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Pesquisadores descobrem que uma substância do ipê roxo pode ajudar no tratamento do câncer

postado em 23 de nov de 2018 05:57 por ANA PAULA LOPES VIEIRA PAIVA   [ 30 de nov de 2018 17:12 atualizado‎(s)‎ ]

Pesquisadores da Universidade Federal de São Carlos descobriram que uma substância presente na casca do ipê roxo pode ajudar no tratamento do câncer de mama.

Uma árvore típica da Mata Atlântica e famosa pela beleza da flor, é a fonte da descoberta. Da casca do ipê roxo os pesquisadores extraíram um pó amarelo que tem uma substância conhecida como lapachol.

No laboratório adicionaram a ela um metal chamado rutênio, e então produziram um composto verde. Em parceria com cientistas norte-americanos testaram a mistura no combate a células cancerosas em tubos de ensaio, e compararam os efeitos do novo composto à de uma quimioterapia convencional. Segundo os pesquisadores, foi necessário uma quantidade cem vezes maior de quimioterápicos convencionais para obter o mesmo resultado aferido pela nova substância.

De acordo com o professor de Química da UFSCar, Alzir Azevedo Batista, isso mostra uma maior efetividade do composto, cem vezes melhor do que o aplicado hoje na quimioterapia.

A substância foi testada contra três tipos de cânceres, de próstata, pulmão e de mama. Segundo Kátia Aparecida Oliveira, pesquisadora da UFSCar, foram obtidos melhores resultados para o câncer de mama, em que os compostos atuaram mais nas células tumorais de mama e preservaram as normais.

Os cientistas da UFSCar chegaram à fórmula do novo composto depois de seis anos de estudo. Também foram feitos testes em camundongos. Segundo os pesquisadores, a substância extraída do ipê roxo provoca menos efeitos colaterais do que outros tipos de quimioterápicos.

Os camundongos tratados com o composto reagiram muito bem, não perderam pelo, não ficaram estressados e não tiveram os órgãos afetados. Parte da pesquisa foi publicada em duas revistas científicas norte-americanas, a Polyhedron e a Journal of Inorganic Biochemistry.

Agora os pesquisadores esperam um novo financiamento para testar a substância em cães e depois em humanos. A esperança é que no futuro possam ser desenvolvidos novos quimioterápicos, que sejam menos agressivos, e que venham da natureza.

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