Projeto da Unifesp prepara jovens carentes da zona sul para o mundo do trabalho

Nas manhãs de sábado, uma equipe de profissionais da Unifesp desloca-se até a Cidade Dutra, na zona Sul da capital paulista, para encontrar um atento e animado grupo de adolescentes e adultos com uma mesma idéia fixa: entrar e se manter no mercado de trabalho. Nesses encontros, que duram cinco horas e acontecem durante um semestre, os participantes recebem orientações sobre técnicas administrativas: como elaborar um currículo, como se portar numa entrevista para emprego, dicas de relações humanas no ambiente profissional, entre outras.

Estes jovens, adultos e profissionais integram o Projeto de Integração e Reintegração do Adolescente, Jovem e Adulto e Desenvolvimento Ocupacional (Projeto Pirado), programa social ligado à Pró-Reitoria de Extensão (Proex) da Unifesp, implementado a partir de 2003 e que, em 6 de agosto, realiza a formatura de sua quarta turma.

O projeto, que já beneficiou a mais de uma centena de pessoas, aborda a inserção, permanência e instabilidade do mercado de trabalho, discutindo temas atuais - como empregabilidade, atendimento ao cliente, comunicação, administração do estresse, qualidade de vida, motivação, globalização, ética, legislação trabalhista - que visam o desenvolvimento cognitivo e técnico, possibilitando o exercício de uma consciência crítica e construtiva, conforme explica a pedagoga Yara Ferreira Marques, atual coordenadora do Projeto.

Com cerca de cem pessoas na fila de espera, um das principais metas da equipe do Projeto Pirado - formada por Carlos Alberto Paulon Junior, Eduardo Pereira de Lira, Claudia de Lima Mariano, Carlos Francisco dos Santos Junior e Yara Ferreira Marques - é obter mais colaboradores e intensificar o foco no resgate da auto-estima, característica inexistente na maioria dos alunos quando iniciam as aulas.

Acompanhar cada história

Walter Manna Albertoni, pró-reitor de Extensão da Unifesp, avalia que a iniciativa atingiu um grau de maturidade que justifica um apoio ainda maior. Entre as novidades que acontecem em 2006, uma das mais significativas é a abertura da segunda turma no ano, até para atender a demanda existente. A instituição estuda a possibilidade de formatar o curso em módulos e reproduzi-lo nas cidades onde mantém campi, como Santos, Diadema e Guarulhos.

Outra mudança importante é que o projeto passa a receber supervisão acadêmica do Centro de Desenvolvimento do Ensino Superior em Saúde (CEDESS). Nessa perspectiva, uma das metas será acompanhar os egressos e avaliar o percentual daqueles que efetivamente conseguem ingressar no mercado de trabalho, acompanhando sua trajetória. "Ao mesmo tempo, vamos mapear a vizinhança e buscar uma aproximação com os comerciantes e empresários da região, para tentar inserir os alunos no mercado", planeja Albertoni.

Campus Santo Amaro

A história do Projeto Pirado é emblemática para descrever como a interação entre sociedade e meio acadêmico pode ser vantajosa para todos os envolvidos. A parceria nasceu do contato da equipe com o trabalho de movimentos sociais da Cidade Dutra, que tinham como ponto de encontro uma escola pública então dirigida por Carlos Gianazzi, que é vereador (atualmente sem partido) em São Paulo.

Essa aproximação com movimentos sociais levou a uma demanda espontânea dos moradores por uma presença mais institucional da Unifesp na região. Em outubro de 2005, essa movimentação desencadeou a doação pela Prefeitura de um terreno de 15.834 m2, localizado à avenida Padre José Maria, s/no, em Santo Amaro. Ratificada pela Câmara dos Vereadores em maio de 2006, a doação dará origem a um novo campus da Unifesp na capital até 2008, que será o primeiro de uma instituição pública na zona Sul.

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