Sabesp testa toda água consumida no Estado


Em 1977, foi inaugurada a Divisão de Controle de Qualidade da Sabesp, para certificar a qualidade da água em todo o Estado. Era uma verdadeira corrida contra o tempo para que as amostras coletadas nas cidades do interior não perdessem a validade antes da análise. As amostras viajavam de ônibus, armazenadas em caixas de isopor.

Laboratórios regionais foram instalados no interior, facilitando o trabalho e possibilitando maior tempo para as análises. Na década de 90, começou o processo de descentralização da região metropolitana. Cada unidade de negócio da Sabesp (norte, sul, leste, oeste e centro) já tem sua divisão de controle de qualidade. Somando às unidades do interior, a Sabesp dispõe de 15 laboratórios de controle.

Apesar da descentralização das análises da capital e das unidades instaladas no interior, algumas amostras ainda são examinadas no Laboratório Central, localizado em Santana, na capital, que tem laboratórios modernos e equipamentos específicos. O laboratório de compostos orgânicos, que realiza análises bacteriológicas e físico-químicas, recebe amostras do Estado inteiro. Outras duas unidades similares de compostos orgânicos estão sendo criadas em São Paulo, mas o processo é demorado porque exige grandes investimentos em equipamentos e treinamento de pessoal.

A Divisão de Controle efetua também testes de todo material utilizado no tratamento de água. "Nenhum produto químico pode ser introduzido no processo sem ser testado. Não podemos colocar em risco a saúde da população. Analisamos qualquer risco de contaminação", explica Armando Perez Flores, gerente da Divisão de Controle de Qualidade.

"Controlamos o manancial, a fase de produção e a entrega para distribuição de 99% da água dos oito sistemas produtores da região metropolitana. Todos os dias, equipes buscam amostras em mananciais. Emitimos 30 cópias dos relatórios: 29 delas são enviadas para os municípios e uma para a Secretaria Estadual de Vigilância Sanitária", diz o gerente.

Testes identificam a quantidade de coliformes totais (naturalmente encontrados na água antes de ser tratada) e fecais (originários de esgoto). A Sabesp pesquisa também a presença de pesticidas e outros tipos de produtos químicos na água bruta e tratada.

A água tratada deve atender às exigências previstas na Portaria 1.469, do Ministério da Saúde, expedida em dezembro de 2000, e na Resolução no 4, de janeiro de 2003, da Secretaria da Saúde, que regulamentam os procedimentos e responsabilidades relativos ao controle e vigilância da qualidade da água para consumo humano e seu padrão de potabilidade.

Algas prejudiciais
O grande problema da água de São Paulo, principalmente a oriunda da represa de Guarapiranga, é a presença de algas. O excesso de nutrientes produzidos no esgoto doméstico, como nitrogênio e fósforo (presentes nos detergentes), alimenta as algas. A preocupação maior é com um grupo específico, chamado de cianobactérias. Além de serem potencialmente tóxicas, eliminam dois compostos quando morrem, podendo alterar o gosto e o odor da água. Com a baixa dos reservatórios, a concentração de algas tende a aumentar.

A Sabesp efetua contagem das algas e analisa todas as floradas para constatar o potencial de toxinas, que podem causar problemas ao sistema hepático e neurológico, se consumidas em grande quantidade. Com a adição de carvão ativado em pó (similar ao produto presente nos filtros domésticos) à água antes do tratamento, os compostos produzidos pelas algas são absorvidos e eliminados junto com o carvão.

Existe também a preocupação do monitoramento das algas porque clínicas de hemodiálise (processo terapêutico em que o sangue é purificado de substâncias nocivas, por meio de aparelhos especiais) utilizam a água da Sabesp. Semanalmente, são emitidos relatórios sobre a qualidade da água tratada para a Sociedade Brasileira de Nefrologia, que os distribui para as clínicas de hemodiálise.

Bebendo água
A equipe do Painel de Gosto e Odor trabalha para garantir a qualidade da água. Uma vez por semana, os degustadores da Sabesp experimentam amostras de água tratada. O trabalho inclui também testes de odor da água que ainda não passou por tratamento. "É uma análise qualitativa e rápida. Conseguimos evitar que o consumidor encontre problemas", diz a química Rosemeire Alves.

Para trabalhar na equipe, é preciso treinamento de mais de seis meses e é recomendável que não seja fumante (o cigarro dificulta que se sinta o amargo). No dia do teste da água, não podem usar perfume, lavar as mãos com sabonete e utilizar batom e outros cosméticos. Café não pode ser consumido antes dos testes porque o sabor da bebida pode atrapalhar a degustação da água.

Dúvidas da população
Muitas pessoas ligam para a Sabesp para tirar dúvidas sobre a água, principalmente sobre coloração e sabor. "O cloro, na concentração que utilizamos, não atribui gosto. Aquela coloração branca que às vezes aparece na água é pressão. Basta agitar a água para que ela desapareça", esclarece Armando Flores.

Testes apontam a quantidade ideal de cloro. Se a água chegar na casa do consumidor sem cloro, é sinal que pode existir algum tipo de contaminação.

De todas as reclamações que a Sabesp recebe, 90% são problemas que ocorrem entre a caixa-d´água e a torneira do próprio consumidor. A Sabesp coleta amostras na residência e antes de entrar no encanamento da casa. Pode ser o reservatório que não está devidamente limpo, problemas no encanamento ou até mesmo o filtro de água.

