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Notícias
do Enem

Perfil
dos participantes mostra desigualdade regional
O perfil dos participantes do Enem, nas cinco regiões do País,
revela diferenças marcantes. Em relação à
idade, na região Sul, 56% dos participantes tinham 17 anos ou
menos, idade adequada para a 3ª série do ensino médio.
Na Sudeste esse índice era de 37% e na Centro-Oeste, de 34%.
Nas regiões Norte e Nordeste, apenas 23% e 19% dos estudantes,
respectivamente, não apresentavam atraso escolar.
As condições fora da escola também têm também
um forte impacto sobre os resultados. Para o presidente do Inep, Luiz
Araújo, "os dados confirmam que somente o acesso à
escola não é suficiente para diminuir as desigualdades
educacionais".
No Nordeste, 53% dos participantes têm renda familiar de até
2 salários mínimos, e na região Norte este índice
é de 50%. Nas regiões Sul e Sudeste, respectivamente,
26% e 24% dos participantes têm esses mesmos ganhos. Em relação
à escolaridade dos pais, no Norte e Nordeste, 12% dos pais dos
participantes do Enem nunca freqüentaram a escola. Nas regiões
Sul e Sudeste,
esse índice não passa de 4%.
Condições socioeconômicas refletem
no resultado
Entre um estudante de escola pública com renda familiar mensal
de até um salário mínimo e um aluno da rede privada
com ganhos acima de 30 salários mínimos há um verdadeiro
abismo educacional. Enquanto o primeiro obteve no Enem uma nota média
de 37,52, o segundo chegou a 70,41, uma diferença de 33 pontos
na prova objetiva. O mesmo impacto é identificado em relação
à escolaridade dos pais. A média do aluno da escola pública,
cuja mãe nunca estudou, foi de 38,58, e a daquele da rede privada,
cuja mãe concluiu a pós-graduação, é
de 69,55.
Os resultados do Enem evidenciam, também, a desigualdade entre
os estudantes com as mesmas condições socioeconômicas
que freqüentam escolas de redes diferentes ou entre os que estudam
na mesma rede de ensino e possuem perfis diferenciados. No conjunto
dos participantes do Exame que afirmaram ter renda familiar de dois
a cinco salários mínimos, por exemplo, a média
foi de 47,12 na rede pública e de 58,89 na rede privada. Entre
os alunos das escolas públicas, aqueles cujas mães nunca
estudaram obtiveram média de 38,58, enquanto os que têm
mães que terminaram o ensino superior atingiram a média
de 54,79.
O Enem mostra, ainda, a diferença de desempenho relacionada à
idade e à cor do aluno. Os participantes com até 18 anos
obtiveram nota média de 52,41 na prova objetiva, e os com 22
anos, de 44,66. A pontuação do conjunto dos estudantes
que se declararam negros foi de 44,13 e entre os brancos ficou em 53,05.
Estudantes
elogiam professores e criticam infra-estrutura das escolas
As opiniões dos estudantes que realizaram o Enem refletem uma
avaliação positiva do trabalho desenvolvido pelos professores
e crítica a respeito das condições das escolas.
Em geral, a infra-estrutura dos estabelecimentos públicos de
ensino tem uma avaliação negativa, situação
que é um pouco melhor na rede privada.
Ao serem indagados sobre o conhecimento que os professores têm
das matérias e a maneira de transmiti-lo, cerca de 65% dos participantes
das escolas públicas classificam de Regular a Bom e 24%, de Bom
a Excelente. Nas escolas privadas, em relação a essa questão,
34% dizem que a atuação docente vai de Regular a Bom e
63%, de Bom a Excelente.
"Essa é uma boa notícia, no momento que o MEC vem
se empenhando para valorizar os professores, pois um dos principais
caminhos para melhorar o desempenho do aluno é melhorar as condições
de trabalho dos docentes", afirma Luiz Araújo.
Quanto à infra-estrutura, a percepção não
é a mesma: nas escolas públicas 71% dos alunos afirmam
que as condições dos laboratórios variam de Insuficiente
a Regular; dos da rede privada, 34% qualificam esse item de Regular
a Bom e outros 34%, de Bom a Excelente. Apesar disso, cerca de um terço
dos estudantes da rede privada declararam que as condições
dos laboratórios estão na classificação
Insuficiente a Regular.
A pior avaliação é feita em relação
ao acesso a computadores e outros recursos de informática. Esse
aspecto, para 75% dos alunos de escolas públicas, está
entre Insuficiente e Regular. Nas escolas privadas, cerca de 32% dos
alunos afirmam o mesmo.
Uma questão que chama a atenção nas informações
declaradas pelos participantes do Exame diz respeito à relação
das escolas com as famílias. Ao serem indagados se o estabelecimento
de ensino leva em conta seus problemas pessoais e familiares, quase
50% dos alunos da rede pública classificaram este aspecto de
Insuficiente a Regular. O mesmo é confirmado por 24% dos estudantes
do sistema privado.
Quanto ao futuro, as perspectivas variam de acordo com o tipo de ensino
cursado. Enquanto 68% dos alunos da rede privada pretendem fazer vestibular
e continuar os estudos no ensino superior, essa é a opção
de 40% dos estudantes das escolas públicas. Da mesma forma, 15%
dos jovens provenientes de escolas públicas que fizeram o Enem
pretendem prestar vestibular e continuar a trabalhar, afirmação
de apenas 5% dos participantes que estudaram nas particulares.
Escolas
podem solicitar resultados
Os participantes do Enem estão recebendo o Boletim Individual
de Resultados. Nele, constam duas notas - uma para a parte objetiva
e outra para a redação - e, ainda, uma interpretação
dos resultados obtidos para cada uma das cinco competências avaliadas.
Os resultados individuais são sigilosos.
As escolas que tiveram mais de 90% de seus alunos matriculados na terceira
série do ensino médio, presentes ao Enem, poderão
solicitar um boletim com a média dos resultados do conjunto dos
seus estudantes. O documento pode ser solicitado pelo e-mail enem@inep.gov.br.
Este ano, em todo o País, 427 instituições de ensino
superior, sendo 52 públicas, utilizarão os resultados
do Exame em seus vestibulares.
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