| Professores
da Rede Pública querem maior poder de decisão Fonte: Agência USP de Notícias (Luigi Parrini) Para
a maioria dos professores da rede pública de ensino fundamental do estado
de São Paulo ouvidos numa pesquisa da Faculdade de Saúde Pública
(FSP) da USP em relação às temáticas de saúde,
meio ambiente e políticas públicas, não é possível
conceber uma escola transformadora e democrática se não se permitir
o envolvimento ativo dos docentes na elaboração de parâmetros
de ensino. "Eles se sentem meros executores no processo educativo, desamparados
pelo poder público e atores educacionais sem voz na formulação
de políticas que trabalhem estes temas", relata o educador ambiental
Elias Marques, autor do estudo. O educador realizou entrevistas com 29 professores de uma escola de ensino fundamental da cidade de São Paulo e fundamentou o trabalho na análise qualitativa dos depoimentos embasada no conceito de representações sociais e no método do Discurso do Sujeito Coletivo (DSC), que cria uma fala conjunta dos entrevistados e na observação do Programa Escola Promotora de Saúde. Com
a palavra, os professores O assistencialismo está presente, da mesma forma, como um dos elementos que impedem a escola pública de cumprir suas funções como instituição. Outras dificuldades foram relatadas: as condições socioeconômicas dos alunos, a carga horária exaustiva e a sobrecarga de funções dos docentes e métodos de ensino ou projetos e políticas públicas inexistentes ou inadequadas. Destacam-se as progressões continuadas, que anulam a possibilidade de o professor reprovar o aluno, mesmo se não houver evolução alguma no processo de aprendizagem. A lista de problemas ainda conta com a superlotação das salas de aula, o desrespeito entre os atores escolares (aluno, pai e professor) e a vulnerabilidade a eventos externos ("As aulas foram canceladas com a vinda do Papa ao Brasil", lembra Marques). O ponto principal para o pesquisador, no entanto, é o não-envolvimento do professor pelo poder público. "Cria-se um projeto para sensibilizar o professor, mas ele não atua em nenhuma etapa da concepção desse projeto", analisa. Marques também questionou os professores sobre as facilidades da escola pública. A maioria afirmou que não há facilidades, mas para alguns docentes, se comparada com a rede particular, existe maior respeito do professor pelo aluno, acesso aos atores escolares, estabilidade no cargo e liberdade pedagógica. O último fator, no entanto, "é uma faca de dois gumes", já que a liberdade no método de ensino, relata o educador, "é refém da boa vontade do professor". Questões
sócio-ambientais O educador diz que "todos os professores acham que o tema (meio ambiente) deve ser trabalhado em sala de aula". Os docentes sugerem maior contextualização local dos problemas relacionados à área, a inclusão das questões ambientais no currículo e a formação adequada do professor para possibilitar uma abordagem mais profunda. A sensibilização da comunidade local é outra medida apontada para o ensino ambiental ser mais bem aproveitado. A saúde é tratada por alguns professores como um tema de duas frentes, a profilaxia e o bem-estar, no qual só o primeiro deve receber grande atenção no processo pedagógico. A maioria, porém, defende uma ampla abordagem da saúde no currículo escolar, com destaque para a interdisciplinariedade, contextualização, participação da comunidade local e o apoio de especialistas. Muitos, entretanto, pensam que a escola não terá condições de estruturar e manter um projeto de tais proporções. 18/3/2008 |
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