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Onzes
de Setembro
No próximo dia 11 de setembro, o mundo será lembrado do ataque terrorista/suicida que destruiu as torres gêmeas do World Trade Center, em Nova York, e botou de molho as barbas da nação mais poderosa da mundo. Para mim, 11 de setembro por 11 de setembro, prefiro pensar no de 1973. Aqui pertinho, no vizinho Chile. Vi o ataque ao WTC praticamente ao vivo. A primeira torre ainda queimava e eu imaginava as proporções de um (até então) acidente parecido na avenida Paulista. A moça que cuida da limpeza de casa perguntou o que estava acontecendo, respondi que um avião havia trombado com um dos maiores edifícios do mundo e ela, "ih, então trombou outro!", apontou a tevê. Não precisava ser um Sherlock para perceber que a primeira trombada aérea também não fora um fortuito e trágico acidente. Como no Chile também assim não o foi, golpe patrocinado pelos EUA. Eu tinha 15 anos, aboletado no sofá para ver o Jornal Nacional. Salvador Allende, presidente de esquerda, democraticamente eleito, estava morto e um general, Pinochet, estava dando as cartas. Cenas em preto-e-branco mostravam a selvageria militar. Milhares de civis confinados no Estádio Nacional de Santiago, o Palácio La Moneda tornara-se um amontoado de cinzas e fumaça. A cena mais chocante foi a de cadáveres flutuando nas águas do rio Mapocho, um "primo aquático" do paulistano rio Tietê. O cidadão suja, as águas reagem inundando e destruindo. Homens e rios, ô convivência difícil, sô...! Como os Estados Unidos com o planeta. Por conta de retaliar seu 11 de setembro, dizimaram o Paquistão e destroçaram o Iraque. Quem será a próxima "bola da vez"? Pensam, aquele país, que está tudo resolvido na base da bala e da bomba, mas não está e eles sabem. Nunca estará. Algumas cicatrizes jamais se fecham. Tanto em 1973, como em 2001, estima-se que quase três mil cidadãos tiveram suas vidas violentamente ceifadas - nunca se saberá ao certo. A diferença é que, no WTC, se o sofrimento foi de algumas poucas horas, no Chile foram dias, semanas, meses, de muita tortura, antes da execução definitiva. Em 11 de setembro de 2003, elevarei o pensamento para mortos e desaparecidos de ambos os massacres. Mas o do Chile doeu mais. (*) Diorindo Lopes Júnior (diorindo@uol.com.br) é jornalista e autor de O Sol em Capricórnio (Atual/Saraiva Editora, SP) e Cesta de 3 (Alis Editora, BH). |
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