Perguntas e respostas sobre a questão Israel X Palestina

A Profª Geralda Braga*, colaboradora desta seção, tem recebido de nossos internautas muitas perguntas sobre a questão Israel x Palestina, que ela respondeu e nós, agora, apresentamos a você, compiladas.

1) Sobre a convivência entre judeus e palestinos antes da criação do Estado de Israel. 5) Sobre o racismo e discriminação contra os árabes-palestinos.

2) Sobre a porcentagem de árabes-palestinos na Palestina antes da Segunda Guerra Mundial.

6) Sobre a origem histórica dos povos.

3) Sobre a propriedade das terras da Palestina compradas pela Agência Judaica.

7) Sobre a guerra.

4) Sobre a Declaração Balfour.


1) Sobre a convivência entre judeus e palestinos antes da criação do Estado de Israel.
A questão Palestina remonta há séculos, mas, para resumir, quando os judeus perseguidos na Europa decidiram, no Congresso Sionista, liderado por Herlz no final do século 19, criar um Estado Judeu que os protegesse, "recordaram-se" da promessa feita a Abraão sobre a "Terra Prometida" e resolveram que o Estado Judeu seria na Palestina.

Em 1929 foi criada a Agência Judaica Mundial, um organismo internacional sediado em Londres e financiado por judeus milionários do mundo inteiro, com o objetivo de comprar terras na região da Palestina, fundando colônias, principalmente as fazendas coletivas chamadas "Kibutzin". Até por volta de 1920, essa "colonização" se dava de forma lenta, discreta, e não incomodava o povo palestino que vivia lá, conviviam bem. A partir da década de 20 essa colonização se intensificou na proporção em que se intensificou a ambição política de seus líderes.

Formaram-se a Haganah (auto-defesa) e o Stern . A primeira, uma organização paramilitar para garantir a segurança dos colonos, tolerada pelos ingleses, e o segundo, um grupo "terrorista", uma espécie de exército clandestino, (mais tarde, em 1942, formou-se a Irgun, uma dissidência da Haganah). Cada vez chegavam mais colonos trazidos por esses grupos, especialmente pela Haganah.

Foi a partir dessa época que se iniciaram os conflitos entre os árabes palestinos e os colonos judeus.

Agora vamos ver o outro lado, o lado dos palestinos. Algumas pessoas perguntam se havia uma Palestina que convivia, de certa forma bem, com o povo judeu que lá estava.

Não eram os judeus que viviam lá e sim os árabes-palestinos. Os judeus chegaram depois. A parte da Palestina chamada hoje de Cisjordânia é a antiga Terra de Canaã ou Cananéia e a atual Faixa de Gaza é a antiga Terra dos Filisteus ou Filistéia, "Falestin", de onde se originou o nome Palestina. O povo cananeu e o povo filisteu eram os mais importantes entre os originários da Terra Prometida, há cerca de 3 mil anos a.C. Essa terra foi invadida pacificamente pelo povo hebreu liderado por Abraão. Houve convivência pacífica e miscigenação entre hebreus e cananeus, mas nunca com os filisteus, como conta a Bíblia.

A segunda "invasão" hebraica, após o cativeiro no Egito não foi pacífica, aliás, foi cruel. Segundo conta a Bíblia, sob as ordens de Josué e a região foi dominada pelos hebreus.

Houve uma época em que o reino foi dividido em dois - Judá e Israel - e mais tarde unificado sob o nome de Israel, daí a denominação de "judeu" e "israelita" para um mesmo povo ("israelense" é o cidadão do Estado de Israel, criado após 1948).

Depois, a região foi dominada pelos romanos, pelos árabes-muçulmanos, pelos cruzados e pelos turco-otomanos (também muçulmanos) e após a Primeira Guerra Mundial foi "doada" aos ingleses. O povo palestino sempre existiu na Palestina, é uma mistura dos vários povos nativos, com a predominância dos filisteus, e que adquiriu as características árabes durante a dominação árabe-muçulmana, a partir do século Vl, e também a religião muçulmana.

