Fonte:
Agência FAPESP (Alex Sander Alcantara)
A
idade é um dos principais fatores associados às dificuldades para
execução das chamadas atividades instrumentais da vida diária
(AIVD). Mas, segundo uma pesquisa feita na Universidade de São Paulo (USP)
entre pessoas acima de 60 anos, o fator mais importante é a presença
de duas ou mais doenças, o que aumenta em cinco vezes o risco de dificuldades
cotidianas.
O estudo foi realizado com 2.143 entrevistados maiores de
60 anos, no ano de 2000. Além da idade, foram investigadas variáveis
independentes como gênero, renda, escolaridade, etnia, doenças, atividade
física e consumo de álcool. O trabalho é parte do Projeto
Sabe (Saúde, Bem-Estar e Envelhecimento), realizado em sete países
da América Latina e do Caribe.
De acordo com o professor Jair Licio
Ferreira Santos, da Faculdade de Medicina da USP de Ribeirão Preto, o estudo,
cujo objetivo era traçar o perfil das condições de vida,
saúde e bem-estar dos idosos no município de São Paulo, trouxe
importantes indicações para o setor de saúde.
"As
dificuldades sofridas na AIVD estão diretamente relacionadas à participação
comunitária e social menos intensa e a uma qualidade de vida diminuída.
Um atendimento mais adequado e um cuidado mais eficiente podem propiciar melhoras
nessas condições", disse Santos. O trabalho foi publicado na
revista Cadernos de Saúde Pública.
Os idosos que responderam
afirmativamente a pelo menos uma das cinco questões propostas foram considerados
portadores de dificuldade. As perguntas avaliaram as dificuldades em relação
a "administrar seu próprio dinheiro", "sair sozinho para
ir ao médico, igreja etc", "comprar comida", "usar
telefone" e "dificuldade para tomar os remédios".
Para
o total da amostra da variável independente, cerca de 21,6% dos entrevistados
afirmaram apresentar uma ou mais dificuldades nas cinco atividades instrumentais
consideradas.
Os idosos foram divididos em dois grupos: um com faixa etária
entre 60 e 75, e o segundo acima dos 75 anos. De acordo com o pesquisador, a "divisão
em dois grupos etários facilita a interpretação dos resultados,
que foram consistentes com a informação já existente".
Os dados demonstraram que, entre os idosos acima de 75 anos, quase metade
das dificuldades apontadas (48,9%) têm relação com a idade.
Entre os voluntários de 60 a 75 anos, a porcentagem caía para 15,3%.
"Estudos anteriores já mostravam o crescimento do número de
dificuldades nas atividades cotidianas com o aumento da idade", afirmou Santos.
Em relação à variável "duas ou mais doenças",
cerca de 31,3% dos entrevistados, acima dos 75 anos, assinalaram afirmativamente,
contra 13,2,% dos que têm entre 60 e 75. Ao aplicar um modelo de regressão
logística na análise dos dados, os pesquisadores concluíram
que a presença de duas ou mais doenças é a variável
mais importante, aumentando em cinco vezes os índices de probabilidades
de dificuldades. O fator idade apareceu em segundo, aumentando as chances de dificuldades
em 3,4 vezes.