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Valores
do Jovens de São Paulo No início deste mês (setembro/05) o professor e pesquisador Yves de La Taille, docente do Instituto de Psicologia da USP, apresentou a pessoas da área de educação e à imprensa os resultados de pesquisa realizada a pedido do Instituto SM para a Qualidade Educativa - ISME. A pesquisa, intitulada Valores dos Jovens de São Paulo, pretendeu traçar um perfil dos valores que fazem parte de nossa juventude, com intuito principal de comprovar se de fato ela sofre de uma falta de crença no mundo e no futuro, se de fato existe o dito "vazio de sentido" na vida de tais jovens e quais são as causas disso, de forma que ao elaborar políticas educacionais para este público disponhamos de instrumentos que possam nos guiar. Para se chegar aos resultados revelados foi apresentado a 5.160 alunos do ensino médio da Grande São Paulo - 2.160 de instituições particulares e 3.000 de instituições públicas - um questionário chamado de Avaliação do Plano Ético. Os estudantes que responderam tinham idade média de 15,76 anos. Neste questionário
foram apresentadas questões que podem ser agrupadas em três
grandes temas: eu/sociedade (relacionadas às instituições
e agentes institucionais); eu/outrem (relacionadas ao convívio
no espaço público e privado); eu/eu (relacionadas a projetos
de vida). A aplicação ocorreu em março e abril
2005 e seus resultados merecem uma apreciação cuidadosa.
Abaixo destacamos algumas das questões, com seus respectivos
resultados, alguns comentários nossos e outros do próprio
pesquisador.
Os resultados das perguntas apresentadas acima demonstram que os jovens tendem mais ao otimismo. Ainda assim, chama atenção o fato de boa parte deles considerar que tem chances apenas moderadas de realização na vida.
Pelas respostas dadas às perguntas 3 e 4, pode-se notar algumas coisas interessantes. A primeira delas, e a que mais nos interessa aqui, é o grau de importância e confiança atribuídos aos professores e à escola. Note-se que 71% dos jovens consideram o professor muito importante para o progresso social e 59% dizem confiar na instituição escola, que só perde em confiança para a família, em quem 80% dos jovens confiam muito. Isso pode indicar uma legitimação da escola perante tais jovens. Outro dado que chama atenção é o grau de importância atribuído aos políticos (20% acham-nos muito importantes e 46,8% acham-nos importantes), enquanto o grau de confiança neles não acompanha esse índice, uma vez que os partidos políticos e o Congresso Nacional, representantes por excelência dessa categoria, receberam os maiores índices de desconfiança. Vale notar também, embora não apareça nas tabelas acima, que as instituições religiosas foram um dos poucos itens com diferenças significativas, embora pequenas, entre escolas públicas e privadas. Em geral, os alunos de escolas públicas tendem a dar mais importância às instituições religiosas. Esse dado torna-se mais importante se considerarmos que em nosso país as escolas públicas são laicas enquanto muitas das particulares são confessionais. A tabela 5 reforça
mais ainda o papel da escola para os jovens, demonstrando o quanto os
professores influenciam seus valores.
Segundo o pesquisador Yves de La Taille, os dados sobre convívio social e relações com o outro, e particularmente os apresentados pelas perguntas 6 e 7 talvez sejam úteis na compreensão de fatores como a violência e a incivilidade que vêm se apresentando em nossa sociedade, afinal, se vivemos num mundo de inimigos, resolução de conflitos pela agressão e de pouca confiança nos ambientes não privados, é compreensível a agressividade. É opinião do pesquisador, também, que este é um problema da cultura ocidental, que ultrapassa as fronteiras da escola, mas pode ser trabalhado dentro dela.
Apesar de ter havido uma pequena diferença entre o índice de confiança na escola pública, que foi um pouco menor do que na escola privada, as perguntas 8, 9 e 10 reforçam a idéia de que a escola goza de grande legitimidade entre os jovens. Isso é uma ótima notícia, é claro, mas também nos mostra o quão grande é a responsabilidade da escola e de seus educadores.
Mais uma vez aparecem pequenas diferenças entre alunos de escolas públicas e privadas. Entre os alunos de instituições particulares prevalece o item "achar que a vida vale a pena ser vivida", enquanto entre os alunos de escolas públicas "ser tratado de forma justa" tem mais relevância. Como se pode ver pelos dados da pesquisa, há poucas diferenças entre as respostas dos alunos de escolas particulares e aqueles de escolas públicas, talvez porque as perguntas feitas ultrapassem o âmbito escolar e estejam inseridas no âmbito da vida mesmo.No entanto, isso pode indicar que as semelhanças entre ambas sejam maiores do que costumeiramente pensamos. Para o Prof. Yves, é urgente que a escola seja um espaço de discussão desses temas, especialmente pela legitimidade e crédito que esta tem. Mas tais discussões devem ser centrais, não podem ser relegadas ao "vamos discutir se der tempo". Deve-se aplicar a verdadeira transversalidade. |
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