Moda

A moda retrô

postado em 29 de nov de 2018 16:36 por ANA PAULA LOPES VIEIRA PAIVA

Já faz algum tempo que a moda busca inspiração em épocas passadas. Desde a primeira guerra mundial, quando o trabalho feminino começou a se fazer presente, os espartilhos caíram e roupas mais práticas tomaram seu lugar; as saias subiram e desceram várias vezes, foram largas, justas, evasés, godês, plissadas. A moda evolui como evoluiu a imprensa, o consumo, a mídia. Ela não mente a realidade, antes interpreta-a.

O que se tem hoje é um padrão bastante livre. Cada pessoa pode encontrar seu próprio estilo, pois as propostas são muitas. Hits de outras épocas pedem passagem, como as sandálias de plataforma, preferidas de CarmemMiranda, que voltaram com força total há alguns verões. Os sapatos de biquinho aberto eram típicos na época da segunda guerra e estão aí novamente. As calças cigarrete surgiram nos anos 50 e ressurgiram ano passado.

Quem anda ligado nos movimentos das cores e tecidos, percebe que algumas vitrines, principalmente as de lojas cujas roupas atingem um público mais jovem, estão com um certo ar retrô. Os bijoux de contas de cristal e miçangas aparecem até em vitrines mais clássicas. Os bordados em roupas e bolsinhas de mão, as bolsas de crochê, tudo isto já foi visto há 30 anos atrás.

E a estrela guia a moda

Não é novidade que novelas ditam moda. Estrela-Guia está promovendo uma volta ao visual hippie. Sandy, a atriz-cantora que interpreta Cristal, personagem principal da história, já tem grande identificação com o público adolescente. Agora, tudo o que ela usa na novela virou moda, principalmente os acessórios. Uma rápida volta pelo centro de São Paulo comprova isto. As fervilhantes lojas de bijuterias da rua 25 de Março, nas quais muitas lojas de shoppings do Brasil inteiro se abastecem, todas têm para vender a pulseirinha, o brinquinho ou o colarzinho da Cristal. Algumas vezes com a foto da garota ilustrando a embalagem.

Ao Mestre com Carinho foi à rua ver isto de perto. Descobrimos, dos shoppings às ruas do centro da cidade, lojas que vendem roupas, acessórios e objetos de decoração inspirados no Oriente, mais precisamente na Índia, a grande musa da moda dos anos hippies. O colorido e a exuberância são de encher os olhos. E ao contrário da moda dos grandes estilistas, para os quais é preciso ter uma altura e um peso x, a moda hippie não é excludente, qualquer pessoa pode usá-la, já que a grande maioria das roupas é tamanho único, com elásticos ou cordões para amarrar. É, no mínimo, um deleite para o olhar, que nós temos o prazer de dividir com você.

Veja as lojas

Ananda

Loja presente nos Shoppings Light, Interlagos e Tatuapé, a Ananda é organizada, as roupas ficam todas bem visíveis em prateleiras ou araras, os bijoux são organizados, os provadores adequados. Os vestidos variam de R$ 29,00 a R$ 52,00, as saias de R$16,00 a R$ 29,00. Camisetas com estampas de deuses indianos saem por R$26,00 e bolsas variam de R$ 28,00 a R$ 35,00. É especializada em roupas, mas tem alguns objetos de decoração. É a mais indicada para quem gosta de comprar com tranqüilidade e todos os confortos típicos de uma loja de shopping center.

Ananda: Shopping Light (ao lado do Viaduto do Chá), 2º piso, loja 108, Centro – São Paulo. F: (11) 256.9301

Bazaar Índia Bali México e África

Esta loja é bem diferente da primeira. Seus principais clientes são turistas e hóspedes de um grande hotel, localizado ao lado. Além de roupas, lenços, sapatos e muitos bijoux, a loja ainda vende incensos, velas, uma infinidade de produtos esotéricos, como gnomos, bruxinhas, muitos artigos de decoração provenientes dos quatro países que lhe emprestam o nome, caixinhas de madeira ou papel maché com estampas de lua ou sol, bindis (adesivos para colocar na testa, na região chamada terceiro olho) por R$1,00 a R$ 3,00, anéis de R$5,00 a R$ 95,00, pulseiras a partir e R$1,00, vestidos a partir de 39,00, camisetas com estampas de deuses por R$ 25,00, saias por R$ 30,00

