Berçário de tubarões


Otto Fazzano Gadig, docente do curso de Ciências Biológicas do Campus do Litoral Paulista da UNESP, em São Vicente, já retirou banhistas do mar mutilados por mordidas de tubarão e, por causa de suas pesquisas na área, é chamado freqüentemente para identificar as espécies que atacam em diferentes locais do País, como Recife, PE. Em uma de suas recentes pesquisas, acaba de descobrir o primeiro berçário – local em que o animal passa seus primeiros estágios de vida – de tubarões no Brasil, e espera, ao identificar e estudar onde eles se reproduzem, entender melhor a aproximação destes animais na costa.

Após mais de oito anos de estudo no Projeto Cação, Gadig identificou o berçário em frente ao município de Itanhaém, litoral de São Paulo. No local, cerca de 16 mil tubarões e raias de 29 espécies foram identificados e analisados. A pesquisa é uma das cinco realizadas sobre berçários no mundo.

De acordo com dados da ONU, cerca de 80 milhões de tubarões são mortos por ano, mas o número pode ser muito maior. Um dos motivos são as nadadeiras de tubarão que, por integrarem a alimentação da população dos países orientais, atingem alto valor no mercado internacional. O quilo da nadadeira é exportado, em alguns casos, por US$ 80 a 100 dólares, enquanto o quilo da carne vale apenas US$ 3 dólares. “Por isso, uma prática comum em barcos de frotas industriais de grande porte é pescar certas espécies, retirar apenas as nadadeiras e jogar os animais mortos de volta ao mar”, conta Gorig.

Essas ações fazem parte de um plano nacional de preservação dos tubarões que está em discussão pelo Ministério do Meio Ambiente. “A partir destes estudos podemos junto com o poder público determinar áreas de exclusão de pescas”, sugere Golig
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