Pesquisa da USP ajuda a calcular seqüestro de CO2 pelas plantas

Método contribuirá para os estudos sobre o aquecimento global

Fonte da foto: http://www.clubedasemente.org.br/jatoba.htmlUma pesquisa recentemente concluída, realizada na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli/USP), vai ajudar a calcular a quantidade de dióxido de carbono (CO2), também conhecido como gás carbônico, que uma determinada planta retira da atmosfera no seu processo de fotossíntese. O estudo, realizado pela pesquisadora Madeleine Barriga Puente de la Vega, do Laboratório de Automação Agrícola (LAA), será importante em pesquisas sobre o aquecimento global, uma vez que o CO2 contribui para o efeito estufa.

Durante um ano, Madeleine de la Vega coletou dados de oito pés de jatobá (Hymenaea courbaril L.) ainda pequenos e conseguiu determinar quanto cada centímetro quadrado de uma folha dessa planta absorve de gás carbônico por segundo.

Não foi um trabalho fácil. Durante o período que durou a coleta de dados, realizada numa casa de vegetação (estufa), Madeleine media seis variáveis (temperatura ambiente, concentração de CO2, umidade relativa, temperatura da folha, hora da medição e radiação fotossintética e ativa), duas vezes por semana. Num dia ela coletava os dados de quatro plantas e no outro, das outras quatro. "Agora, conhecendo os valores dessas variáveis, é possível calcular quanto de fotossíntese a planta está realizando, isto é, quanto de gás carbônico cada folha está seqüestrando num dado momento", explica.

A nova forma de mensurar o seqüestro de carbono, ainda no nível da folha, vem se juntar a outros métodos que procuram calcular quanto de CO2 uma floresta retira da atmosfera. Até hoje não se sabe ao certo se a Floresta Amazônica, por exemplo, é um sorvedouro de gás carbônico ou se o que ela emite durante a noite empata com o que ela consome durante o dia. "O trabalho de Madeleine é mais uma contribuição para entender e quantificar esse processo", diz Antonio Mauro Saraiva. "Agora é preciso extrapolar esses resultados para uma planta adulta e depois para uma floresta. Isso não será fácil e há muito trabalho pela frente."

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