Que
os professores formam um conjunto muito numeroso todo mundo sabe.
Somente na rede oficial de São Paulo são mais de 200
mil, 100 mil concentrados na Capital e Grande São Paulo. Todo
mundo sabe, também, da luta dos professores, que já
dura décadas, para recuperar seus salários. O que estes
dados não mostram, porém, é uma imensa variedade
de situações, e que, mesmo com tudo o que se sabe sobre
a necessidade de valorização salarial, os professores
fazem parte de um grupo com muitos e diferentes apoios sociais e familiares,
o que nega a suposição de muitos de que se trate de
baixo extrato social. Exemplo disso é o fato de que os professores
são descendentes de famílias (mais de 80%) que moram
em casa própria. Aliás, dentre os próprios professores,
apenas 15% moram em casa alugada: 61% moram em casa própria,
9% em casa cedida e 15% com os pais.
Estes dados constam de 22 mil questionários, respondidos pelos próprios professores (da rede estadual), em trabalho realizado pela Estudo, Estratégia e Informação, empresa com muita experiência junto ao setor e com vários projetos realizados com sucesso junto ao professorado. Dentre os vários segmentos que compõem o professorado, por exemplo, está um nada desprezível número de 41,4 mil, ou seja, 20,72%, que já têm computador em sua residência.
Segundo
critérios da ABA Associação Brasileira
de Anunciantes, 71% dos professores pertencem à classe B, uma
vez que, nos domicílios destes, 25% têm empregada doméstica
fixa, 99% possuem TV a cores, 89% têm pelo menos um vídeo-cassete,
81% pelo menos um carro e 30% dois ou mais. Voltando-se para aspectos
que não constituem novidade, mas que merecem destaque: 80%
são do sexo feminino, 75% estão entre 20 e 44 anos de
idade, 100% têm férias duas vezes por ano e, são
100% formadores de opinião!
Quanto à renda familiar, é um dado importante o fato de que apenas 16% dos professores são o único salário da família e que, dos casados, 75% o são com profissionais não manuais, o que significa dizer profissões que requerem algum grau de instrução. Assim, 31,86% têm renda familiar entre R$1.000,00 e R$1.500,00 e 26%, ou seja, mais de 50 mil dos 200 mil professores da rede pública, têm renda familiar entre R$1.500,00 e R$ 2.500,00, enquanto 13% têm renda superior a R$ 2.500,00.
| 80% são do sexo feminino
75% estão entre 20 e 44 anos de idade
100% são formadores (as) de opinião |
Ascender socialmente
Estes dados a respeito desta categoria tão aguerrida nas lutas salariais se devem à própria essência da profissão. Normalmente, os professores vêm de famílias que valorizam a Educação, de forma a que os filhos freqüentem uma universidade, investindo algum recurso ou sacrifício para isso. 44% dos professores, por sua vez, têm filhos entre 7 e 17 anos e estão muito preocupados com o futuro dos mesmos, procurando dar-lhes estudo e formação adequados. Além de tudo o que já se sabe sobre a profissão, acrescente, portanto, mais esta: ser de família de professores, especialmente em momento de valorização da educação pessoal, pode significar também ter tendência a ascenção social.
Este
esforço é marca também de profissionais que se
preocupam com a sua capacitação profissional, sendo
que 68% dos entrevistados já fizeram cursos para tal. Além
disso, 87% afirmam que gostariam de participar de grupos de estudo
ou capacitação e 80% conciliariam estudo com trabalho.
Confirmando sua preocupação com o aprendizado, 40% gostariam
de participar de atividades voltadas para equipar as salas de aula
com TV e Vídeo. Por ser uma profissão ligada à
escolaridade, o magistério, porém, reflete a exclusão
dos negros na sociedade brasileira, com 87% de professores brancos.
Como hobby e lazer, professores e professoras gostam mesmo é de leitura (65,44%), apreciam música (49,25%), assistem esportes na televisão (36,52%), vão ao cinema (34,87%) e eventos culturais em geral (32,06%), são apreciadores de cine-vídeo (31,81%), enquanto 28,66% preocupam-se com a saúde, 23,28% gostam de culinária, 22,37% se interessam por animais domésticos e 21,74% por turismo.
E o que é mais importante: 70% têm essa profissão por razões vocacionais, porque gostam de lidar com crianças e adolescentes. Na maioria das vezes, afirmam que nasceram para lecionar. A maioria deles, 70%, não gostariam ou não pretendem deixar a docência.