| Preocupação
ambiental não se traduz em cuidados Fonte: Agência USP de Notícias (Leonardo Zanon) Rio Verde, no sudoeste de Goiás, é o maior produtor de soja do estado, que teve sua produção triplicada na última década. O aumento ocorreu principalmente devido aos bons preços no mercado internacional e ao desenvolvimento tecnológico relacionado à produção, permitindo o plantio da cultura no Centro-Oeste brasileiro. Contudo, este desenvolvimento causa perdas ambientais, mas apenas a consciência dos agricultores sobre este problema não é suficiente para amenizar o impacto ambiental da sojicultura. A pesquisadora Clarissa de Araújo Barreto, em sua dissertação de mestrado realizada pelo Programa de Pós-Graduação em Ciência Ambiental (PROCAM) da USP, procurou identificar de que forma os cultivadores de soja - chamados sojicultores - entendem a questão ambiental e como eles lidam com isso. Para ela, apenas o conhecimento pelo agricultor dos danos ambientais que sua atividade causa não resolve problemas como o desmatamento em áreas proibidas pela legislação ambiental. "O bom preço da soja e a fiscalização deficiente dos governos federal e estadual fazem com que a plantação avance sobre as áreas de preservação permanente das propriedades e até mesmo sobre a beira das rodovias", afirma Clarissa. A pesquisadora afirma existirem apenas cinco fiscais do Ibama para toda a região Sudoeste de Goiás, e os próprios fiscais disseram que a maior parte do trabalho de fiscalização ocorre em cima de denúncias. Atualmente só restam 25% da área de Cerrado que havia no Estado. As áreas nas beiras dos rios, altos de morros, além de 20% de toda a área das propriedades têm de ser preservadas com sua vegetação natural, mas para Clarissa, a afirmação por parte dos agricultores de que estas áreas estão sendo preservadas pode ser enganosa, já que muitos poderiam temer ações do governo a partir de sua pesquisa. Além disso, a maioria das propriedades pesquisadas não possuía a área mínima obrigatória de vegetação natural, comprovando o desmatamento ilegal. Para a pesquisadora, no entanto, não se pode culpar apenas o agricultor pelo desmatamento e demais danos ambientais, como a erosão ou a contaminação por agrotóxicos. Clarissa defende a necessidade de uma maior participação do governo, seja na fiscalização sobre o desmatamento, seja no desenvolvimento de tecnologias que agridam menos o meio ambiente. "O Brasil possui pesquisas muito boas na área da agricultura, como as da Embrapa, mas a preocupação com os problemas ambientais é bastante recente. Quando essas pesquisas permitiram o cultivo de soja no Cerrado, não se pensou nos danos que isso causaria". O Cerrado, juntamente com a Caatinga, são biomas brasileiros que não possuem status de patrimônio nacional. Sua vegetação é rala e menos vistosa que a exuberante Amazônia, o que faz com que muitos não se preocupem com a sua devastação. Ainda assim, o Cerrado é o segundo maior bioma brasileiro, com grande diversidade biológica, sendo classificado internacionalmente como um hotspot (local de grande diversidade biológica e altos índices de ameaça de extinção, indicado como uma das prioridades para a conservação da biodiversidade). Nos últimos 12 anos, tem se tentado transformar o Cerrado e a Caatinga em patrimônio também, sem sucesso até agora. Novas
técnicas "Existe uma preocupação ambiental em todo o mundo, e os agricultores daqui estão ligados nisso, mas a participação do governo é fundamental. Mais do que fazer cumprir normas, proteger reservas e matas ciliares é uma questão de sobrevivência da atividade agrícola e o governo precisa se preocupar com isso", defende Clarissa. "Em outros estados, como em Mato Grosso, já existem ONGs trabalhando com o reflorestamento de áreas que deveriam estar protegidas, isso é algo que falta aqui em Goiás". 20/2/2008 |
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