| Não
custa tanto

Fonte: Agência FAPESP- 07/05/2007
O
aumento das emissões de gases de efeito estufa pode ser detido com custos
relativamente baixos. Essa é a principal conclusão da terceira parte
do relatório de 2007 do Painel Intergovernamental sobre Mudança
Climática (IPCC, na sigla em inglês), cujo conteúdo foi divulgado
na sexta-feira (4/5), em Bangcoc (Tailândia). O
documento, produzido por centenas de cientistas de diversos países, aponta
que, para evitar mudanças desastrosas no clima global, a temperatura média
do planeta não poderia subir mais do que 2ºC. O problema é
que, para isso, seria preciso reduzir as emissões de dióxido de
carbono entre 50% e 85% até 2050. O
cenário de redução de emissões que permitiria limitar
o aquecimento global a 2ºC, segundo o documento, supõe uma estabilização
na concentração de gases de efeito estufa na atmosfera em um valor
de cerca de 445 partes por milhão (ppm). As concentrações
atmosféricas atuais equivalem a cerca de 425 ppm. Antes da Revolução
Industrial, a taxa era de 280 ppm. O
impacto dessa estabilização na economia mundial seria de até
3% do PIB mundial até 2030. No mesmo período, o impacto no crescimento
projetado da economia seria de apenas 0,12%. Em outro cenário, visando
à estabilização das emissões entre 535 e 590 ppm
o que limitaria o aquecimento global entre 2,8º e 3,2ºC haveria
um impacto de 0,2% a 2,5% no PIB mundial.
Uma
das principais propostas do documento é estimular o uso de formas alternativas
de energia, que não envolvam a queima de combustíveis fósseis,
a partir da adoção dos mecanismos de crédito de carbono.
Outra proposta, mais agressiva, seria taxar as emissões de carbono
no setor energético. Um aumento no preço da tonelada de dióxido
de carbono para até US$ 50, por exemplo poderia aumentar para níveis
considerados desejáveis a participação das fontes renováveis
na matriz energética. Ainda que o custo econômico pareça
relativamente modesto, trata-se de uma inversão radical das trajetórias
atuais. Como destaca o documento do IPCC, as emissões de gases de efeito
estufa cresceram 70% entre 1970 e 2004. O relatório destaca que as
emissões poderão aumentar entre 25% e 90% até 2030, em comparação
com os níveis de 2000. Entre 66% e 75% do aumento ocorreria em países
em desenvolvimento, ainda que a emissão per capita nesses estaria abaixo
do nível dos países mais ricos. Para inverter essa tendência,
os pesquisadores ressaltam que a eficiência energética tem
um papel central em todos os cenários. O documento defende que é
mais econômico investir na melhoria da eficiência do que no aumento
da oferta de energia. Isso traria benefícios em termos de segurança
energética, de redução da poluição e de criação
de empregos. A oferta de energia aumentou 145% entre 1970 e 2004. O relatório
recomenda o uso de energia solar e eólica, combinado com a utilização
eficiente de energia na iluminação de prédios, além
de captura e o armazenamento de dióxido de carbono expelido por usinas
movidas a carvão. Pela primeira vez, o IPCC indicou que mudanças
no estilo de vida podem ajudar no combate ao aquecimento global, embora não
as tenha detalhado. Mais informações sobre o relatório:
www.ipcc.ch. |