Tabagismo x fertilidade, problemas de visão e aparência*

Dia 31 de maio comemora-se o Dia Mundial Sem Tabaco.

Já são conhecidos os malefícios do cigarro para à saúde. No entanto, poucos se atentam aos impactos econômicos do tabagismo. Embora as cifras bilionárias movimentadas pela indústria do cigarro já não sejam novidade, outros números chamam a atenção: os custos que as doenças relacionadas ao tabaco representam para o Sistema Único de Saúde (SUS).

Uma pesquisa inédita feita pela Fiocruz analisou 32 doenças, entre diferentes tipos de cânceres e problemas dos aparelhos circulatório e respiratório. Em relação a essas doenças, sob a perspectiva do SUS, os custos totais atribuíveis ao tabagismo no Brasil, em um ano, ultrapassaram os R$ 330 milhões para pacientes com 35 anos ou mais.

O universo de doenças relacionadas ao tabaco é, porém, maior do que as 32 analisadas na pesquisa. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o fumo pode acarretar também enfermidades ósseas, dermatológicas, reprodutivas e dentárias, além dos danos provocados aos fumantes passivos.

Abaixo, relações entre tabagismo e fertilidade, problemas de visão e aparência.

Tabagismo x fertilidade
"Em relação à saúde reprodutiva, o tabagismo é um entrave real para o casal que deseja engravidar", afirma o especialista em reprodução humana, Joji Ueno, diretor da Clínica Gera. O tabagismo feminino reduz globalmente a fertilidade, causando um atraso da primeira gestação.

"A mulher fumante tem um risco maior de infertilidade, câncer de colo de útero, menopausa precoce (em média 2 anos antes) e dismenorréia (sangramento irregular)". Outras graves complicações na saúde feminina também podem resultar do ato de fumar durante a gravidez. "Abortos espontâneos, nascimentos prematuros, bebês de baixo peso, mortes fetais e de recém-nascidos, complicações com a placenta e episódios de hemorragia ocorrem mais freqüentemente quando a mulher grávida fuma", diz o médico.

Tabagismo x problemas de visão
"Em comparação com quem não fuma, os fumantes apresentam um risco duas vezes maior de catarata e de duas a três vezes maior de desenvolver a degeneração macular relacionada à idade. Por isto, defendemos a idéia de que os maços de cigarro deviam estampar também estas advertências", afirma o oftalmologista Virgilio Centurion, diretor do Instituto de Moléstias Oculares, IMO. Segundo o médico, os efeitos maléficos do tabagismo também estão associados à queda das pálpebras, que provoca uma diminuição do campo visual.

Tabagismo x aparência
A primeira vítima do tabagismo é a aparência do fumante. A grande vilã da história é a nicotina - um líquido tóxico existente nas folhas do tabaco e que já era utilizado em 1690, na França, como inseticida. "Além de causar a dependência, a substância tem efeito vasoconstritor na microcirculação sangüínea. Ou seja, reduz o diâmetro dos pequenos vasos, dificultando o aporte de oxigênio e de nutrientes que as células recebem por meio do sangue. Como conseqüência, a pele perde o viço e começa a envelhecer precocemente", afirma o cirurgião plástico Ruben Penteado, diretor do Centro de Medicina Integrada.

Quando cigarro e sol se juntam, o estrago é muito maior para a aparência. "Estima-se que a pele das pessoas que tomam sol e fumam envelhece dez vezes mais rápido do que a de quem não tem esses hábitos", afirma o médico. Isso ocorre porque a exposição solar, da mesma forma que a nicotina, destrói as fibras de colágeno e elastina, apressando o processo de envelhecimento.

* Clínica GERA - www.clinicagera.com.br
* Instituto de Moléstias Oculares - www.imo.com.br
*Centro de Medicina Integrada - www.medintegrada.com.br


30/5/2008

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