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A
floresta no limite

Fonte:
Agência FAPESP (Ricardo Zorzetto)
A
paisagem que Paulo Brando encontrou em outubro passado na Floresta Nacional
do Tapajós em Belterra, município no oeste do Pará,
é bem distinta da que o encantou em sua primeira viagem à
região seis anos atrás.
As árvores mais altas e imponentes tinham muito menos folhas
que o normal e já não se abraçavam no topo da floresta
como antes. Várias estavam secas e mortas e por entre os vãos
da copa deixavam espiar o céu. Quase sempre inacessíveis
a quem caminha pela mata, os raios de sol chegavam à camada de
folhas no solo, deixando-a mais seca e propensa a pegar fogo.
Felizmente a transformação observada pelo engenheiro florestal
paulista se restringe ao menos por enquanto a uma pequena
área da Amazônia que na última década vem
servindo de laboratório natural para pesquisadores brasileiros
e norte-americanos interessados em descobrir o que pode acontecer com
a mais vasta floresta tropical do mundo caso, como previsto, a temperatura
do planeta continue aumentando e as chuvas diminuam na região.
No interior dessa reserva ambiental às margens do rio Tapajós,
a 67 quilômetros ao sul de Santarém, Daniel Nepstad, ecólogo
do Centro de Pesquisas Woods Hole, nos Estados Unidos, e fundador do
Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), criou no final
dos anos 1990 um elaborado experimento a céu aberto.
Selecionou um hectare de vegetação nativa o correspondente
a um quarteirão com 100 metros de lado no qual simulou
secas intensas semelhantes às causadas de tempos em tempos no
leste da Amazônia pelo El Niño, o aquecimento anormal das
águas superficiais do oceano Pacífico.
Durante cinco estações chuvosas seguidas, cerca de 30
pesquisadores e auxiliares da equipe de Nepstad instalaram um pouco
acima do solo 5.660 painéis plásticos de 3 metros de comprimento
por 0,5 metro de largura, recolhidos ao final de cada período
de chuvas. Como uma espécie de guarda-chuva sobre a floresta,
os painéis desviavam as águas vindas do céu para
um sistema de calhas que as conduziam para longe dali.s
Os efeitos desse experimento complexo e dispendioso foram medidos
gases emitidos para a atmosfera, umidade do solo, crescimento das plantas,
entre outros fatores começaram a se tornar mais claros
recentemente com a publicação de artigos científicos
detalhando os danos causados por cinco anos de uma seca experimental
severa que reduziu de 35% a 40% o volume de água que chegava
ao solo (o índice médio de chuvas na região de
Santarém é de 2 mil milímetros por ano, concentrados
de dezembro a junho).
A pesquisa completa encontra-se no nº 55 da Revista Pesquisa FAPESP,
disponível em www.revistapesquisa.fapesp.br
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