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700
milhões vivem sem nenhum saneamento
Boa parte da população
mundial, cerca de 700 milhões de pessoas, permanecem sem nenhum
tipo de saneamento básico e 2,5 bilhões delas vivem sem
instalações sanitárias adequadas, advertiu o contabilista
Dennis Mwanza, do Water and Sanitation Program (WSP), programa de água
e saneamento do Banco Mundial.
Embora proporcionalmente a quantidade de pessoas sem acesso a esses
serviços venha diminuindo consideravelmente nas últimas
décadas, a carência continua, em números absolutos,
acompanhando um crescimento populacional de 779 milhões de pessoas
desde 1990, segundo informou Mwanza no evento de rede Unindo a
divisão: aprimorando o fornecimento de água e o saneamento
para os pobres urbanos, durante o Fórum Urbano Mundial
5 (FUM5), que aconteceu no Rio de Janeiro.
A região com os piores números do planeta é o sudeste
asiático, embora os países da área tenham reduzido
em 17 pontos percentuais a proporção de pessoas que ainda
precisam defecar e urinar ao ar livre, sem nenhuma separação
sanitária, em um período de 16 anos. Em 1990, o índice
naquela região era de 65% da população; ele caiu
para 48% pouco menos da metade da população
até 2006, data da mais recente estimativa do WSP. Na média
mundial, a queda foi de 24% para 18%.
Mwanza recebeu convidados para descrever programas de saneamento em
favelas e áreas carentes em diferentes locais. O primeiro a falar
foi o indonésio Nugroho Tri Utomo, que explicou as ações
para reduzir o esgoto a céu aberto em seu país, que faz
parte justamente da região mais afetada pela carência de
saneamento no mundo.
Segundo Utomo, a população local já se acostumara
aos baixos padrões de higiene, fazendo parte de um ciclo vicioso
em que não cobrava mais das autoridades por melhores condições
e, ao mesmo tempo, não pagava taxas que pudessem bancar uma melhoria
no sistema.
A população pobre, se tiver a opção
e sentir que vale a pena pagar para ficar mais segura de doenças
causadas por falta de esgoto, ela paga, afirmou o indonésio,
ressaltando que um largo trabalho de comunicação foi feito
para convencer as pessoas a participarem, adquirindo latrinas, do processo
de construção de sistemas de saneamento que começou
em seis cidades escolhidas como modelo, já chegou a 24 municípios
e pretende se expandir a 307 até 2014.
Além da falta de sistemas de saneamento, a população
da Indonésia, maior que a do Brasil 242 milhões
segundo o censo mais recente, de 2005 ainda sofre com constantes
enchentes, espalhando sujeira dos esgotos ao ar livre, especialmente
nas áreas mais pobres.
Sistema improvisado
Chefe da equipe do WSP para a América Latina, Glenn Pearce-Oroz
citou o curioso exemplo de Santa Cruz de La Sierra, na Bolívia,
onde 58% da população têm acesso ao saneamento completo,
mas o restante precisa apelar a cerca de 40 companhias pequenas que
removem os excrementos de fossas caseiras com caminhões.
O lado bom dessas empresas é que elas preenchem uma lacuna.
No entanto, geralmente não têm equipamento técnico
adequado nem no transporte nem no depósito, frisou.
As inadequações começam, na verdade, nas próprias
residências, 80% com falhas técnicas em suas fossas, segundo
pesquisa do WSF. Os problemas continuam nos caminhões das companhias
de remoção, 90% dos quais não levam nenhum aviso
de que espécie de material que estão transportando e chegam
aos depósitos, 65% em lagos de oxidação, mas 35%
em terrenos baldios e áreas de cultivo destas, Pearce-Oroz
ainda ponderou que muitos agricultores pedem os excrementos para usar
como adubo orgânico.
As fossas domésticas e companhias de remoção
devem continuar preenchendo essa lacuna por algum tempo, pois o saneamento
demora a ser universalizado, mas elas têm que melhorar seus padrões
técnicos, avaliou.
Também na América Latina, Marco Zegarra, do governo estadual
da La Libertad, no Peru, destacou a dificuldade de se planejar um programa
de saneamento em áreas pobres num país de administração
altamente centralizada.
Um terço da população vive na capital Lima,
que responde por 80% dos investimentos do país. Somente em 2001,
as autoridades locais passaram a ter mais autonomia, mas ainda precisam
trabalhar em conjunto com o governo central, pois não têm
verba própria suficiente, afirmou.
Também foi abordado um sistema que vem tentando se desenvolver
em Burkina Faso, na África, com fossas comunitárias nas
áreas carentes rurais. Metade da população do país
ainda precisa fazer as necessidades ao ar livre, principalmente nessas
regiões.
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