Ao contrário do povo nativo, o palestino, os judeus não estiveram o tempo todo na Palestina. Sofreram duas grandes diásporas, a última no ano 137 de nossa era, sob o domínio romano.

A ausência do povo judeu da Palestina soma mais de 1.800 anos. A questão é que o povo nativo nunca teve um governo próprio, sempre invadido e dominado por outros povos, a única ligação que havia era a religião, por isso havia líderes religiosos em Jerusalém e contato com países árabes vizinhos.

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2) Sobre a porcentagem de árabes-palestinos na Palestina antes da Segunda Guerra Mundial.
Imediatamente antes da Segunda Guerra Mundial, havia cerca de 90% de palestinos quando a Haganah e a Stern começaram a agir, aterrorizando a população com seus métodos violentos, expulsando-os das terras e trazendo cada vez mais colonos judeus. A situação adquiriu maior gravidade com a perseguição nazista aos judeus na segunda metade da década de 30.

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3) Sobre a propriedade das terras da Palestina compradas pela Agência Judaica.
A maior parte das terras pertencia a milionários árabes que viviam fora da Palestina, especialmente na Arábia Saudita, e que não tiveram quaisquer escrúpulos em vendê-las à Agência Judaica. Com isso, os camponeses palestinos ficaram sem terras para cultivar. Além disso, nas fazendas coletivas judaicas só eram aceitos trabalhadores judeus. A fome começou a bater na porta dos palestinos e iniciaram-se os conflitos com os colonos judeus, na década de 20.

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4) Sobre a Declaração Balfour.
A Liga das Nações, criada após o armistício de 1918, entregou à Grã-Bretanha o Mandato sobre a Palestina, anteriormente sob o domínio do império Otomano. Durante o Mandato Britânico foi assinada a Declaração Balfour, um documento que atendia ao pedido do Movimento Sionista, por meio da Agência Judaica, e que garantia a criação "um lar nacional para os judeus, dentro da Palestina".

A Declaração só tinha duas cláusulas e era muito vaga. A primeira cláusula dizia que a Grã-Bretanha se comprometia a apoiar um Lar Nacional Judeu na Palestina e a segunda condicionava que nenhum dano viesse atingir os habitantes locais, os quais eram, na ocasião, mais de 90% da população local. Ela foi esclarecida e aceita pelo Dr. Weizmann, futuro primeiro presidente de Israel, no sentido de que Lar não significa Estado. Não há referências ao estabelecimento de um Estado Judeu independente e sim de um Estado Palestino no qual seriam respeitados os direitos dos judeus a um "Lar" e a uma nacionalidade.
Havia, portanto, um acordo de que os judeus viveriam na Palestina como cidadãos, mas as incursões da Haganah mostravam a imposição da força sobre o povo palestino.

A Liga das Nações foi substituída pela ONU, após a Segunda Guerra Mundial, e acatou a opinião pública mundial (horrorizada com o massacre impetrado pelos nazistas ao povo judeu) quanto à criação de um Estado Judeu na Palestina. É formada uma comissão para estudar o problema, tendo esta opinado pela sua partilha em um Estado Árabe e um Estado Judeu.

Em novembro de 1947 o Conselho de Segurança, respaldado pela Assembléia Geral, optou pela partilha da região. Em maio de 1948, a Inglaterra renuncia ao Mandato, entregando a região à tutela da ONU. No dia 14 de maio de 1948 é proclamada a criação do Estado de Israel e poucas horas depois iniciou-se a primeira de seis guerras. Na primeira, terminada em fevereiro de 1949, Israel ocupou 80% do território onde deveria ser o Estado Palestino.

