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Pais
falam sobre a escola brasileira Os pais dos alunos brasileiros se preocupam com a segurança nas escolas, querem mais autoridade no ensino, uso de uniforme, eleição direta para diretores e esperam mais motivação, envolvimento e tempo de permanência diária dos alunos, além de atividades extraclasse. Essas conclusões preliminares integram o relatório da primeira etapa de pesquisa inédita realizada pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (Inep/MEC). Até o final de fevereiro, a Pesquisa Nacional Qualidade da Educação - A Escola Pública na Opinião dos Pais ouvirá dez mil pais de estudantes matriculados nas escolas públicas urbanas do país. No total, serão entrevistados pais e mães de aproximadamente 162 cidades. Cerca de 19 escolas serão pesquisadas por Estado. A seleção dos entrevistados nas escolas foi realizada por amostragem aleatória, proporcional ao número de alunos de cada série do ensino fundamental. Estão sendo entrevistadas pelo menos 20 famílias por escola. A elaboração do plano levou em conta as bases de dados do Censo Escolar de 2003. Satisfação Os pais convergem na distinção entre escola pública e privada: consideram a última de melhor qualidade. Para o público, o melhor ensino das instituições privadas advém, basicamente, do fato de elas exigirem mais dos professores porque eles podem ser demitidos se não atenderem os requisitos. As particulares são vistas como mais disciplinadas, organizadas, respeitosas e seguras. Os pais concordam que só a escola privada garante preparação adequada para se chegar ao ensino superior. A sensação é de uma escola pública insegura, em crise de autoridade - pouca exigência para o estudante passar de ano. Segundo eles, há pouco compromisso dos professores, os alunos apresentam comportamento desregrado e as secretarias de educação mantêm-se distantes. Preocupados com a segurança, os pais compreendem que são necessárias medidas como maior distanciamento físico na convivência entre as faixas etárias, instalação de câmaras de vigilância e implantação de policiamento nas cercanias e dentro das escolas. A surpresa da pesquisa fica por conta do Rio de Janeiro. Estigmatizada como palco principal da violência no país, a cidade registrou a menor preocupação com a segurança. A percepção do ensino público fundamental é de relativa satisfação. Não é o que aparece, porém, quando se trata da escola em que o filho estuda. Nos casos concretos, são poucos os aspectos de satisfação e numerosos os pontos de descontentamento. Os segmentos mais pobres da população, moradores de áreas carentes, têm o pior atendimento escolar. Nesses locais, as escolas são simples, pequenas e sem infra-estrutura. As áreas da classe média têm escolas de boa qualidade e com infra-estrutura adequada. Diretores Os professores são os responsáveis diretos pela qualidade do ensino e pelo sucesso ou fracasso escolar, na visão dos entrevistados. A avaliação deles, no entanto, é difusa e difícil de resultar em consenso. Os pais consideraram os professores da rede pública mais capacitados, por terem passado em concurso, e entendem que os salários são insuficientes ou injustos. Mas criticam esses professores por faltas às aulas, abonos e greves. Mencionam, ainda, a precariedade na formação dos professores. Entre os demais funcionários, a mais conhecida é a merendeira, considerada responsável por um setor de importância estratégica para a escola. Quando a merenda é boa, essa funcionária desperta grande simpatia. Filhos A ênfase no papel do professor vem acompanhada da diminuição das responsabilidades dos pais na educação do filho. A média dos entrevistados reconhece a importância de um estreitamento entre a família e a escola, mas não parece muito empenhada nisso. Quando esse estreitamento significa presença mais constante dos pais na escola, uma parcela razoável se protege com a incompatibilidade de horários e compromissos. A pesquisa indica que a presença dos pais na escola declina à medida que o aluno deixa as séries iniciais. Na adolescência, os contatos se tornam cada vez mais eventuais. Enquanto a maioria dos responsáveis aponta o trabalho como principal obstáculo a um maior acompanhamento, algumas mães pobres, separadas, que trabalham como faxineiras ou domésticas, dão exemplo de superação de dificuldades e acompanham ativamente a vida escolar dos filhos, caso específico do Rio de Janeiro. Na classe mais pobre, é comum o pai que tem dois ou mais filhos considerar um deles menos dotado para os estudos. A baixa tolerância com o rendimento inferior se traduz num processo de desvalorização. O trabalho não é visto por muitos dos pais como empecilho para o sucesso na escola. Eles acreditam que o trabalho ajuda no crescimento e no amadurecimento dos jovens. A aspiração dos pais é ver os filhos na universidade pública, em área que lhes assegure o tratamento de doutor. Muito embora considerem aceitável a qualidade do ensino médio e fundamental público, essa qualidade não é considerada suficiente para assegurar o sucesso. Vale ressaltar que, ao aproximar-se a conclusão do ensino médio, aumenta a angústia. Sem condições financeiras, o estudante precisa se voltar para o campo da formação técnico-profissional. Em linhas gerais, segundo a pesquisa, este é o processo que origina a velha demanda das camadas mais pobres.
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