Bazaar Índia Bali México e África: Av. São Luiz, 282, Centro – São Paulo

Casa Shiva

Em dois endereços, ambos na rua 25 de Março, no coração de São Paulo, a loja é uma profusão de cores e clientes. Como todas as lojas da região, sua especialidade é a venda por atacado, mas vende também para varejo. É muito comum encontrar gente de outros estados, comprando para abastecer seus comércios. Não espere organização nem tranqüilidade, porque isto é impossível na 25 de março. A loja está sempre cheia, é pequena para a quantidade de coisas que vende, super apertada. A vantagem está no preço. Se você se animar a visitá-la, poderá encontrar produtos por até metade do preço de outras lojas. Esteja atenta à qualidade das peças, pois ela varia dos tecidos bem simples aos mais refinados, cheios de bordados. Mas há verdadeiros achados. As bolsinhas de tecido adamascado, super na moda, saem por R$5,00 e não deixam nada a dever às encontradas pelo dobro do preço em shoppings. Há batas de R$ 10,00 a R$ 28,00, saias de R$ 5,50 a R$ 38,00 e vestidos de R$ 18,00 a R$ 55,00. As camisetas com estampas de deuses indianos saem por R$ 20,00. Incensos e pulseiras a R$1,00. Preste atenção nas maletas de mão, lindas, com jeito de antigas, cujo charme compensa o preço.

Casa Shiva

Rua 25 de Março, 640 Centro, São Paulo – SP

Rua 25 de Março, 641, loja 2, Centro, São Paulo – SP - F: (11)3315.8192

Hanna Moon

As duas unidades da loja têm simplesmente tudo o que se possa imaginar em bijuterias, objetos de decoração e acessórios da linha indiana. A loja é indescritível, das prateleiras ao teto é repleta de anéis, colares, pulseiras, tornozeleiras, lenços, sáris, luminárias, fantoches, móbiles e uma infinidade de artigos que a fazem parecer um bazar marroquino. Preços de atacado para quem comprar acima de R$ 100,00. Há porta-jóias e lenços belíssimos a partir de R$ 10,00, sáris com tamanhos e bordados variados (alguns tem até 5m de tecido) de R$50,00 a R$200,00, bolsinhas de matelassê bordadas por R$18,00, capas de almofadas por R$12,00, luminárias de tecido por R$45,00 e bindis a partir de R$ 2,00. O tamanco igual ao da Sandy sai por R$40,00. Vale a pena conhecer este endereço, mesmo que seja só para encher os olhos, pois dificilmente tanta variedade de produtos será encontrada em um mesmo local.

Segundo Mary, a simpática vendedora que nos atendeu, muitos artigos do figurino de Cristal foram adquiridos nesta loja.

Hanna Moon

R. 25 de Março, 641/ 1º andar, sala 102, Centro – São Paulo F: (11) 227.6818-3313.6568

R. Comendador Abdo Schahin, 62, lj 03, Centro – São Paulo – SP F: (11)3313.1862 – 229.0756

(a Comendador Abdo Schahim é uma rua paralela à 25 de Março

A Personalidade e a Moda

postado em 27 de nov de 2018 02:46 por ANA PAULA LOPES VIEIRA PAIVA   [ 30 de nov de 2018 17:16 atualizado‎(s)‎ ]

A moda pode ser o reflexo do comportamento num dado momento e lugar, é um organismo vivo e dinâmico que a cada estação se renova tendo uma tendência para se usar determinadas cores, matérias e shapes (silhuetas) que podem variar com o modo de expressão de cada criador.

Do mesmo modo que as correntes artísticas, ou ainda, correntes musicais, na moda existem trabalhos com conceitos que possuem uma linguagem mais fácil/direta de ser compreendida, e outros, que já precisam de um tempo para ser assimilados, por muitas vezes estarem inovando em algum padrão estético.

