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Macacos
em perigo

Fonte:
Agência FAPESP (Alex Sander Alcântara)
O
cão é uma excelente companhia para moradores de áreas
urbanas e um forte aliado dos proprietários rurais. Mas um estudo
feito na Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais
(PUC-MG) alerta para o risco do animal de estimação em
áreas de conservação ambiental.
O trabalho relata a predação de macaco-prego (Cebus
nigritus) pelo cão doméstico no Parque Estadual da
Serra do Brigadeiro, localizado em um remanescente de Mata Atlântica
no sudeste de Minas Gerais.
Nos últimos dez anos temos percebido que o cão doméstico
tem entrado muito freqüentemente em unidades de conservação.
O impacto disso na fauna nativa já é sério o bastante
para sugerir o aumento de controle, disse Adriano Chiarello, professor
do Programa de Pós-Graduação em Zoologia de Vertebrados
da PUC-MG.
A proximidade com as áreas urbanas é um dos fatores que
contribuem para a presença de cães nas unidades de preservação.
A entrada é facilitada na borda da mata mais próxima
a núcleos urbanos ou mais próximas a áreas agrícolas.
E ela é menos freqüente na borda que é protegida
com floresta densa, explicou Chiarello.
Com o crescimento das cidades, a fragmentação das
florestas facilitou a entrada do homem. É difícil achar
um fragmento de Mata Atlântica na região Sudeste que não
tenha um núcleo urbano em 10 ou 20 quilômetros de distância.
Trata-se de distância vencida facilmente por um cão doméstico,
afirmou.
O desenvolvimento de tecnologias tem ajudado os pesquisadores a identificar
sinais de predação. As armadilhas fotográficas
(camera trap study) permitem que se conheçam espécies
que normalmente não são observadas por métodos
convencionais de captura de mamíferos, disse.
O impacto da invasão de espécies domésticas é
considerado a terceira maior ameaça às espécies
nativas, depois da superexploração e da destruição
do hábitat. Segundo dados do estudo, o Brasil tinha cerca de
25 milhões de cães domésticos em 2006.
De acordo com o pesquisador, não se sabe ainda o impacto da presença
do cão nessas áreas. Em outra pesquisa realizada em Caratinga,
também na zona da mata mineira e famosa pela presença
dos macacos muriquis, o cão doméstico foi a espécie
de mamífero mais registrada pelas armadilhas fotográficas.
Jaguatirica, onça-parda e o cão doméstico
são possíveis predadores do macaco. Enquanto em Caratinga
registramos 17 casos de cão doméstico, identificamos apenas
três de jaguatirica e um de onça-parda, diz.
Outra grande preocupação é que os cães podem
levar a raiva, leishmaniose e outras zoonoses que tenham potencial de
impacto na fauna. Segundo Chiarello, a situação de controle
é complexa e envolve um trabalho junto à vigilância
sanitária, às prefeituras locais e também ao Instituto
Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis
(Ibama).
O pesquisador ressalta que o cão é um forte aliado do
proprietário rural e defende uma política de controle,
que passe principalmente pela educação. O passo
inicial é de alerta. Os proprietários de fazendas próximas
às unidades de conservação precisam saber que seus
cães têm impacto negativo na fauna. Eles precisam ser alertados
do problema. Um segundo passo é cadastrar os cães, vaciná-los
e colocar coleira de identificação. Com isso, poderemos
separar aqueles com residência dos que não a têm,
defendeu.
16/9/2008
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