Armando Flores explica que o filtro pode prejudicar a qualidade da água. As velas eliminam o cloro e deixam a água vulnerável no reservatório do filtro. Se existir qualquer tipo de contaminação no local, a água estará comprometida. Por isso, ele recomenda que sejam utilizados filtros que não armazenem a água.

Como limpar a caixa-d´água
A Sabesp recomenda que a caixa-d´água seja limpa, no mínimo, de seis em seis meses. Como fazer:
1) Programe o dia da lavagem de sua caixa-d´água. Dê preferência para o fim de semana. Comece com o fechamento do registro da entrada da casa ou amarrando a bóia.
2) Utilize a água da caixa-d´água para o próximo consumo antes do dia da limpeza ou guarde-a em algum vasilhame para uso durante o período em que estiver realizando a limpeza. Deixe um palmo de água na caixa-d´água.
3) Tampe a saída para que a água que ficou no fundo seja utilizada na lavagem e para que a sujeira não desça pelo cano.
4) Lave as paredes e o fundo da caixa-d´água com escova de fibra vegetal ou de fio de plástico macio (nunca use sabão, detergente ou outro produto). Evite escova de aço e vassoura.
5) Retire a água da lavagem e a sujeira com uma pá de plástico, balde e panos, deixando-a bem limpa. Utilize panos limpos para secar o fundo. Evite passá-los nas paredes.
6) Ainda com a saída da caixa-d´água fechada, deixe entrar um palmo de altura de água, adicione 2 litros de água sanitária e deixe em repouso por 2 horas. Com uma brocha, balde ou caneca plástica, molhe as paredes internas com a solução desinfetante.
7) A cada 30 minutos, verifique se as paredes internas da caixa-d´água secaram. Caso isso tenha ocorrido, faça nova aplicação dessa mistura até completar as 2 horas. Não use de forma alguma essa água durante 2 horas.
8) Passadas as 2 horas, ainda com a bóia da caixa-d´água amarrada ou o registro fechado, esvazie a caixa-d´água, abrindo sua saída. Abra todas as torneiras - armazenando a água - e acione as descargas (você estará assim desinfetando os canos da residência). Com a água armazenada, você pode lavar o piso de quintais, banheiros e outros locais.
9) Tampe adequadamente a caixa-d´água para impedir a entrada de pequenos animais, insetos ou sujeiras, evitando assim a contaminação e a transmissão de doenças. Lave a tampa antes de sua utilização.
10) Anote do lado de fora da caixa-d´água a data da limpeza. Abra o registro de entrada e encha a caixa. Essa água já pode ser utilizada.

Chuva e consumo racional garantem abastecimento
Os bons índices de chuvas registradas em outubro nos sistemas produtores de água para a região metropolitana de São Paulo, principalmente no Sistema Cantareira (responsável pela água de 9 milhões de pessoas), e o esforço realizado na economia e uso racional da água garantiram o abastecimento de água para a população paulista. O bombardeamento de nuvens também auxiliou no aumento dos índices das represas.
Fica confirmado o racionamento para 440 mil pessoas de Embu, Embu-Guaçu, Cotia, Itapecerica da Serra e Vargem Grande atendidas pelo Sistema Alto Cotia, no qual as chuvas foram inferiores à média histórica.

Dicas para economia e uso racional da água:
- Procure não tomar banhos demorados. Cinco minutos no chuveiro são suficientes para um bom banho.
- Coloque um balde embaixo do chuveiro para armazenar a água enquanto ela não esquenta. Essa água pode ser utilizada para outras atividades da casa, como colocar a roupa de molho ou lavar a roupa.
- Escove os dentes com a torneira fechada. Abra-a apenas para enxaguar. O mesmo vale para o momento de fazer a barba.
- Não use a privada como lixeira ou cinzeiro e nunca acione a descarga à toa, pois ela gasta muita água.
- Mantenha a válvula da descarga sempre regulada e conserte os vazamentos assim que eles forem notados.
- Ao lavar a louça, primeiro limpe os restos de comida dos pratos e panelas com esponja e sabão e só aí abra a torneira para molhá-los. Ensaboe tudo que tem que ser lavado e então abra a torneira novamente para novo enxágüe.
- Só ligue a máquina de lavar louça quando ela estiver cheia.
- Na higienização de frutas e verduras utilize cloro ou água sanitária de uso geral (uma colher de sopa para um litro de água, por 15 minutos). Depois, coloque duas colheres de sopa de vinagre em um litro de água e deixe por mais 10 minutos, economizando o máximo de água possível.
- A cada copo de água que você toma, são necessários pelo menos outros 2 copos de água para lavá-lo. Por isso, combata o desperdício em qualquer circunstância.
- Junte bastante roupa suja antes de ligar a máquina ou usar o tanque. Não lave uma peça por vez. Caso use lavadora de roupa, procure utilizá-la cheia e ligá-la no máximo três vezes por semana. Se na sua casa as roupas são lavadas no tanque, deixe as roupas de molho e use a mesma água para esfregar e ensaboar. Use água nova apenas no enxágüe. E aproveite esta última água para lavar o quintal ou a área de serviço.

Regina Amábile - Da Agência Imprensa Oficial

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