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Chave
da reprodução

Fonte:
Agência FAPESP
Há
tempos se sabe que o peso corporal e a fertilidade são características
que estão ligadas. Mulheres muito magras, por exemplo, encontram
freqüentemente dificuldade de engravidar. Agora, cientistas nos Estados
Unidos identificaram uma chave mestra que controla tanto o
peso como a reprodução.
O trabalho, feito em camundongos por pesquisadores dos institutos Salk
e Scripps, foi publicado em 31/8 no site e sairá em breve na edição
impressa da revista Nature Medicine.
Segundo os autores, a chave tem funcionamento semelhante em humanos.
O estudo indica que variações no gene que atua como chave
mestra, conhecido como Torc1, podem contribuir como um componente genético
tanto para a obesidade como para a infertilidade. Tais variações,
afirmam, poderiam ser reguladas com novos medicamentos.
Esse gene é crucial para a cadeia de sinais que circula entre
a gordura corporal e o cérebro. Ele deve ter um papel principal
em quanto os humanos comem e se terão ou não filhos,
disse Marc Montminy, do Instituto Salk.
Segundo Montminy, o Torc1 é tão importante como a leptina,
a proteína que atua diretamente na regulação do apetite.
O motivo é simples: a leptina se transforma em Torc1, que, por
sua vez, ativa um número de genes conhecidos como atuantes no controle
dos processos de fome e da fertilidade.
No estudo, camundongos sem o gene Torc1 nasceram saudáveis e iguais
aos demais, mas após oito semanas começaram a ganhar mais
peso. Tornaram-se persistentemente obesos na vida adulta, com duas a três
vezes mais gordura adiposa do que os outros animais. Também adquiriram
resistência à insulina. Seus hormônios e o açúcar
no sangue eram semelhantes aos verificados em humanos com os mesmos problemas,
disse Montminy.
Para surpresa dos cientistas, eles descobriram que camundongos dos dois
sexos eram inférteis. Útero e ovários nas fêmeas
se mostraram anatomicamente disfuncionais.
O grupo tem estudado nos últimos anos o balanço energético
humano e o que pode levar a problemas como obesidade, diabetes e outras
síndromes metabólicas. No trabalho agora publicado foram
analisados os sinais transferidos entre a gordura corporal e o cérebrso,
informando o quanto o organismo está alimentado e quando
está saciado.
O hormônio principal que atua nessa função é
a leptina, que circula pela corrente sangüínea para o hipotálamo,
o centro do apetite, mantendo o cérebro informado a respeito do
estado nutricional do indivíduo. A leptina também está
envolvida na reprodução, ainda que os cientistas não
saibam exatamente como isso ocorre.
Controlar tanto o apetite como a reprodução resulta
em uma grande vantagem evolucionária. Se não há comida,
o cérebro acredita que o organismo não deveria reproduzir,
porque sem gordura o crescimento do feto seria prejudicado. Alimento insuficiente
para suprir as reservas energéticas do corpo implica que não
sobrará nada para a gestação dos filhos, disse
Montminy.
O artigo The Creb1 coactivator Crtc1 is required for energy balance
and fertility, de Judith Altarejos e outros, pode ser lido por assinantes
da Nature Medicine em www.nature.com/nm.
8/9/2008
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