Aldeias inteiras foram massacradas, milhares de palestinos foram expulsos ou fugiram, apavorados, diante da aproximação das tropas israelenses (posteriormente, os israelenses justificavam a "posse" das terras afirmando que encontraram as aldeias abandonadas), até que Israel ocupou todo o território, nas guerras seguintes. Mais de setecentos mil palestinos ficaram desabrigados com a guerra e não puderam voltar à sua terra, agora ocupada pelos israelenses.

Os refugiados foram viver em países árabes vizinhos e os 160 mil que permaneceram passaram a viver em campos de refugiados, verdadeiras favelas. Hoje, são quase 5 milhões de palestinos ainda impedidos de voltar.

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5) Sobre o racismo e discriminação contra os árabes-palestinos.
Sobre a acusação de racismo contra os palestinos, a ONU condena o Sionismo como forma de racismo (por declarações e práticas) através da Resolução 3379 de 10/11/75, reafirmada várias vezes nos anos posteriores, como por exemplo o próprio lema do Congresso Sionista proclamado por Herzl , em 1867 "Deixai o povo sem terra ir para uma terra sem povo", como se existisse apenas a terra desocupada, ou a declaração da então Primeiro-ministro de Israel, Golda Meir para o "Times" de 06/06/69 e de 15/ 06/ 69: "Não existe coisa chamada palestinos. Eles não existem" ou "Devemos perguntar a nós mesmos: Que tipo de Israel queremos? Eu disse: Israel judaico, sem nenhuma interrogação, nem dúvida. Israel judaico, sem o medo diário onde a minoria agora constitui 50%, ou não", e a declaração de David Hacoheu, presidente da comissão de relações exteriores do Parlamento Israelense à Câmara dos comuns em 18/10/ 73: "Mas eles não são seres humanos, não são gente, todos eles são árabes".

Em 11 de dezembro de 1948, a Assembléia Geral da ONU adotou a Resolução 194 (III) Parágrafo 11, em que decide a internacionalização de Jerusalém e o direito de retorno dos palestinos.

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6) Sobre a origem histórica dos povos.
A investigação histórica aponta no sentido de que três povos tiveram papel importante na Palestina - Cananeus, Filisteus e Israelitas. O povo cananeu era o elemento mais numeroso e deu o seu nome à terra (Canaã, segundo a Bíblia, sagrada para os judeus). Os israelitas destruíram várias cidades e seus habitantes (Livro de Josué), mas não todos os cananeus, pois na segunda invasão dos hebreus (Êxodo) ainda existiam cananeus (Juizes 3, 5-6 / Esdras 9, 1-2 / Números 23:24; 34:2 e Êxodo 3:17).

Os povos originais majoritários são encontrados ainda no século VII, sob o domínio árabe-muçulmano (Apud Moshe Menuhim: Judaísmo hoje. 1969 Ed. Paralelo RJ pp. 18-19).

Uma das características do Império muçulmano foi a da não-colonização nos territórios ocupados. Não levavam imigrantes e não perseguiam comunidades distantes, nem perdiam tempo em exterminá-los. Convertiam os povos conquistados ao Islã, miscigenavam-se e conviviam, impunham sua linguagem (de acordo com a tradição islâmica, as palavras de Alá foram transmitidas em árabe a MOHAMMAD e é nessa língua que deve ser divulgada) cultura e arquitetura. As religiões monoteístas eram toleradas desde que pagassem impostos (Jizia) o que levou muitos povos a abraçarem a fé islâmica. Os cananeus, entre outros se "arabizaram a tal ponto que não podemos dizer onde começam os árabes".

Quanto aos filisteus, que deram o nome moderno à Palestina, a coexistência com os israelitas nunca foi pacífica.Os filisteus mantiveram-se separados, não foram subjugados. Sua presença é assinalada no período em que o Reino de Judá foi dominado por invasões estrangeiras. Após a dispersão das tribos israelitas, a língua hebraica desapareceu, dando lugar ao aramaico, idioma falado por Jesus.

