuidados também deverão partir do próprio paciente. Os medicamentos devem ser devidamente armazenados, longe de fontes eletro-magnéticas, produtos canforados, calor e umidade. Sejam líquidos, comprimdos ou pós, nunca devem ser deixados dentro do carro, por exemplo, nem próximos a odores fortes, como perfumes. Além disso, o paciente deverá desenvolver o hábito de se auto-observar muito, o que, de quebra, lhe renderá maior autoconhecimento. Os benefícios, enfim, são tantos que é quase inacreditável que ela só tenha sido reconhecida nos anos 80. Agora que foi, sorte nossa, que podemos usufruir de todos eles.

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