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contra o aquecimento Fonte: Agência FAPESP (Fábio de Castro)
Na palestra de abertura da 6ª Conferência Municipal de Produção Mais Limpa de São Paulo, realizada nesta quarta-feira (22/8), Magaziner destacou que as cidades são responsáveis por 75% da energia consumida no planeta e que, nas 40 maiores metrópoles, de 35% a 50% da energia é desperdiçada por ineficiência das edificações. De acordo com Magaziner, nas 40 maiores cidades do planeta, de 35% a 50% do total de energia consumida pelos edifícios é gasta com ar-condicionado e com luzes ligadas sem necessidade. As cidades são tremendamente ineficientes e lutar contra isso requer vontade política e organização prática. Além da energia elétrica, os sistemas de água também têm perdas de 35% com vazamentos, inclusive em cidades como Londres ou Paris, afirmou. Ira Magaziner lembrou que São Paulo faz parte do Grupo de Liderança Climática das Grandes Cidades, conhecido como C-40. Criado no fim de 2005, o grupo reúne as 40 maiores cidades do mundo com o objetivo de unir forças para combater o aquecimento global. Em 2006, o C-40 fechou parceria com a Fundação Clinton, que se encarregou de assessorar uma série de ações visando a acelerar as reduções de emissões de gases de efeito estufa. Hoje, metade da população mundial vive em cidades. Essa cooperação é fundamental. Lançamos um programa de eficiência energética em edifícios. Estimulamos a criação, pelas cidades, de códigos de construção que só permitam novas edificações dentro de padrões de eficiência energética, disse. Mas, de acordo com Magaziner, não basta limitar a eficiência aos prédios novos: é fundamental uma ação retroativa nos prédios antigos, incentivando mudanças que melhorem a iluminação e ventilação naturais e automatizem sistemas de ar-condicionado e de iluminação. Necessidade de adaptação Também presente na abertura da Conferência Municipal de Produção Mais Limpa, o meteorologista Carlos Nobre, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, foi categórico ao afirmar que não é mais possível reverter o aquecimento global. Podemos reduzir seu impacto a ponto de evitar uma catástrofe se conseguirmos, com grande esforço, reduzir de 60% a 70% das emissões globais. No cenário mais otimista, podemos estabilizar o aquecimento entre 2ºC e 3ºC, disse. Para Nobre, a melhora da eficiência energética poderá reduzir, no máximo, 10% das emissões. Temos que reduzir emissões, mas é ainda mais importante, no Brasil, saber o que fazer para nos adaptarmos às mudanças climáticas que virão. Este é um país desigual, com altos índices de pobreza e que, por isso, está entre os mais vulneráveis às mudanças, principalmente nas grandes cidades, disse. Segundo Nobre, o Brasil poderá vir a ser uma potência ambiental. Para isso, a cidade de São Paulo deve dar o exemplo e liderar o processo, tornando-se uma das megacidades com menor emissão per capita do mundo, ao mesmo tempo que aumenta a capacidade de adaptação de seus habitantes às mudanças climáticas, destacou. Para reduzir as emissões urbanas, Nobre recomenda também a redução de densidade de construções, a mudança de altitude das edificações, o aumento de ventilação natural nos prédios, a criação de sombras na cidade com mais árvores e vegetação e o uso de materiais de alto poder de reflexão nas edificações.
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