Em 1.200 a.C. os Hebreus invadiram a região, mas a população original não foi totalmente exterminada segundo nos conta a Bíblia. "E os filhos de Israel moraram entre os canaanitas, os hititas, os amorreus, os fareseus, os heteus e jabuseus; e tomaram-lhes as filhas para serem suas esposas e deram-lhes suas filhas para seus filhos e serviram aos seus deuses" (Juízes 3, 5-6).

Os palestinos de hoje são descendentes dos antigos semitas que povoaram a região: Amoritas, Filisteus, Aramaicos, Canaanitas e Árabes. Os Árabes, povo pré-islâmico, já habitavam a Palestina e outras partes do Oriente Médio antes do advento do Islã.

No sangue palestino existem também elementos gregos, romanos, árabes-muçulmanos e cruzados. As conquistas islâmicas do ano 636 até 1917 deram-lhes as atuais características árabes-muçulmanas.

A história dos judeus remonta às doze tribos Israelitas. Elas se uniram sob o comando de Saul, que se tornou seu primeiro rei, por volta do ano 1030 AC. Saul foi assassinado pelos filisteus em Gilboa. Após sua morte, Davi, seu genro unificou as doze tribos. Davi tomou Jerusalém dos Jebuseus, um subgrupo cananeu, e a fez capital do seu reino. Foi sucedido por seu filho Salomão, que esteve no poder durante 40 anos. Nesse período foram construídos palácios e o grande templo em Jerusalém, que recebeu o seu nome.

Após a morte de Salomão, o reino, enfraquecido por contínuas invasões e instabilidade social e política, dividiu-se em dois: ao norte, o reino de Israel e, ao sul, o reino de Judá. O reino de Israel foi vencido pelos assírios em 721 AC e seus habitantes dispersaram-se pelos países vizinhos. O reino de Judá sobreviveu por algum tempo.

Jerusalém foi dominada e saqueada pelos assírios, filisteus, árabes, sírios, babilônios e egípcios. Tornou-se um estado vassalo, e pagou tributos para a Síria, para o Egito e para a Babilônia sucessivamente. Em 705 a.C. o reino deixou de pagar o tributo e o rei assírio Semacherib a ocupou e deu-a aos filisteus.

Em 587 a.C., o reino de Judá foi destruído pelos babilônios e seu povo levado em cativeiro.

Em 520 a.C., Ciro, rei da Pérsia, conquistando os babilônios, permitiu aos israelitas o regresso à Palestina. Nem todos retornaram e os que o fizeram viveram sucessivamente sob o domínio persa, macedônio e romano.

Houve inúmeras revoltas contra os dominadores. As mais importantes foram a dos Macabeus contra os Macedonios em 167 a.C. e duas revoltas contra os romanos em 70 e 132, já na era Cristã.

Nessa última revolta, os judeus dispersaram-se pelo mundo (Diáspora), permanecendo na Palestina algumas poucas famílias judaicas (apenas 1440 judeus por volta de 1170 - 1171) segundo o relato de um peregrino judeu, Benjamim de Tudela. No princípio do século XIX, os judeus na Palestina somavam 8.000, em 1845 eram 11.000 e em 1880 já contavam 20.000.

De 587 a.C. até o século XX, os judeus não voltaram a governar os país.

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7) Sobre a guerra.
No final dos anos 20, ocorreu um violento confronto entre palestinos e colonos em Hebron. Sessenta e seis judeus foram mortos. Navios e tropas britânicas tiveram que impedir os ataques aos judeus. O total de mortos foi cento e trinta, centenas ficaram feridos e propriedades judias foram destruídas. Judeus respeitáveis ficaram alarmados. Lamentavam a ausência de quaisquer propostas construtivas de solução pacífica. Os choques se acentuaram na década de 30 devido à enorme massa de imigrantes judeus vindos da Alemanha, onde eram perseguidos pelos nazistas. Os confrontos multiplicavam-se assustadoramente.

