| Alunos
lêem um livro por semana Fonte: MEC (Ana Guimarães)
Emanuele Schwab, aluna da oitava série do ensino fundamental, por exemplo, afirma que o que mais gosta de fazer não é assistir novelas, usar a internet tampouco jogar videogame. A garota, tímida, só solta a língua quando o assunto são os livros de literatura. "Eu nem sempre leio um livro por semana. Às vezes, leio dois e, se forem fininhos, chego a ler três", relata. Devoradora das letras, a adolescente é capaz de discorrer sobre todos os títulos da série de mistério do detetive Sherlock Holmes, do autor escocês Arthur Conan Doyle. Emanuele não é exceção. Na escola, na periferia de Prudentópolis, os adolescentes são unânimes. Para eles, não há nada melhor do que ler. A fila para empréstimo das obras é tão concorrida quanto a da cantina no horário do recreio. A sala na qual são guardados os títulos de literatura é chamada de biblioteca, mas não passa de uma extensão da sala dos professores. Lá, a movimentação de crianças e adolescentes não cessa. O
desempenho impressionante foi alcançado por meio de iniciativas simples
e baratas. Em todas as disciplinas, são reservados 15 minutos de aula para
que os alunos leiam gibis, revistas, artigos ou livros. Na aula de português,
os alunos têm, uma vez por semana, o direito de ir à biblioteca para
devolver, renovar ou tomar emprestados novos livros. "Dei um tempinho da
minha aula para que eles não precisassem enfrentar a fila da biblioteca",
conta Cecília Ito Staciu, professora de português. Ana Lúcia Makahaon, que também é professora de português, mistura arte a leitura. Ela incentiva o teatro entre os alunos. O título da obra, como é costume da política da escola, é de livre escolha. Os alunos reúnem-se, lêem livros diferentes e depois contam a história aos colegas. O livro mais interessante é eleito pela turma, que prepara um espetáculo teatral baseado na obra. Com o hábito de contar histórias, os professores conseguiram a façanha de fazer os alunos discutirem literatura naturalmente. "O que nós criamos aqui foi uma cultura na qual a literatura tem papel central", explica a diretora da escola, Terezinha Maia Oliveira. Como os alunos são habituados a ler, o ambiente gira em torno da leitura. É comum ver uma criança debruçada sobre algum título nos bancos do pátio. A escola é pequena e atende apenas 310 alunos. Em 2008, Emanuele Schwab terá de estudar em outra instituição, já que estará na primeira série do ensino médio. Para a estudante, essa é a única reclamação sobre a escola Padre Cristóforo Myskiv. "Vai ser muito triste ir embora daqui", diz. 19/12/2007 |
| |
| |