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Estudo
do Instituto Florestal alerta sobre a destruição do cerrado
Antes de começar a ser destruída, essa vegetação ocupava 204 milhões de hectares no Brasil. Hoje, 57% da área não existe. A organização (que tem como objetivo conservar a biodiversidade global do planeta) informou que desaparece, a cada minuto no Brasil, área de cerrado equivalente a 2,6 campos de futebol. A engenheira e pesquisadora Giselda Durigan, do Instituto Florestal do Estado de São Paulo, diz que o estudo tem fundamento: “Infelizmente, acredito nos números divulgados”.Apenas 1% da área do Estado de São Paulo é formada por esse tipo de vegetação. No início do século 20, antes da ocupação do solo pela agropecuária, eram 14%. Giselda explica que o solo do cerrado sempre foi pobre, arenoso, dificultando a atividade agrícola, ideal apenas para sua plantações típicas, como arbustos, gramíneas e pequenas árvores. Tais características, em vez de prejudicar, ajudaram a preservar esse hábitat durante algum tempo, até que novas tecnologias, fertilizantes e melhoramento genético de plantas de valor comercial tornaram a terra, antes improdutiva, oásis para a produção de grãos, principalmente a soja, na maior parte desse local. No território paulista, foram cana-de-açúcar e laranja que mais ocuparam o novo espaço. No que se refere à atividade pecuária, a engenheira do Florestal ressalva que o prejuízo é menor. O boi consome o capim, mas este rebrota depois, mantendo o cerrado em condições razoáveis. “A agricultura revolve a terra e arranca as raízes das plantas, impedindo o reaparecimento da vegetação primitiva”, alerta a engenheira. Áreas
pulverizadas O Estado de São Paulo tem centenas dessas porções de cerrados pulverizadas em seu território, formando pequenas ilhas de vegetação original. A maior delas é a Estação Ecológica de Jataí, na cidade de Luís Antonio, a nordeste do Estado, com aproximadamente 8 mil hectares. Outras áreas importantes são as estações ecológicas de Itirapina, de Mogi-Guaçu e de Assis. É nesta última, com 1,7 mil hectares, que a engenheira Giselda trabalha. Todas essas áreas de proteção são administradas pelo Instituto Florestal, vinculado à Secretaria do Meio Ambiente. Luís Antonio, informa a engenheira, triplicou de tamanho nos últimos dois anos graças à lei da compensação. Por esse dispositivo, empresas que constroem projetos, como hidrelétricas e outros parecidos, são obrigadas a comprar para o Estado áreas equivalentes à devastada pela obra. Pode ser o mesmo tipo de vegetação ou não. “É uma das poucas medidas para preservar o cerrado, além do Código Florestal Federal”, justifica Giselda. Porém, o processo judicial da compensação pode se estender por mais de 10 anos, até a decisão da Justiça. Em Assis, onde há conservação, apresenta nascentes de rios, flora e fauna diversificada, como veado-catingueiro, quati e até anta. O local é muito visitado por professores, profissionais e alunos interessados em pesquisas acadêmicas. Atualmente há mais de 20 trabalhos. Ao lado da estação de cerrado há uma floresta com outro tipo de vegetação, também mantida pelo instituto. Riqueza
em solo pobre Esta última característica o torna importante para a preservação de rios e de mananciais hídricos próprios para o consumo humano. Por não segurar a umidade, o solo permite que a água da chuva escorra para a parte baixa, aumentando o volume de leitos de água e de aqüíferos no subterrâneo da terra. Ao contrário, a floresta retém boa parte da água da chuva. As plantas típicas do cerrado têm importância comercial, medicinal, alimentícia e artesanal. Entre as frutas famosas estão o pequi, bacupari, gabiroba, pitanga, abacaxi, araçá e maracujá. Algumas diferenciam-se de suas iguais produzidas que nascem em outro hábitat. A pitangueira, por exemplo, já mostra suas frutinhas vermelhas com apenas 30 centímetros de altura. As medicinais são catuaba, vara-de-cadela, barbatimão e jalapa. As ornamentais são douradinha, jalapa, rosa-do-campo, algodão-do-campo, cinzeiro e ipê-amarelo. O timburi-do-cerrado é uma árvore cuja casca pode ser usada para fazer a cortiça. A paineira é famosa, pois seu fruto é usado para obtenção de fibras e até para encher travesseiros. A madeira das árvores típicas do local é transformada em carvão. A carne-de-vaca e a sucupira-roxa, mais nobres, são ideais para torneamento e produção de peças pequenas, como cabos de faca ou de revólver. Fonte: Agência Imprensa Oficial (Otávio Nunes) |
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