Por essa época, entra em cena o HERUT (liberdade), liderado por Wladimir Jabotinsk, que pregava abertamente a luta armada contra a população árabe. Em 1936, uma greve geral paralisa toda a Palestina por seis meses, mesmo sob intensa repressão do Haganah e das tropas britânicas contra bairros e aldeias palestinas.

Em 1937, o Governo Britânico anunciou um plano de partilha da Palestina, atribuindo 2/3 do território aos árabes, que rejeitaram o plano. A presença militar inglesa aumentou e os tumultos também. Logo, judeus, árabes e ingleses estavam entre os mortos. Em 1938, sessenta e nove ingleses, noventa e dois judeus e quatrocentos e oitenta e seis árabes foram mortos.

Ilegalmente, Menachen Begin criou a Irgun Zvai Leumi (sociedade militar nacionalista) dissidência terrorista da Haganah. Ao mesmo tempo, negociações conduzidas pelo Alto Comitê da Palestina, dirigido por chefes religiosos árabes foram, aos poucos, convencendo os palestinos a desistirem dos atos de sabotagem e greves, conclamando-os à tolerância pregada pelo Corão. Os sionistas, entretanto, intensificaram os movimentos armados, armando também os colonos.

Quando a II Guerra Mundial chegou ao Oriente Médio, em 1940, uma grande parte dos árabes simpatizava com a Alemanha, vendo a possibilidade de, com a vitória alemã, livrar-se da Grã-Bretanha e dos judeus ao mesmo tempo.

A Grã-Bretanha aproveitou o enfraquecimento da França ocupada pelos nazistas para destituí-la dos mandatos no Líbano e na Síria, incentivando-lhes a independência. Numa formidável manobra estratégica, patrocinou a formação da Liga dos Países Árabes, fundada no Cairo em março de 1945. Hoje formada por vinte e dois países, inicialmente abrangia, além do Egito e Iraque, a Arábia Saudita, a Síria, o Líbano e a Jordânia.

O patrocínio britânico tinha dois objetivos: unificar os árabes contra a presença sionista, agora seus inimigos, e ao mesmo tempo afastá-la da Alemanha.

A IRGUN, liderada por Menachen Begin, futuro Primeiro Ministro de Israel, apareceu abertamente em 1942, em plena II Guerra Mundial. Seus componentes, com espírito de sacrifício, descarrilavam trens, roubavam munição e dinamite e explodiam o que não conseguiam levar. Seqüestravam oficiais britânicos, açoitavam-nos para aterrorizar a "potência ocupante".

No final da II Grande Guerra, o mundo ficou horrorizado com os crimes hediondos cometidos contra os judeus nos campos de concentração nazistas. Dos seis milhões de judeus, poucos sobreviveram e foram levados para a Palestina. Com o argumento de "única pátria possível" para os infelizes sobreviventes, os sionistas desafiaram a Grã-Bretanha com novos imigrantes e aumentaram a pressão pela criação do Estado de Israel.

Por essa época, os Estados Unidos da América emergiram como superpotência capitalista contra a URSS socialista, iniciando a Guerra Fria. Foi também criada, em Yalta, a Organização das Nações Unidas (ONU) em junho de 1945.

A Grã-Bretanha, impossibilitada de resolver o conflito, submete, em fevereiro de 1947, o problema às Nações Unidas. Em 28 de abril de 1947, a sessão especial da Assembléia Geral das Nações reuniu-se em Lake Success para deliberar sobre o caso da Palestina. Foi designada uma comissão para estudar o caso. Durante esse período, a propaganda sionista levava o povo judeu americano a acreditar na "luta legítima dos judeus contra os bárbaros árabes". Os árabes não tinham voz nos EUA.

O relatório da Comissão não foi unânime. A maioria sugeria a Partilha, a minoria, um Estado único federativo.

