Fundação Heydenreich é exemplo de como usar a informática como ferramenta pedagógica

Todo mundo sabe que as novas tecnologias precisam ser incorporadas à educação porque fazem parte do dia-a-dia das pessoas e estão presentes nas mais variadas áreas da sociedade. Porém, na escola pública, que deveria ser um dos primeiros cenários da inclusão social, infelizmente, nem todos - professores e alunos - têm amplo acesso à informática.

A Fundação Heydenreich parte do princípio de que democratizar a informática não é mais uma opção e sim uma obrigação e desenvolve, desde 1999, um trabalho exemplar de inclusão digital em escolas públicas e entidades sociais na Grande São Paulo, que vem crescendo silenciosamente.

Ao observar como a informática é usada em algumas escolas particulares, a equipe da Fundação perguntou-se:
É possível uma escola pública aprimorar a formação educacional dos seus alunos através da informática?
Se uma assistência estrutural não é suficiente como estabelecer uma conscientização da direção da escola, capacitação dos professores e uso sistemático dos laboratórios, na prática?
Como desenvolver e executar um projeto piloto voltado às escolas públicas, levando-se em conta a realidade da estrutura e corpo docente?
Pode-se aplicar a informática na alfabetização e ensino para crianças de 1a a 4a série?
Como formar jovens de 7a e 8a séries de escolas públicas, em técnicos de informática, através de cursos anuais, e ajudar na conquista do 1º emprego?
Quais são os resultado práticos e os obstáculos desta experiência?

Para responder a essas questões, a Fundação Heydenreich, consultou especialistas na área e criou em 2000 um projeto piloto: o Programa Navegar é Preciso.

Esse programa reúne números impressionantes sobre inclusão digital. São 45 escolas públicas atendidas em São Paulo e Osasco, 688 educadores e seus alunos atendidos, além de 135 jovens formados através de cursos técnicos. Seus principais objetivos são:
Viabilizar a informática na escola, por meio da capacitação de educadores, formação e manutenção de monitores, assessoria técnica e pedagógica e procura de parcerias para a implementação de laboratórios de informática nas escolas participantes do programa.
Possibilitar aos alunos e educadores de escolas públicas o acesso às novas tecnologias de informação e comunicação, seu uso consciente e sua apropriação crítica.
Criar, avaliar e sistematizar uma metodologia de uso da tecnologia na educação.

O Programa atua em dois projetos:
Capacitação de Educadores em Informática Educacional
Programa para desmistificar o computador, apresentando conhecimentos básicos da informática. Na segunda fase enfatiza o desenvolvimento de projetos pedagógicos com o uso da informática como ferramenta de ensino. São 37 escolas inscritas no projeto em São Paulo e Osasco.
Formação de alunos-monitores e técnicos em Informática
A formação de alunos monitores tem como objetivo inicial a atuação no laboratório de informática da escola e também prepara para o mercado de trabalho. Duração: 8 meses, seguindo o calendário escolar. O projeto já formou 260 jovens. Em 2004, outros 120 concluirão o curso.

Começou-se o trabalho já com a consciência de que não basta instalar microcomputadores nas escolas públicas. É preciso um trabalho constante junto aos educadores para a utilização da informática como um recurso pedagógico, usando o computador de forma significativa, de acordo com a realidade do aluno. O cuidado no relacionamento entre o educador, o computador e o aluno pode ser visto como um diferencial na atuação da Fundação em escolas públicas.

Segundo o diretor executivo, Dietmar Heydenreich, "é preciso que alunos e professores extrapolem a função instrumental do computador e passem a irradiar conhecimento através dele". Para isto, computadores conectados em rede e softwares são instrumentos técnicos imprescindíveis. Mas são apenas isso, suportes técnicos às atividades a serem realizadas a partir deles".

A coordenadora de projetos da Fundação, Daniella Michel, explica que "os professores da rede pública que integram as iniciativas podem ser divididos em dois grandes grupos: o primeiro, dos que estão familiarizados com os micros, mas não sabem como utilizá-los em sala de aula. O segundo, dos que nunca chegaram perto da máquina, têm medo, mas não querem (nem podem) ficar para trás". Transformar essa situação envolve mudanças na formação e valorização dos professores e a formação de uma cultura do ensino e aprendizagem através do computador.

"Portanto, inclusão digital significa criar oportunidades para que os aprendizados feitos a partir dos suportes técnicos digitais possam ser empregados no cotidiano da vida e do trabalho", conclui o diretor executivo da Fundação.

Já foram concluídas algumas etapas do Projeto Piloto e a Fundação se empenha neste ano na documentação de todo o processo, com um livro que deve ser publicado no final de 2004.

Sobre a Fundação
Nascida em 1929, do sonho de quatro irmãos, imigrantes alemães, desde 1998 a Fundação dedica-se a apoiar entidades assistenciais ligadas à Igreja Evangélica Luterana onde instala e mantém laboratórios de informática para crianças e jovens e, a partir dessa experiência, passou a atender escolas públicas da periferia da Grande São Paulo, proporcionando às crianças, adolescentes menos favorecidos e professores da rede pública municipal o acesso à tecnologia da informação.


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