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O
legado tóxico de Chernobyl Fonte: Agência FAPESP No dia 26 de abril,
o mundo lembra, de várias formas, do acidente nuclear ocorrido
em 1986 em Chernobyl, usina energética localizada no norte da
Ucrânia. Para a Organização
Mundial de Saúde (OMS), os 20 anos do desastre serviram para
estimular a produção de uma análise aprofundada,
cujo relatório final acaba de ser divulgado em Genebra, na Suíça.
O documento explica, em quase 200 páginas, por que as conseqüências
do pior vazamento de material radioativo registrado na Europa ainda
estão longe de ter um fim. Três países
permanecem com áreas contaminadas pelo acidente: Belarus, Ucrânia
e Rússia. Nesses locais, segundo a OMS, cerca de 5 mil casos
de câncer de tireóide foram diagnosticados em pessoas que
eram crianças ou adolescentes na década de 1980. O estudo
aponta também que um total de 9 mil indivíduos que trabalharam
nas operações de rescaldo do vazamento morreram vítimas
de câncer desde o acidente. Uma revelação
importante feita pela OMS está relacionada com outra conseqüência
do vazamento. Como mais de 340 mil pessoas tiveram que deixar suas casas
e não puderam mais voltar para seus locais de origem, elas, até
hoje, permanecem rotuladas como "expostas". Uma das atividades
importantes a serem feitas a partir de agora, recomenda o relatório,
é fazer com que tais indivíduos se considerem sobreviventes
e não mais vítimas. Segundo o estudo, essa recuperação
representa um desafio ainda não vencido pelos governos. Mas o relatório
aponta que o estigma de ter estado próximo de Chernobyl em 1986
atinge ainda mais pessoas, num total superior a 5 milhões. Essa
população, que habita áreas ainda hoje contaminadas
com material radioativo, demonstra alto grau de ansiedade, sintomas
físicos de doenças normalmente sem explicação
clínica adequada e, do ponto de vista psicológico, acredita
ter uma saúde mais fraca em comparação com moradores
de outras áreas. O acidente no norte
da Ucrânia matou, em 1986, 28 pessoas que trabalhavam na usina
nuclear e foram expostas diretamente à radiação.
Ao todo, participaram das operações de limpeza da área,
conduzidas entre 1986 e 1990, 600 mil trabalhadores, dos quais 61 mil
continuam tendo sua saúde monitorada. Para ler o relatório da OMS na íntegra, em inglês, clique aqui. |
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