Entre setembro de novembro de 1947 foram realizadas trinta e quatro reuniões finda as quais, foi apresentado o esquema final da partilha:
. dez mil judeus ficariam no Estado Árabe e quatrocentos e noventa e sete mil árabes no Estado Judeu.
. 43% da área da Palestina seria destinada ao Estado Árabe e 56% para o Estado Judeu e 1% para a área internacional de Jerusalém.
. haveria um regime de parceria econômica.

No Estado Judeu estavam incluídas as planícies férteis costeiras, as terras irrigadas de Tibérias (Galiléia) e Hula Basin. Ao Estado Árabe coube as áridas regiões montanhosas, esparsas áreas cultiváveis com pequena ou nenhuma possibilidade de irrigação.

A união econômica que justificava o esquema da partilha desfavorável aos palestinos foi esquecida e nem sequer foi apresentada à Assembléia Geral. A Resolução 181 (II) de 29 de novembro de 1947 foi aprovada por trinta e três votos a treze, com dez abstenções. Vale ressaltar que o Governo norte americano hesitava por questões de segurança, pois temia atrair a cólera do mundo muçulmano. Sir Muhammad Zafulah Khan, ministro do Exterior, alertava o governo americano: "Lembrem-se de que poderão precisar de amigos amanhã; de que poderão precisar de aliados no Oriente Médio. Peço-lhes para não arruinar e destruir seu crédito nessas terras".

Os britânicos, cansados de árabes e judeus, abstiveram-se de votar e anunciaram que considerariam seu Mandato sobre a Palestina encerrado em 15 de maio de 1948.

No mesmo dia, os árabes anunciaram que defenderiam seus direitos e pediram que fosse ouvida a opinião da Corte Internacional de Justiça quanto à legalidade das Nações Unidas partilharem países sem o consentimento da maioria de seus habitantes. O pedido foi negado, os sionistas festejaram. Era o primeiro passo para a grande ERETZ (Terra) Israel.

O líder da Irgum, Ben Gurion diante da Assembléia eleita de Jerusalém declarou: "Não minimizo a virtude do Estado, mesmo com alguma coisa a menos que todo o território de Israel, em ambos os lados do Jordão". Essa declaração deixava claro o objetivo expansionista de Israel.

Aos poucos, os ingleses foram se retirando da Palestina. Os centros administrativos deveriam ser entregues às novas administrações em suas respectivas áreas, porém, no caos que se seguiu, acabaram caindo nas mãos de quem chegasse primeiro, freqüentemente os sionistas, melhor equipados com sua rede de informações. Os árabes tinham a vantagem de controlar os lugares elevados e as estradas, exceto a linha costeira entre Haifa e Tel-Aviv.

Os sionistas colocam em ação a Haganah. A Irgum e a Stern iniciam ações ofensivas contra os árabes palestinos, sem a aprovação oficial da Agência Judaica, mas o resultado era recebido com satisfação. Muitos choques entre palestinos e sionistas aconteceram no período. Em 04 de janeiro de 1948, a Irgun explodiu um caminhão contendo explosivos numa via pública, cheia de gente, em Jaffa. No dia seguinte, o Hotel Seramis, de propriedade árabe foi dinamitado. Os palestinos revidaram explodindo o edifício Jerusalém Post, judeu.

Em 18 de fevereiro, a Irgun explodiu o movimentado mercado árabe de Remleh; dois dias depois, os árabes responderam com uma explosão no centro de Tel-Aviv.

A guerra aberta, provocada pela Partilha, apenas começava.

A O.N.U. chegou a considerar a suspensão da Partilha quando a guerra ficou evidente. Com essa possibilidade, Menachen Begin e Ben Gurion uniram-se extra-oficialmente e aliaram as forças da Haganah, Irgun e Stern para ocupar o máximo possível do território antes de 15 de maio de 1948, através do terror.

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Leia aqui as perguntas e respostas anteriores.

*Geralda Braga é professora de História e pós- graduada em Política Internacional pela FESP-SP
grbraga@uol.com.br

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