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5 de junho: Dia Mundial do Meio Ambiente

postado em 16 de nov de 2018 13:57 por ANA PAULA LOPES VIEIRA PAIVA   [ 30 de nov de 2018 17:09 atualizado‎(s)‎ ]

O dia mundial do meio ambiente pode não ter muitos motivos para ser comemorado, já que há alguns dias, o Ministério do Meio Ambiente divulgou o aumento do número de animais brasileiros que correm risco de extinção: de 219 (segundo levantamento do ano de 1989) para 395. Entretanto, organizações não-governamentais brasileiras de preservação ambiental, como o IPÊ - Instituto de Pesquisas Ecológicas, têm mantido muitos esforços em prol do decréscimo do número de animais e florestas em extinção. O IPÊ é a terceira maior ong de preservação do meio-ambiente no Brasil e trabalha na conservação de matas e na preservação de 10 espécies em extinção dentre as listadas pelo Ministério do Meio Ambiente, entre elas o mico-leão preto.

O instituto vem estudando e desenvolvendo programas para a conservação do mico-leão preto há 11 anos, o que tem garantido uma estabilidade no número de animais da espécie, que hoje se encontra em apenas mil indivíduos. O primatólogo e diretor científico do IPÊ, Cláudio Pádua, estuda o mico-leão preto há mais de 20 anos e desenvolve atualmente uma experiência de manejo da espécie, que consiste em formar um banco genético para acasalar os micos que vivem em zoológicos no Brasil, Estados Unidos e Austrália. A idéia é garantir a diversidade da espécie, aumentando o número atual de animais (900 indivíduos), acasalando animais do zoológico de São Paulo com os do zoológico de Brasília ou da Austrália, por exemplo.

Papagaio-da-cara-roxa, muriqui, mico-leão-da-cara-preta, onça pintada, onça parda, sauá, peixe-boi da Amazônia e sagüi são outras espécies em extinção que o IPÊ procura proteger por meio dos cerca de 30 projetos integrados de conservação e desenvolvimento socioambiental, em cinco regiões do Brasil: Parque Nacional do Superagüi (Paraná), Pontal do Paranapanema e Nazaré Paulista (São Paulo), Estação Ecológica de Anavilhanas (Amazonas) e Serra dos Órgãos (Rio de Janeiro). Esses projetos de pesquisa alcançam outras espécies de animais que não estão ameaçadas, exatamente para garantir um número considerável desses indivíduos na biodiversidade.

O IPÊ é responsável hoje pelo plantio de mais de 1 milhão de mudas de árvores nativas da Mata Atlântica, em virtude do trabalho agro-florestal desenvolvido no Pontal do Paranapanema, que conta com o apoio de mais de 400 proprietários de terra assentados. Outra ação da instituição é assegurar a qualidade da água de São Paulo, por meio da conservação dos mananciais. O instituo também desenvolve projetos de geração de renda para as comunidades que vivem no entorno das áreas a serem protegidas. Bom exemplo disso é a confecção de fantoches pelas mulheres da comunidade de Superagüi, no Paraná. Os fantoches de feltro têm formato dos bichos que estão ameaçados na região, o papagaio-da-cara-roxa e o mico-leão-da-cara-preta, e são vendidos para turistas e até para zoológicos internacionais. Isso assegura um aumento de renda de até 375% para as famílias que antes tiravam o sustento da pesca do camarão, além de garantir uma maior conscientização populacional pela preservação das espécies ameaçadas no local.

Sobre o Instituto

Em todos os programas desenvolvidos, o IPÊ adota a educação ambiental, com abordagens inovadoras e participativas, como forma de harmonizar as relações entre seres humanos e natureza, além de trabalhar a ecologia de espécies, a restauração de habitats, o extensionismo rural, o ecoturismo com base comunitária e a geração de renda por meio de práticas sustentáveis.

Os projetos do instituto têm obtido resultados expressivos, fato reconhecido pelo número de prêmios recebidos nos últimos anos. Entre eles, o Whitley Gold Award, prêmio internacional, considerado o Oscar por trabalhos de conservação do Meio Ambiente. Em 2003, o IPÊ foi um dos vencedores do Prêmio Bem Eficiente, que premia as 50 entidades mais bem administradas do país.

Atualmente, a organização conta com 60 profissionais, que são, na verdade o grande capital da instituição. Ciente do potencial transformador de sua equipe, incentiva e investe permanentemente em capacitação, de forma que atualmente conta com um quadro de profissionais com os seguintes níveis de formação: 12 mestres, 04 mestrandos, 04 doutores e 07 doutorandos. Além disso, investe em estagiários, que muitas vezes acabam fazendo parte da equipe, assim que terminam a graduação.

Na sua sede, em Nazaré Paulista, interior de São Paulo, o IPÊ mantém o Centro Brasileiro de Biologia da Conservação - CBBC, um ambiente interdisciplinar que capacita os pesquisadores da instituição a buscar alternativas para a sustentabilidade socioambiental, além de tentar, sempre que possível, influenciar políticas públicas pertinentes. O CBBC é pioneiro em diversos cursos, como o de Biologia da Conservação, e já capacitou mais de 490 alunos, de diversos segmentos da sociedade, interessados em conservação ambiental e desenvolvimento sustentado.

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