| Pesquisa
mostra que apenas 2% dos brasileiros são analfabetos absolutos
em matemática e que 23% têm domínio pleno de cálculo O Instituto Paulo Montenegro, braço social do IBOPE, divulgou no início de setembro os resultados da 4ª edição do INAF (Indicador Nacional de Alfabetismo Funcional) que, assim como a primeira pesquisa em 2002, focaliza as habilidades matemáticas da população, demandadas na realização de tarefas cotidianas. “Com esse trabalho o IBOPE quer dar a sua contribuição para que a sociedade possa compreender e dimensionar os problemas da educação brasileira, de modo a fomentar o debate público e incentivar a formulação e implementação de novas políticas pedagógicas”, afirma Rogério Cajado, superintendente do Grupo IBOPE. “Não havia medição, no Brasil, do grau de alfabetismo funcional. O Instituto Paulo Montenegro criou uma metodologia para medir anualmente o conhecimento de leitura e escrita e das habilidades matemáticas do brasileiro e sua aplicação em situações do dia-a-dia”, diz Márcia Cavallari, diretora do IBOPE Opinião, que executou a pesquisa. “O objetivo é não só saber o tamanho do problema, mas sugerir mudanças e acompanhar a evolução do quadro”. Segundo a pesquisa, 2% da população brasileira encontram-se em situação de analfabetismo absoluto em matemática, ou seja, não dominam habilidades simples como ler o preço de produtos ou anotar número de um telefone. Em 2002, esse contingente era de 3%. Comparado ao INAF III, sobre a habilidade do brasileiro em leitura e escrita, os resultados mostram que o brasileiro se sai melhor em cálculo do que em língua portuguesa. O INAF de 2003 apurou que o país tem 8% de analfabetos absolutos nas habilidades de leitura e escrita. Níveis
de alfabetismo matemático 29% se encontram no nível 1 de alfabetismo: são capazes de ler números de uso freqüente em contextos específicos (preços, horários, números de telefone, instrumentos de medida simples, calendários), mas encontram muita dificuldade em resolver problemas envolvendo cálculos, em identificar relações de proporcionalidade ou em compreender outras representações matemáticas como tabelas ou gráficos. 46% estão no nível 2: dominam completamente a leitura dos números naturais, são capazes de ler e comparar números decimais que se referem a preços, contar dinheiro e “fazer” troco. Também são capazes de resolver situações que envolvem operações (de adição, subtração, multiplicação e divisão), mas só aquelas em que um único cálculo é necessário. 23% atingiram o nível 3: têm domínio absoluto dos números. Conseguem resolver um problema que envolva a execução de uma série de operações. Também são capazes de solucionar problemas que envolvam cálculo proporcional. Apenas nesse grupo encontram-se as pessoas que tem capacidade de ler e interpretar representações gráficas como mapas, tabelas e gráficos publicados pela mídia. Escolaridade
tem influência decisiva no alfabetismo matemático. Gênero
também é determinante “As práticas sociais de uso da matemática são diferentes para homens e mulheres, e isso explica o melhor desempenho por parte do sexo masculino na pesquisa. Por exemplo, as atividades de preparação como fazer lista de compras, verificar a data de vencimento dos produtos, comparação de produtos etc são realizadas por mulheres; já as atividades de controle como conferência do consumo de água, do troco, de recibos e notas, os saques e depósitos em bancos são executadas pelo homem”, explica Maria da Conceição, Fonseca, consultora do 4º INAF e professora da UFMG. Mito da
calculadora Método Além do teste, os entrevistadores aplicaram um questionário para levantamento do histórico familiar e educacional dos respondentes, de suas condições de acesso e uso de diversos bens materiais e culturais, de suas práticas de leitura e escrita, e também do julgamento que fazem de suas próprias capacidades nesse campo. Veja
aqui o Histórico do INAF
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