| ONU
premia pesquisadora brasileira

Fonte:
CNPq
Comprar um simples produto
ou utilizar um serviço no dia-a-dia pode ser uma atividade de responsabilidade
social com o meio ambiente. Este é um dos objetivos do projeto de doutorado
desenvolvido pela pesquisadora Danielle Maia de Souza.
A pesquisadora está
analisando os métodos existentes de Avaliação de Impactos
do Ciclo de Vida (AICV) dos produtos, processos ou serviços para identificar
elementos que podem ser modificados e adaptados, e desenvolver a estrutura de
um método adequado à avaliação de impactos em estudos
de Avaliação do Ciclo de Vida (ACV) em território brasileiro.
"Estamos considerando as particularidades ambientais do país.
Para tanto, é realizada a comparação de métodos de
AICV existentes e, em seguida, buscamos identificar um conjunto de elementos,
componentes desses métodos, os quais possam ser utilizados na formulação
de um método nacional", explica Danielle Maia.
Avaliar o Ciclo
de Vida de um produto ou serviço consumido diariamente pela população
é analisar os aspectos ambientais e estimar os impactos associados a este
ciclo, formado desde a extração da matéria-prima, passando
pelas etapas de produção, distribuição, utilização
até a destinação final do produto. Na avaliação
dos impactos são considerados os fatores que estão associados ao
inventário do ciclo de vida.
Segundo a pesquisadora, o trabalho
iniciou-se com uma revisão bibliográfica acerca do tema, identificando
os principais métodos existentes e aplicados atualmente em estudos realizados
por pesquisadores de outros países. Inicialmente, foram identificadas três
grandes linhas, com métodos próprios de avaliação
de impacto do ciclo de vida: a européia, a americana e a japonesa. Posteriormente,
foram identificados métodos que foram desenvolvidos a partir dessas linhas.
A etapa seguinte foi a identificação dos elementos que poderão
ser modificados e adaptados para as condições brasileiras por meio
da comparação dos métodos existentes, segundo parâmetros
definidos pelo grupo de pesquisadores.
"Até o presente, foi
possível averiguar a necessidade de desenvolvimento de um método
regionalizado que contemple as condições ambientais não somente
do Brasil como um todo, mas de suas diferentes regiões, segundo aspectos
geográficos e climáticos, de forma distinta e mais precisa",
explica.
"Infelizmente, atualmente, poucas indústrias dão
atenção à forma como sua produção interfere
no meio ambiente e aos impactos ambientais gerados. Com os estudos em AICV, torna-se
possível realizar uma análise da cadeia produtiva e, conseqüentemente,
uma melhor escolha de matérias-primas e fontes energéticas, além
de uma minimização mais eficiente de emissões e resíduos
gerados", declara a pesquisadora.
"Um dos principais objetivos
é fazer com que o setor industrial brasileiro tenha acesso à ACV
e perceba que a decisão de avaliar os impactos ambientais também
é importante do ponto de vista econômico. Além de outras vantagens,
como o marketing ambiental e o reconhecimento da sociedade de que a empresa tem
uma atuação ambientalmente correta", explica.
O projeto
da pesquisadora mostra que, por meio da quantificação e caracterização
dos fluxos elementares, de entrada e saída de matéria e energia,
com sua agregação em categorias de impacto, torna-se possível
compreender a relevância ambiental do sistema de um produto. Com esta ferramenta,
passa a ser viável informar a população, conscientizando-a
em relação aos impactos ambientais gerados por diversos produtos,
durante seu ciclo de vida. "A população seria, dessa forma,
capaz de decidir pelo consumo de um ou outro produto em vista dos impactos gerados",
completa Danielle.
Antes de ser concluída, a pesquisa desenvolvida
por Danielle Maia de Souza foi reconhecida pelo Programa Ambiental das Nações
Unidas (PNUMA). Entregue pelo chefe do Ramo de Consumo e Produção
Sustentável da Divisão de Tecnologia, Indústria e Economia
do Programa Ambiental da ONU, Arab Hoballah, o primeiro prêmio concedeu
o título de dois anos de licença de uso do software UMBERTO, especializado
em avaliação do ciclo de vida.
Já o segundo prêmio
refere-se à apresentação feita por Danielle: escolhida como
a melhor dentre aquelas feitas por palestrantes de países emergentes. Com
a segunda premiação, Danielle garantiu um financiamento de 4 mil
Euros para sua pesquisa, fornecido pela organização Pré-Consultants,
que realiza pesquisas em avaliação do ciclo de vida.
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