O desejo crescente de uma individualidade, autenticidade, conforto e preço, fez com que surgissem avanços tecnológicos, entre eles tecidos que esquentam no frio e esfriam no calor, tecidos antialérgicos, tecidos com alta absorção de calor, tecidos feitos com elastano que permitem conforto e não amassam, tecidos rústicos que quando tocamos são macios – porém, quem vai decidir a função da roupa é o próprio consumidor, de acordo com seu estilo, modo de vida e poder aquisitivo. Diante desse contexto, o papel dos educadores nessa área é dar parâmetros conceituais e estéticos aos estudantes para que possam identificar os novos anseios da sociedade para transformá-los em moda: roupas, acessórios, maquiagem...

Elaine Milani, professora de Estilismo da Faculdade Santa Marcelina

A moda que se ensina nas escolas é acessível?

postado em 23 de nov de 2018 05:23 por ANA PAULA LOPES VIEIRA PAIVA   [ 30 de nov de 2018 17:15 atualizado‎(s)‎ ]

Você se importa em estar sempre na moda? E o que é estar na moda para você? Bem, nós, profissionais do setor, temos uma visão bastante crítica sobre a produção de moda, mas sabemos que a sociedade tem posturas diferenciadas com relação a esse segmento que movimenta uma imensidão de profissionais e milhões e milhões de dólares/ano.

O que se ensina numa faculdade, por exemplo, é a moda de ponta: a preocupação com a criação e com a originalidade, sem perder de vista a grande massa. Por isso, às vezes, o lançamento da moda parece não acessível à grande maioria da sociedade, pois tudo o que é novo tem um período de assimilação e aceitação. No Brasil, por exemplo, o ciclo de moda se inicia e leva, em média, cinco anos para concluir seu trajeto. Quando alcança total assimilação, a moda se massifica e passa a ser aceita. O caminho é bastante longo. Para se ter uma idéia de como a moda varia de pessoa para pessoa, damos aqui algumas estatísticas:

5% são lançadores de moda – são as pessoas antenadas que provocam reações na sociedade pela sua originalidade. Fazem a moda desencadeando todo o processo de industrialização, comercialização etc. São eles os estilistas, criadores, fotógrafos, produtores, modelos. Freqüentam lugares lançadores de moda, como danceterias, restaurantes, clubes, festas etc. Isso se refere à atitude e não à classe social. As palavras-chave são criatividade e originalidade.

25% são seguidores de moda – grupo consumidor que aguarda com ansiedade o lançamento da moda nas principais lojas de marca dos shoppings. São pessoas que têm um poder aquisitivo mais elevado. Se preocupam em estar na moda e em usar o que está na revista e nas vitrines.

60% formam a massa de consumidores – é onde a moda acontece e se consagra.

É quando a moda chega nos grandes canais de distribuição.

10% são considerados os fora de moda – são os consumidores que não se importam com moda, que não consomem moda e preferem garantir um estilo próprio. Depois de ler esses dados, você pode até voltar a se perguntar o que é estar na moda. Esta resposta é muito íntima, mas se você se encaixa em algumas dessas estatísticas, fique tranqüila, pois faz parte da grande parcela incluída e aceita na sociedade, seja qual for a sua escolha para o que vestir. Em dia com a moda.

Você sabia?

Que o mais novo modelo de soutien tem bojo com material de alta tecnologia que substitui o silicone e cria o mesmo efeito visual? Em tempos de supervalorização dos seios, as seguidoras da moda já podem contar com mais essa alternativa a um custo viável.

A calça Jeans era toda importada. O primeiro tecido Jeans no Brasil só passou a ser fabricado em 1970. De lá para cá, a revolução da calça Jeans chegou a tal ponto que hoje fabrica-se 130 milhões de calças Jeans, sendo 100 milhões só para a grande massa de consumidores. Somente 20 milhões é que são consumidas pelos seguidores de moda.

Que o primeiro Twin set foi usado na década de 50 com o aparecimento dos fios sintéticos. Hoje, os tais “conjuntinhos” fazem parte de todas as coleções de grifes. Além disso, passou a ser consagrado pela grande massa, fazendo parte de várias coleções.

Raquel Valente é professora/coordenadora do Curso de Pós-Graduação em Moda e Criação da Faculdade Santa Marcelina (FASM)

1-3 of 3