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da Mata Atlântica perto de rodovia abriga aves ameaçadas de extinção

Fonte:
Agência USP de Notícias (Naila Okita)
Em levantamento feito entre agosto de 2002 e janeiro de 2005, foram encontradas
quatro espécies de aves consideradas em risco de extinção
habitando o Núcleo Cubatão do parque estadual da Serra do Mar: um
casal de papagaios de cara roxa (Amazonas brasiliensis), um gavião
pomba (Leucopternis lacernulatus), uma mãe da lua (Nyctibius
aethereus) e macucos (Tinamus solitarius). Os dois primeiros constam
da lista oficial brasileira, ou seja, estão ameaçados de extinção
no Brasil todo, e os outros dois estão na lista estadual de São
Paulo.
O
levantamento foi feito pela bióloga Sandra Agnello para sua dissertação
de mestrado Composição, estrutura e conservação da
comunidade de aves da Mata Atlântica no parque estadual da Serra do Mar
- Núcleo Cubatão, São Paulo, pela Escola Superior de Agricultura
Luiz de Queiroz (Esalq), da USP de Piracicaba. A pesquisadora admite que as descobertas
foram muito além de suas expectativas. "Não esperávamos
encontrar qualquer espécie indicadora de qualidade naquela região",
admite, "por ser uma área muito degradada devido a construção
da rodovia Anchieta-Imigrantes".
A
descoberta mais surpreendente para ela foi encontrar espécimes de papagaio
de cara roxa, do qual só havia indícios no Paraná e no extremo
sudeste do litoral de São Paulo. Mapeamento
Sandra encontrou 168 espécies de aves na área pesquisada,
que corresponde a cerca de 10% do Núcleo Cubatão. Depois, classificou
as aves de acordo com seu padrão social, hábito alimentar e habitats.
Quanto
ao padrão social, a maioria eram aves solitárias - 43%. Apenas 24%
delas apresentavam formações de bandos e o restante andava em casal
ou em grupos pequenos.
Já
o hábito alimentar também trouxe bons resultados. Enquanto mais
da metade, 52%, se alimentam de insetos, e 23% são frugívoros (comem
frutos), apenas 1% se alimenta de grãos. Segundo a bióloga, isso
demonstra que a área é conservada porque a degradação
propicia o desenvolvimento de plantas invasoras produtoras de grãos. Quanto
menor a proporção de aves granívoras, mais conservado será
o local. Esperava-se,
também, que a grande concentração de aves se desse no interior
da mata. No entanto, constatou-se que 49% delas viviam na borda, inclusive perto
da rodovia. "Nas bordas é onde se encontra maior distribuição
de frutos e de bandos", explica Sandra. Comparações
A pesquisa comparou os resultados observados com outros estudos realizados
no Sudeste do Brasil. Em termos de hábitos alimentares, localização
em relação ao interior ou borda, as porcentagens foram muito semelhantes
comparando com um estudo realizado em área de mata cortada pela Estrada
da Petrobrás, em Salesópolis, interior de São Paulo, também
se levando em conta que é uma mata que sofreu a interferência de
rodovias. Em
relação à Juréia, no litoral Sul de São Paulo,
que encontra-se em melhor estado de preservação, os resultados foram
similares. No entanto, a pesquisa da Juréia abrangia uma área muito
maior, tanto de encostas (como no caso da pesquisa de Sandra), como também
de baixa e altas altitudes.
11/2/2008 |