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A moda que se ensina nas escolas é acessível?

postado em 23 de nov de 2018 05:23 por ANA PAULA LOPES VIEIRA PAIVA   [ 30 de nov de 2018 17:15 atualizado‎(s)‎ ]

Você se importa em estar sempre na moda? E o que é estar na moda para você? Bem, nós, profissionais do setor, temos uma visão bastante crítica sobre a produção de moda, mas sabemos que a sociedade tem posturas diferenciadas com relação a esse segmento que movimenta uma imensidão de profissionais e milhões e milhões de dólares/ano.

O que se ensina numa faculdade, por exemplo, é a moda de ponta: a preocupação com a criação e com a originalidade, sem perder de vista a grande massa. Por isso, às vezes, o lançamento da moda parece não acessível à grande maioria da sociedade, pois tudo o que é novo tem um período de assimilação e aceitação. No Brasil, por exemplo, o ciclo de moda se inicia e leva, em média, cinco anos para concluir seu trajeto. Quando alcança total assimilação, a moda se massifica e passa a ser aceita. O caminho é bastante longo. Para se ter uma idéia de como a moda varia de pessoa para pessoa, damos aqui algumas estatísticas:

5% são lançadores de moda – são as pessoas antenadas que provocam reações na sociedade pela sua originalidade. Fazem a moda desencadeando todo o processo de industrialização, comercialização etc. São eles os estilistas, criadores, fotógrafos, produtores, modelos. Freqüentam lugares lançadores de moda, como danceterias, restaurantes, clubes, festas etc. Isso se refere à atitude e não à classe social. As palavras-chave são criatividade e originalidade.

25% são seguidores de moda – grupo consumidor que aguarda com ansiedade o lançamento da moda nas principais lojas de marca dos shoppings. São pessoas que têm um poder aquisitivo mais elevado. Se preocupam em estar na moda e em usar o que está na revista e nas vitrines.

60% formam a massa de consumidores – é onde a moda acontece e se consagra.

É quando a moda chega nos grandes canais de distribuição.

10% são considerados os fora de moda – são os consumidores que não se importam com moda, que não consomem moda e preferem garantir um estilo próprio. Depois de ler esses dados, você pode até voltar a se perguntar o que é estar na moda. Esta resposta é muito íntima, mas se você se encaixa em algumas dessas estatísticas, fique tranqüila, pois faz parte da grande parcela incluída e aceita na sociedade, seja qual for a sua escolha para o que vestir. Em dia com a moda.

Você sabia?

Que o mais novo modelo de soutien tem bojo com material de alta tecnologia que substitui o silicone e cria o mesmo efeito visual? Em tempos de supervalorização dos seios, as seguidoras da moda já podem contar com mais essa alternativa a um custo viável.

A calça Jeans era toda importada. O primeiro tecido Jeans no Brasil só passou a ser fabricado em 1970. De lá para cá, a revolução da calça Jeans chegou a tal ponto que hoje fabrica-se 130 milhões de calças Jeans, sendo 100 milhões só para a grande massa de consumidores. Somente 20 milhões é que são consumidas pelos seguidores de moda.

Que o primeiro Twin set foi usado na década de 50 com o aparecimento dos fios sintéticos. Hoje, os tais “conjuntinhos” fazem parte de todas as coleções de grifes. Além disso, passou a ser consagrado pela grande massa, fazendo parte de várias coleções.

Raquel Valente é professora/coordenadora do Curso de Pós-Graduação em Moda e Criação da Faculdade Santa Marcelina (FASM)

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