*Fonte:
Agência Fapesp (Washington Castilhos, do Rio de Janeiro )
Mais
de 90% dos brasileiros reconhecem a necessidade de detecção precoce
do câncer, mas poucos sabem quais exames devem ser feitos para detectar
a doença nas fases iniciais. O fumo e a exposição ao sol
são amplamente reconhecidos como fatores de risco, mas ainda é muito
baixa a associação da prevenção ao câncer com
a alimentação saudável.
Esses são alguns dos
resultados de uma pesquisa realizada pelo Instituto Nacional do Câncer (Inca),
que entrevistou 2,1 mil pessoas nas regiões metropolitanas de todas as
capitais do país. O objetivo foi conhecer as concepções do
brasileiro em relação à doença.
No
estudo, 71,96% dos entrevistados afirmaram saber o que é câncer.
Apesar de 89,41% terem dito reconhecer a necessidade de detecção
precoce para o sucesso do tratamento, significativos 17,6% declararam conhecer
os exames necessários para a detecção precoce.
Foram
citados o exame de próstata (11,68%), o ginecológico preventivo
(13,52%), a mamografia (8,11%) e o exame das mamas pelo médico (9,79%).
O auto-exame das mamas (2,48%), o de pele pelo médico (2,44%), o de sangue
oculto nas fezes (1,6%) - importante para a detecção precoce do
câncer de cólon - e o exame oral pelo dentista (0,97%) ficaram entre
os menos citados.
"Fizemos a pesquisa para ver em que segmentos sociais
temos que focar mais as campanhas, e também para refinar o conhecimento
a respeito das percepções sobre o câncer. Uma coisa é
saber o que pensa uma pessoa que tem a doença e outra é saber o
que pensa a população em geral, especialmente em relação
à prevenção, palavra-chave atualmente", ressaltou o
médico Luiz Antonio Santini, diretor do Inca.
A maioria dos entrevistados
reconhece a importância da prevenção: 72,88% disseram que
o câncer sempre pode ser prevenido, enquanto 11,09% apontaram que isso pode
ocorrer em algumas situações. "Esse é um resultado positivo.
Significa que estão prontos para adotar hábitos e alternativas de
vida saudáveis, capazes de afastá-los de importantes fatores de
risco. A pesquisa mostra um dado favorável e importante: a associação
do cigarro à doença", avaliou Santini.
Segundo ele,
em relação aos exames e à prevenção, há
ainda muitos obstáculos a serem vencidos. "Enquanto o câncer
de colo de útero foi reduzido a um fator quase irrisório nos países
mais ricos, no Brasil é a segunda causa de morte entre mulheres e o mais
incidente em algumas regiões. A média de cobertura do exame de papanicolau
é de 65%, enquanto o ideal seria 80%. Se separarmos entre população
das cidades e do interior, veremos que, nas primeiras, a cobertura é de
80%, enquanto na segunda é bem menor. A população dos grandes
centros está mais bem informada. Com essa pesquisa podemos direcionar a
campanha a um público específico", observou.
O estudo
apontou também um desconhecimento sobre locais em que se pode fazer exames
para detecção precoce: hospitais foram apontados por 43,39%, seguidos
por clínicas (17,25%), postos de saúde (16,32%) e laboratórios
(16,94%). "A porta de entrada do sistema de saúde são as unidades
básicas ou primárias, os postos de saúde locais, onde são
feitos os exames diagnósticos", disse o diretor do Inca.
Quanto
ao reconhecimento dos fatores de risco, os dados revelam que ainda há muito
a avançar. O fumo e o excesso de exposição ao sol são
os fatores de risco mais conhecidos, por 96,65% dos entrevistados. O número
sobe para 100% na região Centro-Oeste e 98,04% na região Norte,
seguidas pelas regiões Nordeste (97,15%), Sul (96,01%) e Sudeste (95,67%).
Já 92,41% indicaram o excesso de exposição ao sol
como fator de risco. O índice mais alto foi verificado na região
Centro-Oeste (97,42%). O consumo de bebidas alcoólicas em excesso foi reconhecido
por 85,71% dos entrevistados.
A alimentação saudável
e a prática de atividades físicas ainda não são identificadas
como formas de prevenção ao câncer de forma expressiva. Dos
entrevistados, 27,47% afirmam que a alimentação não tem relação
com o câncer e 49,03% não relacionaram a falta de atividades físicas
com o risco de adquirir a doença.
A maior parte dos entrevistados
disse que o câncer pode ser tratado (78,77%) ou que, às vezes, pode
ser tratado (14,74%). Apenas 4,60% afirmaram desconhecer tratamento para a doença.
Mais informações: www.inca.gov.br.
30/11/2007