Teatro favorece aprendizagem de matemática no Pará

 

"A separação da produção do conhecimento acadêmico em áreas de exatas e humanas criou uma separação irreal na produção do saber, distanciando-o da realidade", afirma o professor João Batista Nascimento, do Departamento de Matemática da Universidade Federal do Pará (UFPA).

Segundo o pesquisador, a utilização dos recursos da linguagem teatral possui alto poder de fixação de conceitos e grande teor lúdico e contribui para atrair o interesse e curiosidade dos alunos, criando um ambiente favorável à aprendizagem e superando o temor comum que as operações matemáticas costumam registrar nas histórias escolares de muita gente.

Mestre pela Universidade Federal do Ceará, pesquisador de Matemática Pura e Metodologias de Ensino Matemático, João Batista Nascimento acredita que as metodologias tradicionais, utilizadas em muitas salas de aulas, geram verdadeiro temor nos alunos em relação à matéria. "Nossa experiência de trabalho e pesquisas provam que a aprendizagem da matemática pode ser prazerosa. As crianças nunca têm problemas em absorver as novidades. Nós é que, na maioria das vezes, não nos preocupamos em inventar novos métodos", diz Nascimento.

"De forma resumida, a nossa metodologia consiste em identificar, pesquisar e estudar os elementos e conceitos de matemática e os temas transversais envolvidos na peça. Depois disto, são definidas sessões de leitura e de construção do texto, das falas, dos diálogos e adaptações, que levarão em conta o público-alvo da apresentação, o rigor dos conceitos matemáticos, aprofundamentos da aprendizagem, conceitos e pesquisa matemática, inclusive para ampliações e generalizações", afirma João Batista.

Pelos registros históricos, antigamente a aprendizagem era em escala reduzida e não havia salas de aula como hoje conhecemos. Chegava a ser semelhante às apresentações teatrais, com professores performáticos e alunos participativos. "Sendo ao ar livre, só assistia à aula quem quisesse aprender. Hoje, gastamos recursos para obrigar à assistência os alunos e, depois de quatro ou cinco anos de estudos, registramos uma aprendizagem pífia. Logo, sacrificamos a liberdade das nossas crianças em troca de quase nada e mesmo que fosse por tudo, nunca deveria ocorrer. Educação só começa quando a plenitude da liberdade é conquistada", acredita o pesquisador.

Parte das pesquisas do professor João Batista foi realizada com crianças carentes do Bairro Guamá, em Belém. Foi possível registrar o nível de alegria e participação espontâneas dos alunos nas atividades da metodologia desenvolvida. "Nossa expectativa é a de que o ensino de matemática possa ser feito com alunos sorridentes e felizes. A escola não tem só que ensinar. Tem que ajudar na felicidade dos alunos", acredita o professor.

A peça, intitulada De ponto em ponto formamos..., possui atos com nomes como Oh! Sujeito quadrado; Triângulo Amoroso; Um Círculo Vicioso; Tem que andar na linha e Ponto Finalmente. Ela faz parte do projeto Matemática & Teatro - da construção lúdica à formalização, criado pelo professor. "É inconcebível que uma criança estude matemática durante 12 anos e ainda se sinta amedrontada diante de uma raiz quadrada", explica João Batista. E acrescenta: "Um dos erros cometidos pelos educadores é não pensar em adequar os conteúdos a uma forma mais simples da criança aprender. Por isso é que cada apresentação da peça é essencialmente construída pelo aluno. Eu os considero portadores e executores natos do lúdico".

Mais informações sobre o projeto podem ser conseguidas na página da UFPA na internet.

Fonte: Imprensa MEC (José Leitão)

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